RENASCIMENTO

Uma experiência psíquica de transcendência e/ou transformação, que não é observável de uma perspectiva externa, não obstante ser uma realidade percebida e certificada por aqueles que a experimentaram (ver REALIDADE PSÍQUICA). É o resultado subjetivo de um encontro com o ARQUÉTIPO da TRANSFORMAÇÃO.

Experiências de transcendência estão conectadas com ritos de renovação sagrados, quer no processo de INICIAÇÃO, quer em outras cerimônias religiosas e sacramentais (ver RITUAL). VISÕES, místicas ou de outra natureza, podem ter um efeito algo semelhante no fato de o espectador poder ser envolvido, embora sua natureza não seja necessariamente alterada. Ele pode estar estética, ou mesmo, extaticamente impressionado, porém não registra uma mudança duradoura em seu ser (ver RELIGIÃO).

Transformações subjetivas, por outro lado, envolvem mudanças no ser real do indivíduo. Podem ser psicopatológicas (por exemplo, ABAISSEMENT DU NIVEAU MENTAL; IDENTIFICAÇÃO; INFLAÇÃO; POSSESSÃO). Podem estar ligadas a estados de consciência alterados induzidos por drogas, encantamento, hipnotismo ou outros procedimentos mágicos (ver MAGIA). Porém, também podem ocorrer como resultado do processo natural de INDIVIDUAÇÃO em que o indivíduo se sente renascido como uma personalidade “maior”.

A figura interna que personifica o self encontra-se tradicionalmente numa PROJEÇÃO. Foi representada como a pedra dos alquimistas, Cristo, um deus de culto ou adoração, guru, guia, líder ou outras PERSONALIDADES MANA. Jung ilustrou o processo de renascimento através da interpretação da figura de Khidr do misticismo islâmico (CW 9i, parág. 240 e segs.). Diz ele que tais contos nos fascinam porque tanto expressam o arquétipo da transformação como fornecem um paralelo para nossos próprios processos inconscientes.