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“A obra de Richard Rorty está, hoje, consagrada em todo o mundo.
Inúmeros motivos a tornam uma das mais ricas, sofisticadas, influentes, inspiradoras, intelectualmente provocadoras
e politicamente relevantes da filosofia contemporânea. Em primeiro lugar, Rorty reinscreveu a filosofia norte-americana
na mapa do pensamento mundial, onde há décadas não tinha mais lugar, salvo no capítulo
exclusivo da filosofia analítica. Para fazê-lo, redescreveu, isto é, contou com uma dicção
única e inconfundível, por um ângulo absolutamente original, sua versão da história
da filosofia, na qual tornaram-se possíveis, inteligíveis e até necessários encontros,
parcerias e diálogos surpreendentes. Ao operar esta reinscrição, Rorty cumpriu o papel simétrico
complementar: ajudou a trazer de volta para as salas de aula dos EUA a filosofia européia continental, arquivada,
desde os anos cinqüenta, como retórica metafísica e má literatura. Desse modo, contribuiu
para tornar o ambiente universitário norte-americano mais cosmopolita e sensível às grandes
questões de nosso tempo e para abrir brechas na hegemonia do neopositivismo.
Em segundo lugar, coube a Richard Rorty uma função singular: combinar convicções democráticas
e os valores da revolução burguesa de 1789 com o radicalismo antifundacionista, antieesencialista,
cujas conseqüências foram, freqüentemente, confundidas com o ceticismo, o relativismo e o sectarismo
antiinstitucionalista do anarquismo. Ambos os movimentos convergiam: a redescrição da história
da filosofia, com a reinscrição dos filósofos americanos pragmatistas no centro dos debates
modernos e a dupla requalificação - da democracia, que alterava os termos de suas ‘justificação’,
passando a prescindir de 'fundamentação’; e do antifundacionalismo filosófico, que perdia
parte de seu glamour radical ao afastar-se do sectarismo político, mas ganhava em responsabilidade ‘realista’.
O livro que ora se torna acessível aos leitores brasileiros tem o mérito de sintetizar todas essas
teses, ainda tão pouco conhecidas e discutidas entre nós, com a clareza, a precisão, a profundidade
e, ao mesmo tempo, a simplicidade de que só o próprio Rorty é capaz. Por outro lado, traz
ao público brasileiro, pela primeira vez, o texto que talvez seja o mais belo e pessoal que o autor escreveu,
‘Trotsky e as Orquídeas Selvagens’, não por acaso um esboço autobiográfico.”
Luiz Eduardo Soares
“Richard Rorty é Emeritus professor of Humanities da Universidade
de Virgínia e professor do Departamento de Literatura comparada da Universidade de Stanford. Autor de obra
numerosa, tem alguns de seus livros mais importantes traduzidos para o português, como A Filosofia e o Espelho
da Natureza, Contingência, Ironia e Solidariedade, Objetivismo, Relativismo e Verdade - Escritos Filosóficos
vol. I; Ensaios sobre Heidegger e Outros - Escritos Filosóficos vol. II e Para Realizar a América.
“A obra de Richard Rorty não é um guia para perplexos, não oferece novas e sólidas
certezas para colocarmos no lugar de crenças estabelecidas por setores conservadores da prática filosófica.
Oferece, sim, algumas balizas e incentiva a substituição da expectativa de conhecermos o absoluto,
o inefável e o imutável, por amplas reservas de esperança de que possamos, por força
de nossa impressionante criatividade e engenho, construir um mundo melhor.”
SUMÁRIO
Créditos
Apresentação
Verdade sem Correspondência com a Realidade
Um Mundo sem Substâncias ou Essências
Ética sem Obrigações Universais
A Filosofia e o Futuro
Trotsky e as orquídeas Selvagens
Notas
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