LOGOS

Palavra grega definida como “palavra” ou “razão”. O termo, usado tanto na antigüidade pagã como na judaica, também aparece em escritos dos primitivos cristãos. Heráclito concebia “o Logos” como razão universal governando o mundo, e é neste sentido que Jung parece havê-lo adotado e aplicado. É importante ter em mente, porém, que era referido como um princípio e não possui o status de uma IMAGEM DE DEUS nem é uma metáfora arquetípica (ver ARQUÉTIPO). Logos é “razão essencial”, a idéia transcendente que encontra expressão nas vidas individuais. Portanto, toda pessoa tem seu próprio Logos que, em última análise, a liga com o significado (ver INDIVIDUAÇÃO).

Como um princípio, Jung falava do Logos como espírito, não-matéria, e lhe atribuía masculinidade. Usava as palavras julgamento, discriminação e discernimento (insight) como sinônimos de Logos, diferenciando-o daquilo que ele via como o correspondente princípio feminino de Eros, para o qual usava palavras tais como amor, intimidade, e estar-ligado. Logos e Eros são apresentados como OPOSTOS e, uma vez que, de acordo com a lei da ENANTIODROMIA, uma superdependência de um princípio constela seu oposto, o homem rigidamente defensivo em uma posição de Logos é assediado pelo princípio psíquico correspondente ativado em seu inconsciente por imagens da anima (ver ANIMA E ANIMUS; COMPENSAÇÃO). Logos inclui a idéia de universalidade, de impregnação espiritual, de claridade e racionalidade. Portanto, pode ser identificado com o animus. Tudo isso está em contraste com as qualidades cheias de sentimento pessoal e atormentadoras da anima. No entanto mobilizam o comportamento humano (ver PSICOPOMPO).

Jung admitira que o Logos, como Eros, era um conceito que nem poderia ser definido com precisão nem ser observado empiricamente. De um ponto de vista científico, achava isso lastimável, porém, de um ponto de vista prático, a conceitualização de um campo de experiência era essencial. Teria preferido, dizia ele, usar nomes para as imagens de Logos e Eros, nomes como Sol e Luna,* que os alquimistas usavam, daí personificando essas abstrações. Mas o uso de imagens, admitia ele, requer uma FANTASIA atenta e viva e nem sempre é adequado para aqueles que precisam intelectualizar. A IMAGEM é mais plena, porém não é apreensível exclusivamente pela mente. “Conceitos”, escreveu ele a este respeito, “são valores cunhados e negociáveis; imagens são vida” (CW 14, parág. 226).

Para aqueles que encontram no Logos (e em Eros) algo por demais definido e puramente conceitualizado, pode ser útil abordá-los como termos que resumem aspectos das imagens vivas. Sendo masculino, na definição de Jung, Logos ficou culturalmente vinculado a homem, marido, irmão, filho e pai. Jung via o pai exercendo uma influência natural e muitas vezes inconsciente sobre a mente e o espírito de sua filha em particular. Isso às vezes aumentava a confiança dela na racionalidade até um grau patológico, percebia ele, e tanto ele mesmo como sua esposa (1957) descreveram essa condição como “POSSESSÃO pelo animus”.

Jung fez determinadas observações convincentes sobre o que acontece quando o Logos predomina coletivamente (ver COLETIVO). Era sua opinião que o princípio paterno, Logos, luta por se desembaraçar do calor e da escuridão primevos do útero. Porém, o espírito que ousa isto sofre inevitavelmente a desvantagem de uma excessiva ênfase na CONSCIÊNCIA patriarcal. Nada, porém, pode existir sem seu oposto, e, portanto, a consciência é incapaz de existir sem a inconsciência, assim como o Logos sem sua contraparte compensatória, Eros. Suas observações foram usadas tanto por defensores de uma posição patriarcal como por advogados da liberação da mulher.

Em outro ponto Jung define Logos como “o poder dinâmico de pensamentos e palavras” (CW 9ii, parág. 293). Examinado dessa maneira e sem considerar noções de complementaridade masculina e feminina, talvez seja mais fácil de conceitualizar. Jung advertia que há perigo de superestimar aquilo que permite a criação e subestimar a própria criação. Nisso via ele os problemas de uma Idade da Razão.

Ver SIZÍGIA.

* Sol e Lua. [N. do T.]