RITUAL

Um serviço ou cerimônia encenada com um propósito ou intenção religiosa, seja tal propósito ou intenção consciente ou INCONSCIENTE (ver ATUALIZAÇÃO; RELIGIÃO). As representações rituais são baseadas em temas mitológicos e arquetípicos, expressam suas mensagens simbolicamente, envolvem uma pessoa totalmente, conduzem um senso de SIGNIFICADO superior para o indivíduo e, ao mesmo tempo, contam com representações adequadas ao ESPÍRITO dos tempos (ver ARQUÉTIPO; MITOS; SÍMBOLO). Quando ritos individuais e COLETIVOS já não incorporam o espírito dos tempos, são buscadas novas representações arquetípicas ou novas interpretações são dadas a formas antigas, a fim de compensar o estado que mudou na CONSCIÊNCIA.

O ritual funciona como um continente psíquico para a TRANSFORMAÇÃO (isto é, CASAMENTO; INICIAÇÃO) quando o equilíbrio psicológico de uma pessoa é ameaçado pelo inesperado poder do NUMINOSO durante um período de mudança de um status ou modo de ser para um outro. Jung acreditava que o homem exprimia suas condições psicológicas mais importantes e fundamentais no ritual e que, se não fossem providenciados rituais apropriados, as pessoas espontâneas e inconscientemente inventariam rituais para salvaguardar a estabilidade da personalidade quando a transição de uma condição psicológica para outra era efetuada. Contudo, o próprio ritual não efetua a transformação; apenas a contém.

O interesse de Jung pelo ritual originou suas viagens à África, Índia e às tribos indígenas no sudoeste dos Estados Unidos. Era sobretudo atraído pelos rituais de iniciação, neles encontrando paralelos com processos e progressões psicológicos feitos pelo indivíduo em diferentes ESTÁGIOS DA VIDA. No trabalho com seus pacientes, observava que a confiança no ritual era uma condição de cada acréscimo na consciência. Sua obra sobre a psicologia da transferência (CW 16) pode ser considerada uma INTERPRETAÇÃO do simbolismo do ritual de uma metamorfose psicológica.

M. Eliade, antropólogo e estudioso de religião comparada, era colega e fonte de referência para Jung nesse campo de investigação. Hederson relacionou os ritos de iniciação com achados clínicos (1967), como também o fez Perry (1976).