NUMINOSO

Em 1937 Jung escreveu sobre o numinoso* como

uma instância ou efeito dinâmicos não causados por um ato arbitrário da vontade. Pelo contrário, ele arrebata e controla o sujeito humano, que é sempre antes sua vítima que seu criador. O numinoso – indiferentemente quanto a que causa possa ter – é uma experiência do sujeito independentemente de sua vontade. ... O numinoso é tanto uma qualidade pertinente a um objeto visível como a influência de uma presença invisível que causa uma peculiar alteração da CONSCIÊNCIA (CW 11, parág. 6).

Desafia explicações, porém parece conter uma mensagem individual que, embora misteriosa e enigmática, também é profundamente impressionante.

Jung percebia que a crença, consciente ou inconsciente, isto é, uma disponibilidade prévia para confiar em um poder transcendente, era uma condição prévia para a experiência do numinoso. O numinoso não pode ser conquistado; o indivduo pode somente abrir-se para ele. Porém, uma experiência do numinoso é mais que uma experiência de uma força tremenda e compulsiva; é um confronto com uma força que encerra um SIGNIFICADO ainda não revelado, atrativo e profético ou fatídico.

Esta definição era compatível com aquela dada por Otto em The Idea of the Holy (1917) e Jung via o encontro com numinoso como uma característica de toda experiência religiosa. A numinosidade é um aspecto de uma IMAGEM DE DEUS supra-ordenada, quer pessoal quer COLETIVA. Investigações de experiências religiosas convenceram-no de que, em tais ocasiões, conteúdos previamente INCONSCIENTES rompem as barreiras do EGO e dominam a personalidade consciente da mesma maneira como o fazem as invasões do inconsciente em situações patológicas. Contudo, uma experiência do numinoso não é de hábito psicopatológica. Diante de relatos de encontros individuais como o “divino”, a ele apresentados, Jung sustentava que necessariamente não encontrava prova da existência de Deus; porém, em todos os casos, as experiências eram de uma profundidade tal que meras descrições não poderiam dar conta de seus efeitos.

A psicologia humanista contemporânea fala de tais acontecimentos impressivos como “experiências máximas”.

Ver ESPÍRITO; RELIGIÃO; VISÃO.

* Numinosum, em sua forma latina, no original inglês. [N. do T.]