"A monumental biografia de Olivier Todd é uma defesa imparcial
mas poderosa da reputação política e humana de Camus."
The Sunday Times
"Um dos méritos do livro de Olivier Todd é esclarecer o quanto um autor pode estar próximo
de sua obra, mesmo no dia-a-dia, a tal ponto que a célebre sinceridade de Camus nos parece hoje assustadora."
Lire
"Assim como seu personagem, e com o gosto pelo romance que resta aos arquivistas, Todd mistura registros de
sensações e aforismas, minúcia anglo-saxã e moralismo à francesa. Não
é um desmistificador, tampouco um hagiógrafo: é um escritor, e nessa condição
situa-se no centro de qualquer empreitada literária esse 'combate intolerável com as palavras' do
qual fala Eliot."
Le Monde des Livres
“Em 4 de janeiro de 1960, voltando de paris depois de um feriado, Albert Camus morre em um acidente de carro. ‘Uma
morte imbecil’, como ele costumava dizer sobre mortes em acidentes automobilísticos. Um dos mais jovens
ganhadores do prêmio Nobel de Literatura (em 1957), Camus foi um herói da Resistência, um defensor
dos árabes muçulmanos de sua Argélia natal, um comunista que lutava contra o stalinismo, um
dos líderes de sua geração de escritores, com uma obra construída em torno do absurdo
e da revolta. Mais de três décadas depois de sua morte, as obras de Camus ainda continuam entre os
livros mais lidos deste século, mesmo tendo sido atacados por críticos, como seu ex-amigo Jean-Paul
Sartre, que o considerava um liberal ineficiente, colonialista e até mesmo racista.
Mas Albert Camus não poderia ter uma origem mais proletária. Nasceu em 1913, em uma fazenda perto
de Mondovi, na Argélia, e teve uma infância miserável em Argel. Em 1935, filiou-se ao partido
Comunista, achando que era uma forma de proteger os interesses de sua mãe, uma faxineira analfabeta, e de
seu tio, um tanoeiro. O pai, que ele não conheceu, morrera em 1914. Encontrando no jornalismo a ‘profissão
superior’, Camus começou a escrever para o periódico liberal Alger Républicain, ao mesmo tempo
que produzia peças para o centro de cultura da Argélia. Foram essas campanhas políticas para
denunciar a miséria dos muçulmanos que o obrigaram a abandonar a Argélia, onde não
conseguia mais trabalho, e a se exilar em 1940 em Paris, onde produziu suas principais obras.
Em 1942 ele publica, com grande aclamação, O mito de Sísifo e O estrangeiro. Em Marselha,
escreve A peste, Ao mesmo tempo, Sartre descobre O estrangeiro e os dois, mais Simone de Beauvoir, tornam-se amigos
inseparáveis. Em 1943, Camus é um dos incentivados e colaboradores do jornal clandestino Combat,
um marco na história da imprensa francesa. No final da guerra, Camus já é celebridade em Paris
- romancista com boas vendas, filósofo, editor de um importante jornal e personagem polêmico que recusa
a Legião de Honra e um convite para ingressar na Académie Française. Em 1951, distante do
Partido Comunista e brigado com Sartre e os intelectuais franceses de esquerda, publica O homem revoltado, e, cinco
anos depois, com A queda, dá sinais de desilusão, isolamento e solidão.
Com base na correspondência pessoal de Camus, em gravações inéditas e entrevistas com
familiares, amigos e amantes do escritor, Olivier Todd revela nesta biografia engajada toda a complexidade de um
escritor charmoso e virulento, sincero e teatral, arrogante e inseguro. Todd contrapõe a vida de Camus a
momentos históricos, como a ocupação francesa do norte da África, e ao ambiente da
Paris literária do pós-guerra. Ele avalia o sucesso de Camus e sua vida privada conturbada, com uma
atração compulsiva por mulheres, a luta contra uma tuberculose debilitante e as polêmicas intelectuais
em defesa de suas posições políticas.”
“Jornalista e escritor, Olivier Todd foi repórter do Nouvel Observateur e diretor de redação
do L’Express até 1981. Entre suas principais obras estão Un cannibale très convenable, premiado
pela Académie Française, Jacques Brel, une vie, Cruel Avril e La Sanglière.”
SUMÁRIO:
Introdução
1. Matrícula 17.032
2. "Mosquito, você foi aceito"
3. Silêncio e palavras
4. Metafísica e política
5. Meias brancas
6. "Pedacinhos de alma"
7. A tentação da ação
8. Heroísmo e "grandes bobagens"
9. Santo Agostinho sem Marx
10. A carta de Salzburgo
11. Poltronas 156 e 157
12. "Agente provocador"
13. Proletariado intelectual
14. Um irmão mais velho
15. Combates
16. "O Salão de Leitura"
17. "Teta, baioneta e sacanagem"
18. Uma praia de Bouisseville
19. Exílio
20. Êxodo
21. Pausa em Oran
22. "Uma coisa importante"
23. Que absurdo?
24. Respiração curta
25. O parti pris dos homens
26. Rutabagas e resistências
27. 180.000 exemplares
28. Novos combates
29. Os Rambert
30. A ilha de três rios
31. "O Terror"
32. Amarguras
33. "Caro camarada"
34. "A Única"
35. Três amigos
36. "Strepto - 40 gramas"
37. Rua Sébastien-Bottin, nº 5, frente
38. Fundos
39. Revoltas
40. A "vedeta" e o "encouraçado"
41. "Numa esfera de vidro"
42. 1º de novembro de 1954
43. "A Argélia não é a França"
44. O grito do prisioneiro
45. "Anêmona de coração preto"
46. As vias do silêncio
47. O preço a pagar
48. Um "olhar míope"?
49 "Não sei me repetir"
50 Grand'rue de l'Église
Conclusão
Agradecimentos
Genealogia
Notas
Bibliografia
Índice
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