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INTERPRETAÇÃO |
O ato de tornar claro em uma língua aquilo que foi expresso em uma outra. Todos os tradutores conhecem as dificuldades de interpretar as sutilezas e nuances de uma outra língua, expressiva como é de uma outra cultura, seu modo de vida, seus valores, seu sentido de tempo e ritmo. É ainda mais difícil quando um intérprete tenta traduzir uma forma de expressão psicológica cuja origem, significado e intenção são obscuros. Contudo, é isso que os médicos, psiquiatras, analistas e outros psicoterapeutas procuram fazer: pois SONHOS, VISÕES e FANTASIAS são METÁFORAS indistintas. Expressos em linguagem simbólica, comunicam-se por meio de imagens (ver IMAGEM; SÍMBOLO). Os comentários diretos de Jung sobre as técnicas de interpretação são muito poucos, muito embora a maior parte de sua obra fosse interpretativa. Em uma referência específica a seu método de interpretação de sonhos, ocorrem os seguintes tópicos: (1) A interpretação deveria trazer algo novo para a consciência e nem reiterar nem moralizar. Somente quando se revela um conteúdo não usual, inesperado ou estranho é que realmente uma interpretação faz jus à intenção psicológica compensatória do processo onírico ( ver COMPENSAÇÃO). (2) As interpretações devem levar em conta o contexto pessoal da vida do sonhador e sua experiência psicobiográfica. Estes, bem como a influência de seu meio social (às vezes dito como consciência coletiva), são discerníveis pelo processo de ASSOCIAÇÃO (ver COLETIVO). (3) Do mesmo modo, sempre que relevante, o conteúdo simbólico de um sonho é amplificado por comparações com motivos culturais, históricos e mitológicos. Estas ampliam o contexto pessoal do sonho e o ligam ao “inconsciente coletivo”. Fazer tais comparações envolve o diligente trabalho de AMPLIFICAÇÃO ( ver CONTOS DE FADAS; MITO; INCONSCIENTE). (4) Os intérpretes são advertidos a “se aterem à imagem onírica”, ficarem tão próximos quanto possível daquilo que foi sonhado. A associação e a amplificação são vistas como modos de tornar a imagem original vívida, disponível e significativa. Não obstante, a imagem onírica pertence ao próprio sonhador e deve ser reportada à sua própria vida psicológica. (5) O teste decisivo de uma interpretação é saber se ela “funciona”, isto é, possibilita uma mudança na atitude da CONSCIÊNCIA mantida pelo sonhador. Em seminários sobre sonhos (1928-30, pub. em 1984), Jung falava da interpretação em dois níveis que chamava de subjetivo e objetivo. Os termos são confusos. O que ele queria dizer com “subjetivo” era “em profundidade” ou ao nível da mudança intrapsíquica na pessoa. Seu uso da palavra “objetivo” sugere um nível superficial e era aplicada ao mundo real de acontecimentos reais que uma pessoa habita e que a afeta. Jung asseverava que a maioria dos sonhos poderia ser interpretada a qualquer nível, embora alguns falem claramente de um ou do outro nível especificamente. O paciente precisa saber como se relacionar com um conteúdo simbólico, porém não tem muita utilidade que conheça a terminologia e não se pode esperar que siga a linha de conduta teórica do psicoterapeuta. O terapeuta precisa interpretar o material psicologicamente a fim de analisar fenômenos psíquicos e arquetípicos. Contudo, se ele se desloca demasiadamente rápido na articulação de interpretações em profundidade, corre o risco de ignorar seu próprio processo. Atraído pela numinosidade de figuras arquetípicas ou impressionado com a perícia do terapeuta, o paciente é tentado a explicar e não a levar a sério a necessidade de integrar conteúdos inconscientes (ver item 5, acima). Sua própria compreensão das imagens pode permanecer puramente intelectual e sem relevância pessoal ou psicológica. Nenhum relacionamento dialético é estabelecido entre ele e seus próprios processos internos. Propiciar e manter tal relacionamento dialético são a função da interpretação. |