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INSTINTO DE MORTE |
Em Além do Princípio de Prazer (1920), Freud propôs que os instintos poderiam ser divididos em dois grupos amplos: o instinto de vida e o instinto de morte (ver INSTINTO DE VIDA). A primeira categoria incluía os instintos de autopreservação (fome e agressividade) e os instintos sexuais. Em formulações anteriores de Freud, porém, estas duas categorias haviam sido opostas. O instinto de morte exemplificava o caráter conservativo e regressivo do instinto em geral – isto é, a tendência do instinto em procurar descarga e, daí, reduzir a excitação ao nível zero. Isso assume a forma de regressão a níveis cada vez mais simples e arcaicos e, em última análise, conduz a um estado inorgânico; o que significa que o instinto “de morte” prevaleceu. Klein avançou com essas especulações de Freud, sugerindo que a própria agressividade é exteriorização do instinto de morte. Porém, a psicanálise como um todo não enfatizou essas idéias de Freud. Jung, também, punha em dúvida essa noção, comentado sua natureza dúbia e afirmando que a formulação de Freud de sua teoria deve ter refletido uma insatisfação com a unilateralidade da teoria da libido (ver ENERGIA). Não obstante, existem aspectos na própria obra de Jung que, reunidos, sugerem que conceitos análogos ao instinto de morte têm um lugar na PSICOLOGIA ANALÍTICA. A natureza neutra da energia psíquica significa que ela pode servir a qualquer uso e isso não excluiria o paradoxo da aplicação da energia para uma redução da tensão energética. Pode-se demonstrar a tese, com maior clareza, na divisão, na psique humana, entre suas tendências progressivas e regressivas. Jung via na REGRESSÃO uma tentativa de recarregar ou regenerar a personalidade através do encontro e fusão com uma IMAGO de genitor ou uma IMAGEM DE DEUS, passando então a operar em linha com o SELF (ver INCESTO). Isso acarreta inevitavelmente uma dissolução (ou “morte”) do EGO em sua antiga forma, com conseqüente redução nas tensões e excitações do modo de vida anterior. Pode-se considerar isso, metaforicamente, como uma morte, da qual o potencial do ego re-emerge de forma mais adequada e consciente. Mesmo uma perda provisória de controle do ego é, contudo, perigosa, e apenas depois que a personalidade emerge enriquecida é que a “morte” pode ser considerada como um prelúdio para a TRANSFORMAÇÃO (ver ENANTIODROMIA; INICIAÇÃO; RENASCIMENTO; TOTALIDADE). A fraqueza conceitual de tal argumento é que o instinto de morte é visto meramente de uma perspectiva de servir ao instinto de vida. Porém, os instintos, não importa de que tipo, realmente atuam a serviço do homem; o desprazer que eventualmente possam causar não deveria disfarçar esse fato. O instinto de morte provê à pessoa um quadro delimitador para sua vida; imagens de morte constituem um objetivo para seu desdobramento, e existe uma conexão íntima entre a morte e a criatividade (Gordon, 1978). O instinto de morte é o meio pelo qual um ímpeto para um maior crescimento é incorporado na PSIQUE (ver SIGNIFICADO). Essas observações sobre o instinto de morte foram expressas em termos da personalidade como um todo. Porém não há razão por que não devessem também se aplicar a subseções da personalidade. Em outras palavras, um COMPLEXO individual pode passar pelo processo de morte – RENASCIMENTO. O instinto de morte é experimentado subjetivamente por meio de imagens e estados emocionais – de união, flutuante e oceânico, onírico, de rêverie criativa, de nostalgia. Básico para esta interpretação do instinto de morte é que a REGRESSÃO, benigna e maligna, faz tanto parte da vida como o crescimento e o progresso. A morte, como um fato psíquico, portanto, ocupa espaços diariamente na vida de um indivíduo e não apenas perto de seu final. A repressão desse fato pode se dar em qualquer momento da existência (ver ESTÁGIOS DA VIDA). |