TESTE DE ASSOCIAÇÃO DE PALAVRAS

Um método experimental para a identificação de complexos pessoais mediante a investigação de associações ou conexões psicológicas ao acaso (ver ASSOCIAÇÃO). Jung concentrou-se na pesquisa com o teste de associação de palavras vários anos durante a primeira década deste século quando era um jovem psiquiatra trabalhando na Clínica Burgholzli (um hospital para doentes mentais em Zurique), onde o teste havia sido introduzido por Bleuler e era usado para a avaliação clínica de pacientes (ver PSICANÁLISE)

O teste fora inventado por Galton e adotado e modificado por Wundt, que queria descobrir e estabelecer a lei que governa a associação de idéias. Aschaffenburg e Kraepelin introduziram distinções entre associações verbais ou “de ruído” (som) e aquelas relacionadas com o significado e observaram o efeito da fadiga sobre as respostas. Pacientes febris, alcoolistas e com doenças eram testados. Depois, Ziehan descobriu que os períodos de reação eram mais longos se as palavras de estímulo se referiam a algo que o paciente sentia como desagradável. Respostas atrasadas foram apresentadas relacionando-se com uma “representação subjacente comum” ou com um “complexo de representações emocionalmente carregadas”. Foi neste ponto que o teste foi aproveitado para ser usado na Burgholzli e Jung foi encarregado da pesquisa que, no primeiro lugar, se ocupava com o afrouxamento ou a libertação da tensão que rodeavam as associações na instalação de um surto da ESQUIZOFRENIA.

Jung aperfeiçoou  o teste, sendo sua intenção principal a detecção e análise dos complexos. Durante essas investigações, ficou convencido de que o paciente poderia ser curado se pudesse ser ajudado a confrontar e superar seu COMPLEXO. Entre seus primeiros achados (publicados em 1907 como The Psychology of Dementia Praecox / A Psicologia da Demência Precoce /, CW 3), Jung distinguiu diferentes tipos de complexos, dependendo de saber se estavam relacionados com eventos simples, contínuos ou repetidos; se eram conscientes, parcialmente conscientes ou inconscientes e se revelavam fortes cargas de AFETO. As investigações de Jung provocaram uma divergência com Bleuler com respeito a hipóteses sobre a gênese da esquizofrenia, e também por Jung enunciar sua original suposição de que as idéias delirantes do psicótico eram tentativas de criar uma nova visão do mundo (CW 3, parágs. 153-178).

Por toda a obra sobre o teste de associação de palavras, Jung considerou Freud uma autoridade. O próprio Freud acompanhava com interesse a pesquisa sobre as associações e usava termos tais como cadeia, fio, série ou linha de associação para descrever os caminhos da chamada “associação livre”. Jung percebia que suas próprias pesquisas sobre os complexos e indicadores de complexos confirmavam a existência de grupos de conteúdos inconscientes reprimidos e davam base empírica às descobertas, por Freud, de reminiscências traumáticas. Porém, enquanto Freud continuava aplicando seu método da associação livre, amplamente, a conteúdos do inconsciente pessoal do paciente (termo de Jung), o interesse de Jung pelos complexos levou-o mais adiante para a investigação de arquétipos que residem no inconsciente coletivo (também termo de Jung). Ver ARQUÉTIPO; COLETIVO; INCONSCIENTE.

Durante curto tempo, Jung especulou se o teste de associação de palavras poderia ser um instrumento de valor social para ser usado em detecção de crimes, bem como na terapia. Porém, após vários anos de intenso trabalho nos problemas envolvidos, deixou de usar por completo o teste de associação de palavras e abandonou quaisquer outras tentativas na psicologia experimental.