CONTOS DE FADAS

Histórias representativas do INCONSCIENTE coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana. Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o MITO, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes  podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados (ver INTEGRAÇÃO; SÍMBOLO). Em pesquisas sobre a ESQUIZOFRENIA, Jung encontrou essas formas típicas de comportamento e motivos aparecendo em sonhos, visões e nos sistemas delirantes do insano, independentes da tradição. Tais imagens primordiais ele as identificava como arquétipos (ver ARQUÉTIPO; IMAGEM).

Os contos de fadas são histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade e seu poder mágico (ver NUMINOSO). Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, MITOS e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Levando à prática a afirmação de Jung, psicólogos analíticos usaram os contos de fadas como ilustrativos do comportamento psicológico. Von Franz (1970) focalizou mais diretamente o conto de fadas como “a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos inconscientes”.