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PERÍODO
INFANTIL (ANTERIOR À FALA ) |
A reserva de Jung em reunir suas idéias sobre a tenra infância e a infância pode haver-se originado em uma relutância em se introduzir em áreas teóricas demarcadas por Freud como próprias dele. O interesse declarado de Jung era pela segunda metade da vida. Também estava preocupado com equilibrar as abordagens redutiva e sintética (ver MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO). Não obstante, pode-se discernir uma abordagem coerente. As opiniões de Jung giram em trono de uma questão central: devemos ver uma criancinha como uma extensão da psicologia de seus pais e sujeita à influência deles, ou mais como um ser reconhecível, desde o começo possuindo sua própria personalidade e organização intrafísica? Vez ou outra Jung se contradiz a este respeito, porém a vantagem de sua vacilação está em que a tensão entre o que parece ser figuras de genitor “reais”, por um lado, e imagens construídas a partir da interação do ARQUÉTIPO e da experiência, pelo outro, fica realçada. Isso porque, se por um lado não se contesta que o caráter e a experiência de vida dos pais serão importantes para a criança em desenvolvimento, por outro lado, os pais também “não são os ‘pais’ absolutamente, mas apenas imagos deles: representações que emergiam da conjunção de peculiaridades de genitor com a disposição individual da criança” (CW 5, parág. 505). Ver IMAGO. A implicação desse aspecto para a ANÁLISE é que todos os eventos da tenra infância, internos e externos, podem ser considerados “reais”, sem a preocupação indevida de saber se o material é fatual (ver REALIDADE PSÍQUICA). Jung estava entre os primeiros a decifrar a importância primordial do relacionamento entre bebê e mãe em termos hoje reconhecíveis. Deve-se comparar isso com a insistência de Freud em que era o triângulo edipiano que mais impunha sua aura e suas vicissitudes sobre posteriores padrões de relacionamento. Jung escreveu em 1927: “O relacionamento mãe-filho é certamente o mais profundo e mais marcante que conhecemos... é a experiência absoluta de nossa espécie, uma verdade orgânica... Há uma inerente...(uma) extraordinária intensidade de relacionamento que instintivamente impele a criança a agarrar-se a sua mãe” (CW 8, parág. 723). Jung sublinhou três aspectos da relação da criança com a mãe. São eles: primeiro, que ao longo de todo processo de maturação haverá uma REGRESSÃO para ela ou para sua IMAGEM; segundo, que a separação da mãe é uma luta (ver HERÓI); terceiro, que a nutrição é de primordial importância (ver RELAÇÕES OBJETAIS). Considerando a psicopatologia do relacionamento mãe-bebê, Jung descreve o resultado das expectativas arquetípicas não satisfeitas. Se a experiência pessoal não satisfaz à expectativa, então o bebê é obrigado a tentar conseguir uma conexão direta com a estrutura arquetípica que subjaz à expectativa, tentar viver na base de uma imagem arquetípica exclusivamente. A PATOLOGIA também resulta de uma confirmação, pela experiência, de somente um pólo das possibilidades negativa/positiva. Portanto, se experiências ruins predominam sobre boas na tenra infância, o pólo da “mãe má” da gama de expectativas é ativado, é não há compensação. De modo semelhante, uma imagem idealizada do relacionamento mãe-bebê pode conduzir apenas à extremidade “boa” do espectro a ser vivenciado, e o indivíduo jamais se harmonizará com os desapontamentos e as realidades da vida (ver POSIÇÃO ESQUIZOPARANÓIDE). No que concerne ao pai, aparecem
na obra de Jung os seguintes temas: A CENA PRIMÁRIA também pode ser examinada combinando-se o empírico com o simbólico. Aquilo que a criança internaliza do casamento de seus pais e da atitude deles um para com o outro afetará suas experiências posteriores em relacionamentos adultos. Porém, do ponto de vista simbólico, a imagem que ela desenvolve do casamento de seus pais também é uma representação da situação de seu próprio mundo interno – os pais representando tendências opostas ou conflituosas dela própria (ver OPOSTOS; SÍMBOLO). As idéias de Jung sobre a INDIVIDUAÇÃO foram aplicadas à tenra infância, fortalecendo a opinião de que a individuação seria um processo ao longo de toda a vida (Fordham, 1969, 1976). Pelo final do segundo ano, todos os ingredientes essenciais lá estão: opostos, tais como imagens boas e más da mãe, foram reunidos; símbolos estão sendo usados na atividade lúdica; os rudimentos da MORALIDADE estão em ação; a criança diferenciou-se dos outros (ver POSIÇÃO DEPRESSIVA). O conceito de COMPLEXO vincula os eventos da tenra infância e da infância à vida adulta. Na análise, imagens de bebês ou crianças podem ser assumidas como referências à emergência de potenciais ate então inconscientes (ver INICIAÇÃO). |