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UROBORO |
Motivo universal de uma serpente enrolada em um círculo, mordendo a própria cauda. Como tal, ela “se mata, se casa e se engravida a si própria. É um homem e uma mulher, procriando e concebendo, devorando e gerando, ativo e passivo, acima e embaixo ao mesmo tempo” (Neumann, 1954). Como símbolo, o uroboro sugere um estado primevo envolvendo escuridão e autodestruição, bem como fecundidade e criatividade potencial. Representa o estágio anterior ao delineamento e separação dos OPOSTOS. Segundo Jung e Neumann, o uroboro é usado por alguns psicólogos analíticos como uma METÁFORA primária para um estágio precoce do DESENVOLVIMENTO da personalidade. O INSTINTO DE VIDA e o INSTINTO DE MORTE não estão ainda delineados, nem o estão o amor e a agressividade; a identidade de GÊNERO é informe; a falta de experiência da CENA PRIMÁRIA sugere fantasias de partenogênese ou concepção imaculada. Não há distinção entre alimentador e alimentado, existe só uma boca devorando perpetuamente. Estas fantasias, pode-se supor, constituem uma parte tão grande da vida psicológica do bebê que este estágio precoce do desenvolvimento é caracterizado com urobórico. Fases subseqüentes são denominadas por Neumann de matriarcal e patriarcal. É importante ter em mente a natureza metafórica desta descrição, pois sua construção é essencialmente empática. Isto é, observações externas de natureza empírica sugerem que um bebê é mais relacionado, mas ativo e tem mais iniciativa que o enfoque urobórico sobre o solipsismo e a fantasia sugeririam. Contudo, tanto a perspectiva interna como a externa são válidas a seus diferentes modos (ver TENRA INFÂNCIA E INFÂNCIA). A psicanálise contemporânea tende a aceitar a idéia de que, se a mãe e/ou o meio ambiente não se adequam às ilusões bastante normais de grandiosidade e onipotência do bebê, então este poderá se sentir invadido ou perseguido. Isso pode levar ao desenvolvimento de uma organização de falso self, com sugeriu Winnicott (1960). Ou a falta de “espelho” pode acarretar-lhe sentimentos de privação, tendendo a um possível distúrbio narcísico da personalidade mais tarde na vida (Kohut, 1971). O sentimento religioso de um adulto pode ser considerado um envolvimento com a imagem do uroboro – reconhecimento da abrangência, do poder de Deus, por um lado, e, pelo outro, momentos de unicidade com Ele (ver RELIGIÃO; SELF). |