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MÉTODOS
REDUTIVO |
Jung questionava a operação efetiva da causalidade e do determinismo na psicologia humana. A psicologia de um indivíduo jamais poderá ser exaustivamente explicada apenas a partir de si mesmo... Nenhum fato psicológico jamais poderá ser explicado em termos de causalidade exclusivamente; como um fenômeno vivo, está sempre em estreita e indissolúvel ligação com a continuidade do processo vital, de modo que não é somente algo evoluído, mas também continuamente evolutivo e criativo (CW 6, parág. 717). Jung usava a palavra “redutivo” para descrever o aspecto central do método, de Freud, de tentar revelar as bases ou raízes primitivas, instintivas, infantis, da motivação psicológica. Jung apresenta-se crítico do método redutivo porque o SIGNIFICADO pleno do produto inconsciente (sintoma, SONHO, IMAGEM, lapso da fala) não é desvendado. Ligando um produto inconsciente ao passado, seu valor presente para o indivíduo pode se perder. Uma outra objeção é a tendência em supersimplificar através da redução, omitindo o que ele via como implicações mais profundas. Particularmente, interpretações redutivas podem ser expressas em termos excessivamente personalistas, ligados com demasiada proximidade aos supostos “fatos do caso”. Jung estava mais interessado em indagar para onde a vida de uma pessoa a estava conduzindo, mais que nas supostas causas de sua situação. Sua opção era um PONTO DE VISTA TELEOLÓGICO. Jung descrevia essa orientação como “sintética”, com a implicação de que aquilo que emergia do ponto de partida é que tinha uma significação primária. Desenvolvendo esta idéia, argumentava que aquilo que um paciente contasse ao analista não deveria ser considerado historicamente verdadeiro, mas sim subjetivamente (ver REALIDADE PSÍQUICA). Portanto, relatos de ataque sexual ou de eventos que se alega terem sido testemunhados eram, com muita possibilidade, fantasias, não obstante psicologicamente “verdadeiras” para as pessoas envolvidas (ver FANTASIA). Jung apontava que o método sintético é admitido na vida cotidiana quando tendemos a desconsiderar o fator estritamente causal. Por exemplo, se um homem tem uma opinião e a expressa, queremos saber o que ele quer dizer, onde está querendo chegar. O uso do método sintético envolve fenômenos psicológicos consideráveis como se tivessem intenção e propósito – isto é, em termos de orientação para um objetivo ou teleológica. O INCONSCIENTE é concebido como possuidor de um tipo de conhecimento ou, até mesmo, pré-conhecimento (CW 8, parág.175). Tal metodologia era compatível com o ponto de vista básico dos OPOSTOS, de Jung, que, contudo amplamente separados, tendem constantemente para a síntese ou a procuram (ver CONIUNCTIO). É preciso enfatizar que Jung jamais fugia da análise do período infantil anterior à fala e da infância como tal – considerava-a essencial em alguns casos, embora limitada em termos de alcance (CW 16, parágs. 140-8). Abordagens redutivas e sintéticas também podem coexistir. Por exemplo, a fantasia pode ser interpretada redutivamente como um encistamento de uma situação pessoal, o resultado de eventos antecedentes. Também pode ser interpretada de um ponto de vista simbólico e sintético, como esboço de uma linha de desenvolvimento psicológico futuro (CW 6, parág, 720). Ver SÍMBOLO. Jung não é de todo justo para com o ponto de vista redutivo, que exige algo mais que a mentalidade de um arquivista. Não é simplesmente uma questão de reconstruir os eventos da tenra infância, mas de usar a imaginação para refletir sobre a importância de tais eventos. Ocasionalmente, os próprios psicólogos analíticos são culpados por usarem arquétipos e complexos de maneira cruamente redutiva. A crítica a Jung é compartilhada por diversos psicanalistas contemporâneos (Rycroft, 1968; Schafer, 1976). A causalidade, como um princípio de explicação na psicologia, está aberta para debate. |