Olivier Todd

ALBERT CAMUS: UMA VIDA

Tradução de Monica Stahel


877 páginas - 1998

Leia o capítulo 23

Que Absurdo?


"A monumental biografia de Olivier Todd é uma defesa imparcial mas poderosa da reputação política e humana de Camus."

The Sunday Times

"Um dos méritos do livro de Olivier Todd é esclarecer o quanto um autor pode estar próximo de sua obra, mesmo no dia-a-dia, a tal ponto que a célebre sinceridade de Camus nos parece hoje assustadora."

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"Assim como seu personagem, e com o gosto pelo romance que resta aos arquivistas, Todd mistura registros de sensações e aforismas, minúcia anglo-saxã e moralismo à francesa. Não é um desmistificador, tampouco um hagiógrafo: é um escritor, e nessa condição situa-se no centro de qualquer empreitada literária esse 'combate intolerável com as palavras' do qual fala Eliot."

Le Monde des Livres



“Em 4 de janeiro de 1960, voltando de paris depois de um feriado, Albert Camus morre em um acidente de carro. ‘Uma morte imbecil’, como ele costumava dizer sobre mortes em acidentes automobilísticos. Um dos mais jovens ganhadores do prêmio Nobel de Literatura (em 1957), Camus foi um herói da Resistência, um defensor dos árabes muçulmanos de sua Argélia natal, um comunista que lutava contra o stalinismo, um dos líderes de sua geração de escritores, com uma obra construída em torno do absurdo e da revolta. Mais de três décadas depois de sua morte, as obras de Camus ainda continuam entre os livros mais lidos deste século, mesmo tendo sido atacados por críticos, como seu ex-amigo Jean-Paul Sartre, que o considerava um liberal ineficiente, colonialista e até mesmo racista.
Mas Albert Camus não poderia ter uma origem mais proletária. Nasceu em 1913, em uma fazenda perto de Mondovi, na Argélia, e teve uma infância miserável em Argel. Em 1935, filiou-se ao partido Comunista, achando que era uma forma de proteger os interesses de sua mãe, uma faxineira analfabeta, e de seu tio, um tanoeiro. O pai, que ele não conheceu, morrera em 1914. Encontrando no jornalismo a ‘profissão superior’, Camus começou a escrever para o periódico liberal Alger Républicain, ao mesmo tempo que produzia peças para o centro de cultura da Argélia. Foram essas campanhas políticas para denunciar a miséria dos muçulmanos que o obrigaram a abandonar a Argélia, onde não conseguia mais trabalho, e a se exilar em 1940 em Paris, onde produziu suas principais obras.

Em 1942 ele publica, com grande aclamação, O mito de Sísifo e O estrangeiro. Em Marselha, escreve A peste, Ao mesmo tempo, Sartre descobre O estrangeiro e os dois, mais Simone de Beauvoir, tornam-se amigos inseparáveis. Em 1943, Camus é um dos incentivados e colaboradores do jornal clandestino Combat, um marco na história da imprensa francesa. No final da guerra, Camus já é celebridade em Paris - romancista com boas vendas, filósofo, editor de um importante jornal e personagem polêmico que recusa a Legião de Honra e um convite para ingressar na Académie Française. Em 1951, distante do Partido Comunista e brigado com Sartre e os intelectuais franceses de esquerda, publica O homem revoltado, e, cinco anos depois, com A queda, dá sinais de desilusão, isolamento e solidão.

Com base na correspondência pessoal de Camus, em gravações inéditas e entrevistas com familiares, amigos e amantes do escritor, Olivier Todd revela nesta biografia engajada toda a complexidade de um escritor charmoso e virulento, sincero e teatral, arrogante e inseguro. Todd contrapõe a vida de Camus a momentos históricos, como a ocupação francesa do norte da África, e ao ambiente da Paris literária do pós-guerra. Ele avalia o sucesso de Camus e sua vida privada conturbada, com uma atração compulsiva por mulheres, a luta contra uma tuberculose debilitante e as polêmicas intelectuais em defesa de suas posições políticas.”

“Jornalista e escritor, Olivier Todd foi repórter do Nouvel Observateur e diretor de redação do L’Express até 1981. Entre suas principais obras estão Un cannibale très convenable, premiado pela Académie Française, Jacques Brel, une vie, Cruel Avril e La Sanglière.”


SUMÁRIO:

Introdução

1. Matrícula 17.032

2. "Mosquito, você foi aceito"

3. Silêncio e palavras

4. Metafísica e política

5. Meias brancas

6. "Pedacinhos de alma"

7. A tentação da ação

8. Heroísmo e "grandes bobagens"

9. Santo Agostinho sem Marx

10. A carta de Salzburgo

11. Poltronas 156 e 157

12. "Agente provocador"

13. Proletariado intelectual

14. Um irmão mais velho

15. Combates

16. "O Salão de Leitura"

17. "Teta, baioneta e sacanagem"

18. Uma praia de Bouisseville

19. Exílio

20. Êxodo

21. Pausa em Oran

22. "Uma coisa importante"

23. Que absurdo?

24. Respiração curta

25. O parti pris dos homens

26. Rutabagas e resistências

27. 180.000 exemplares

28. Novos combates

29. Os Rambert

30. A ilha de três rios

31. "O Terror"

32. Amarguras

33. "Caro camarada"

34. "A Única"

35. Três amigos

36. "Strepto - 40 gramas"

37. Rua Sébastien-Bottin, nº 5, frente

38. Fundos

39. Revoltas

40. A "vedeta" e o "encouraçado"

41. "Numa esfera de vidro"

42. 1º de novembro de 1954

43. "A Argélia não é a França"

44. O grito do prisioneiro

45. "Anêmona de coração preto"

46. As vias do silêncio

47. O preço a pagar

48. Um "olhar míope"?

49 "Não sei me repetir"

50 Grand'rue de l'Église

Conclusão

Agradecimentos

Genealogia

Notas

Bibliografia

Índice

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