|
|
|
DELÍRIO |
Jung define o delírio do que se experimenta nesse fenômeno. O paciente sente alguma coisa similar a um julgamento baseado no intelecto ou no sentimento, ou que deriva de percepções reais. Mas, na realidade, isto é baseado em fatores inconscientes dentro dele. Entretanto, tal experiência pode não ser totalmente negativa, desde que eventualmente venha a ser compreendida. Em certo sentido, os delírios são tão “naturais” quanto os SONHOS ou outros fenômenos psicológicos. Exibem a vigorosa variedade do mundo interno, e o modo como um delírio sobrepuja os padrões e atitudes conscientes de uma pessoa indica sua REALIDADE PSÍQUICA (ver PSICOSE). A idéia de que os delírios podem ser interpretados é atribuível a Jung (ver INTERPRETAÇÃO). Essa compreensão pode ser ou em nível pessoal ou em nível coletivo (ver ARQUÉTIPO; INCONSCIENTE) ou obtida quando se usa uma combinação destas duas perspectivas. Ele chama atenção para determinadas “idéias super-valorizadas”, que constituem os precursores de delírios paranóides, e compara estas a complexos autônomos (ver COMPLEXO). Em certas ocasiões chegou a achar que o objetivo da PSICOTERAPIA era levá-los a associação com outros complexos. O delírio é marcado pela ASSOCIAÇÃO das idéias a um quadro de referência limitado e inflexível. No que concerne à interpretação coletiva, a ênfase de Jung estava no aspecto transpessoal – aquele elemento no delírio que tem sua história e seu lugar no desenvolvimento psicocultural do homem. Por isso, achava o MITO e os CONTOS DE FADAS úteis, tanto para amplificar o material clínico como também para ajudar a organizá-lo, representando o padrão psicológico essencial (ver AMPLIFICAÇÃO; CULTURA). Jung enumera diversos delírios coletivos (para se distinguir de interpretações coletivas de delírios de um indivíduo). Entre estes estaria a idéia de que somos criaturas exclusivamente racionais. |