TOTALIDADE

A expressão mais plena possível de todos aspectos da personalidade, tanto em si mesma como na relação com outras pessoas e com o meio ambiente.

De acordo com Jung, a totalidade deve ser equiparada à saúde. Como tal, é tanto um potencial como uma capacidade. Nascemos possuindo uma totalidade fundamental, porém, à medida que crescemos, esta entra em colapso e se reorganiza em algo mais diferenciado (ver SELF). Expressa deste modo, a realização da totalidade consciente pode ser considerada como o objetivo ou propósito da vida. A interação com os outros ou com o meio ambiente pode, ou não, facilitar este aspecto, depende do caso. Contudo, a totalidade deve ser vista, em todos os seus aspectos, como individualmente relevante e, daí, mais como uma realização qualitativa que quantitativa.

Embora a totalidade não deva ser ativamente buscada ou perseguida per se, é possível ver quão freqüentemente a experiência da vida tem essa finalidade como seu objetivo secreto. A conexão com a criatividade sublinha que totalidade (e saúde) são termos relativos, diferentes de normalidade ou conformismo (ver ADAPTAÇÃO; PROCESSO DE CURA; INDIVIDUAÇÃO). Conforme Jung usava a palavra, a “totalidade” fala mais de “completude” que de “perfeição”.

A idéia de totalidade está ligado à teoria dos OPOSTOS. Se dois opostos em conflito se juntam e se sintetizam, o resultado passa a compor uma totalidade maior (ver CONIUNCTIO; MANDALA). Jung estava preocupado com o fato de que a cultura ocidental em geral e o cristianismo em particular ignoram dois elementos que são vitais para a totalidade: o feminino (ver ANIMA E ANIMUS; ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA; GÊNERO) e o MAL ou a destrutividade do homem (ver SOMBRA).

Jung estava ciente de que uma pessoa pode adquirir um verniz de totalidade, que é espúria (CW 7, parág. 188), e de que um devoto por demais impetuoso confundirá seu desejo com seu estado real. Uma voracidade por totalidade pode ser fuga de conflito psicológico.

As idéias de Jung, em sintonia com muitos desenvolvimentos do pensamento do século XX, mostram uma disposição holista da mente (embora Jung não use a palavra). Ver INCONSCIENTE PSICÓIDE; PLEROMA; REALIDADE PSÍQUICA; SINCRONICIDADE; UNUS MUNDUS.