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MITO |
As investigações, por Jung, dos conteúdos dos SONHOS bem como das alucinações de seus pacientes psicóticos levaram-no à conclusão de que existem inúmeras interconexões psíquicas para as quais, dizia, só poderia encontrar paralelos na mitologia. Excluindo ASSOCIAÇÕES prévias da parte de seus pacientes ou qualquer tipo de “conhecimento esquecido” de tais conexões, percebia que se lhe apresentavam elementos separados de quaisquer influências conscientes. Conseqüentemente, chegou à conclusão de que as condições prévias para a formação de mito podem estar presentes na estrutura da própria PSIQUE. Sua hipótese era a da existência de um INCONSCIENTE coletivo ou reservatório de estruturas, experiências e temas arquetípicos. Os mitos são histórias de encontros arquetípicos. Como o conto de fadas é análogo às atividades do COMPLEXO pessoal, o mito é uma METÁFORA para atividades do ARQUÉTIPO per se. Como seus ancestrais, concluía Jung, o homem moderno é um fazedor de mitos; ele reencena dramas antiqüíssimos baseados em temas arquetípicos e, através de sua capacidade de CONSCIÊNCIA, pode se libertar de sua influência compulsiva. Em uma seqüência de mitos, os mais primitivos dos deuses e deusas são representantes de um projeto básico que se desdobra ou é diferenciado nas histórias de seus descendentes. Contos míticos ilustram o que acontece quando um arquétipo tem a rédea livre e não existe intervenção consciente da parte do homem. Contrastando com isso, a individualidade consiste no confronto e diálogo com tais poderes fatídicos, reconhecendo sua força primeva, mas sem submissão a ela. A psicologia moderna, concluía Jung, deve tratar os produtos da fantasia inconsciente, inclusive motivos mitológicos, como afirmações da psique sobre si mesma. Não inventamos mitos; nós os experimentamos. “Os mitos são revelações originais da psique pré-consciente, afirmações involuntárias sobre acontecimentos psíquicos” (CW 9i, parág. 261). Por exemplo, Jung escreveu que eles não representam, mas, antes, eram a vida psíquica dos PRIMITIVOS. Quando tais motivos brotam durante uma ANÁLISE, comportam significado vital. O analista não deveria supor que eles simplesmente correspondem a certos elementos COLETIVOS, mas estar cônscio de que, em todas as situações, esses elementos são reativados na ALMA de uma pessoa atual. Não só o comportamento do inconsciente de fato se assemelha às atividades do mito, mas nós mesmos participamos do “mito vivo e vivido”. A PATOLOGIA está refletida no mito, enquanto que a consciência tem a oportunidade de estender ou intensificar temas míticos. Daí, a opinião de Jung sobre a mitologia se achar em contraste direto com a de Freud e tocar na discussão sobre a REGRESSÃO. A regressão, que sempre envolve um comportamento arquetípico, pode ser considerada não somente como uma tentativa de evitar a realidade, mas também como um busca de novos mitologemas com que reconstruir a realidade. Ademais, Jung percebia que os analistas abusam de motivos mitológicos se os ligam apenas a rótulos para determinados padrões de comportamento psíquico, antes de vê-los como símbolos dinamicamente ativadores e facultadores da descoberta de novas possibilidades (ver INCESTO; SÍMBOLO). Também existe o perigo de tomar o mito literalmente. O mito é análogo a certos aspectos da experiência pessoal, mas não pode ser visto como um substituto sem uma conseqüente INFLAÇÃO. Fornece uma perspectiva metafórica; porém não é uma explicação nem um presságio a cumprir. É uma imagem não pessoal que provê um espaço psíquico para a expressão individual. Ver MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO. |