SINCRONICIDADE

Experiências repetidas que indicavam eventos que nem sempre obedeciam às leis de tempo, espaço e causalidade levaram Jung a buscar o que poderia jazer por trás dessas leis. Desenvolveu o conceito de sincronicidade que definiu de vários modo:

(1) como um “principio não causal de conexão”;
(2) como referindo-se a eventos relacionados de forma significativa mas não causal (isto é, não coincidentes no tempo e no espaço);
(3) como referindo-se a eventos que coincidem no tempo e no espaço mas que também podem ser julgados como tendo conexões psicológicas significativas;
(4) como ligando os mundos psíquico e material (nos escritos de Jung sobre a sincronicidade, muitas vezes, mas nem sempre, o mundo material inorgânico).

Jung procurava demonstrar um princípio sincronístico examinando uma possível correspondência entre sinais de nascimento astrológicos e escolha de parceiros de casamento. Concluiu que não havia conexão estatística, nem o padrão era devido ao acaso; assim, em 1952, a sincronicidade foi proposta como uma terceira opção (CW 8). Ver MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO; INCONSCIENTE.

O experimento foi criticado. A amostra era baseada em um grupo que levava a astrologia a sério e, portanto, não era uma amostra ao acaso. As estatísticas foram objetadas, e, o que é mais importante, não importa o que mais possa ser, a astrologia não é considerada como sendo não-causal. Não obstante, o experimento mostra claramente que Jung estava tentando evitar a polaridade acaso/causa. Fenômenos supostamente ligados por acaso ou coincidência podem, de fato, estar ligados pela sincronicidade.

Às vezes Jung aplicava a sincronicidade a uma vasta gama de fenômenos que, talvez, sejam considerados, de modo mais preciso, como psicológicos ou parapsicológicos, por exemplo, a telepatia. Contudo, a maioria das pessoas experimentaram coincidências significativas ou detectaram como que uma tendência em suas vivências, e é em conexão com esse tipo de experiência que a hipótese sincronística de Jung pode ter relevância direta a nível pessoal.

Jung sugeria que fenômenos sincronísticos podem ser mais aparentes quando o nível da consciência é baixo (ver ABAISSEMENT DU NIVEAU MENTAL). O que ocorre pode então ter um valor terapêutico na análise, forçando a atenção para áreas problemáticas que, por serem inconscientes, podem até então ter permanecido intocadas. Ter em mente a sincronicidade protege o analista contra o perigo duplo de achar que tudo é devido ao destino ou de ceder a explicações puramente causais que “servem apenas para despotencializar a experiência do paciente, em vez de deixá-la operar a serviço da mudança” (Williams, 1963b). A experiência sincronística ocorre onde há interseção de dois tipos de realidade (isto é, “interna” e “externa”).

A sincronicidade deveria ser comparada e contrastada com INCONSCIENTE PSICÓIDE; REALIDADE PSÍQUICA; UNUS MUNDUS.