TRANSFORMAÇÃO

Uma transição psíquica envolvendo REGRESSÃO e temporária “perda da condição do ego”, a fim de levar à CONSCIÊNCIA e preencher uma necessidade psicológica até então não reconhecida. Em conseqüência, a pessoa se torna mais completa. Não sendo o mesmo que realização, transformação é um processo contínuo e, advertia Jung, mesmo aos estágios de transformação não se deveriam dar nomes difíceis e extravagantes, para que não aconteça que algo vivo se torne estático. Tida como objetivo da PSICOTERAPIA, oposto psicológico da repressão; na ANÁLISE a transformação envolve uma cuidadosa investigação da SOMBRA em todos os seus aspectos.

O simbolismo da transformação é perceptível nos ritos primitivos da INICIAÇÃO, na ALQUIMIA e no RITUAL religioso, todas estas cerimônias destinadas a impedir as lesões psíquicas passiveis de ocorrer em ocasiões de transição (ver PRIMITIVOS; SÍMBOLO). Toda transformação inclui experiência de transcendência e mistério e envolve a morte simbólica e o RENASCIMENTO. Muito embora exista uma tendência de falar algo exageradamente de uma renovação completa, não é este o caso. Há somente uma mudança relativa, de modo que a continuidade da pessoa e da PSIQUE é preservada. Se fosse de outra forma, observa Jung, a transformação realizaria uma dissociação da personalidade, amnésia ou outro estado psicopatológico.

Pode haver transformação negativa (ver PERDA DA ALMA; PSICOSE). Contudo, Jung estava convicto de que naturalmente procuramos obter o que necessitamos; portanto, referia-se a um INSTINTO da TOTALIDADE ou à transformação como sendo um processo natural que envolve um diálogo continuo entre o EGO e o SELF (ver EIXO EGO-SELF). Também chamava esse processo de INDIVIDUAÇÃO.

O tema da transformação perpassa por toda a obra de Jung. Seu rompimento com Freud foi assinalado por sua análise e publicação do simbolismo de transformação de um caso individual (CW 5). Seus estudos alquímicos são uma amplificação desse processo psíquico básico (CW 12, 13, 14). O rito de transformação são explorados em “Transformation Symbolism in the Mass” (CW 11).

Ver PERSONALIDADE MANA.