RELAÇÕES OBJETAIS

Teoria desenvolvida na psicanálise para se compreender a atividade psicológica a partir do relacionamento humano com “objetos” (isto é, uma entidade que atrai a atenção e/ou satisfaz a uma necessidade, e não uma “coisa”). Pode-se contrastar isso com teorias baseadas em impulsos instintivos que teóricos das relações objetais consideram mecanicistas.

Muito embora não empregasse o temo, a abordagem de Jung faz uso implícito das relações objetais. A opinião de Jung sobre a PSIQUE é caracterizada por (a) ênfase em relações entre vários componentes da psique; (b) relações entre aqueles componentes e o mundo externo; e (c) uma elaboração das implicações da tendência da psique em fragmentar-se, dividir-se, dissociar-se, personificar-se, e assim por diante (ver DISSOCIAÇÃO; PERSONIFICAÇÃO). Portanto, há um paralelismo com o conceito psicanalítico de objetos parciais. Estes são tratados pelo sujeito exclusivamente como instâncias para a satisfação de necessidade. O equivalente do conceito psicanalítico do objeto total pode ser encontrado na especulação de Jung sobre a conjunção de opostos (CONIUNCTIO; OPOSTOS). As descrições que Jung fez de certos processos psicológicos dão semelhanças entre sua perspectiva e a de teóricos das relações objetais. Por exemplo, Jung descreve a origem da divisão do objeto no bebê, ao apresentar a GRANDE MÃE como invariavelmente possuindo dois aspectos contrários. Ver ARQUÉTIPO; PARTICIPATION MYSTIQUE; IDENTIDADE; POSIÇÃO DEPRESSIVA; POSIÇÃO ESQUIZOPARANÓIDE.

Embora a teoria das relações objetais não possua um equivalente explicito do SELF, sugeriu-se que este conceito é implícito ou que uma tal idéia é compatível com relações objetais (Sutherland, 1980). Por outro lado, Kohut argumentou que a abordagem de relações objetais e a da psicologia do self são incompatíveis (Tolpin, 1980). Isto por que a primeira é como se tivesse sido construída por um observador afastado; de longe da experiência. A segunda, por outro lado, é próxima ou compatível com a experiência, derivada da empatia e respeita o fato de que, embora possamos falar de uma pessoa em termos de seus objetos internos e externos, isso não é o que ela própria experimenta. Esse debate psicanalítico não teve um equivalente na PSICOLOGIA ANALÍTICA (ver NARCISISMO; SELF).