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IMAGINAÇÃO ATIVA |
Jung usou o termo em 1935 para descrever o processo de sonhar com olhos abertos (CW 6, parág. 723n). De saída, o indivíduo concentra-se em um ponto específico, uma disposição, quadro ou eventos específicos; em seguida, permite que uma cadeia de FANTASIAS associadas se desenvolvam e gradativamente assumam um caráter dramático. Depois as imagens ganham vida própria e desenvolvem-se de acordo com uma lógica própria. A dúvida consciente deve ser superada e conseqüentemente que haja permissão para que qualquer coisa incida na consciência. Psicologicamente, isso cria uma nova situação. Conteúdos anteriormente isolados tornam-se mais ou menos claros e articulados. Uma vez suscitado o sentimento, o EGO consciente é estimulado para reagir mais imediata e diretamente que no caso verificado com os SONHOS. Por esse meio, Jung percebia que a maturação era acelerada em virtude das imagens que se apresentam na imaginação ativa anteciparem os sonhos. Deve-se contrastar uma imaginação ativa com o devaneio, que é mais ou menos parte da própria intervenção do indivíduo e se mantém na superfície da experiência pessoal e cotidiana. A imaginação ativa é o oposto de invenção consciente. O drama que é encenado parece “querer compelir à participação do observador. Uma nova situação é criada e nela os conteúdos INCONSCIENTES surgem no estado de vigília” (CW 14, parág. 706). Jung encontrava nisso uma evidência da FUNÇÃO TRANSCENDENTE operando; isto é, uma colaboração entre fatores conscientes e inconscientes. Pode-se escolher um modo de lidar, dentre vários, com aquilo que se torna manifesto. O processo da imaginação ativa pode, ele próprio, ter um efeito positivo e vitalizante, porém o conteúdo (como de um sonho) também pode ser pintado (ver PINTURA). Os pacientes podem ser motivados a anotar suas fantasias a fim de fixar a seqüência em que ocorreram e tais registros podem, subseqüentemente, ser levados à ANÁLISE para a INTERPRETAÇÃO. Jung, contudo, sustentava que a IMAGEM de fantasia tem tudo de que necessita para seu desenvolvimento e transformação subseqüentes na vida psíquica. Enquanto imaginando ativamente, advertia contra se ter um contato exterior, comparando isso com o processo alquímico e sua necessidade de um “recipiente hermeticamente vedado” (ver ALQUIMIA). Não recomendava que imaginação ativa fosse usada indiscriminadamente ou por qualquer um, achando-a mais útil nos últimos estágios da análise, quando a objetivação das imagens pode substituir os sonhos. Tais fantasias solicitam a cooperação da vida consciente. A imaginação ativa pode estimular a cura de uma NEUROSE, porém só consegue êxito se está integrada e não se torna ou um substituto das tarefas do viver consciente ou uma fuga delas. Em contraste com os sonhos, que são experimentados passivamente, esse processo da imaginação requer a participação ativa e criativa do EGO (ver Weaver, 1964; Watkins, 1976; Jaffé, 1979). Esse método de elevar à consciência aqueles conteúdos que jazem imediatamente abaixo do limiar do inconsciente não está destituído de seus riscos psicológicos (ver ABAISSEMENT DU NIVEAU MENTAL). Entre esses, Jung focalizava principalmente três: (1) que esse processo pode se mostrar estéril caso o paciente permaneça preso no círculo de seus próprios complexos; (2) que o paciente fica iludido com o aparecimento das fantasias e ignora a exigência destas para um confronto; e (3) que os conteúdos inconscientes possuem um nível de ENERGIA de tal modo alto que, quando conseguem uma saída, tomam posse da personalidade (ver INFLAÇÃO; POSSESSÃO). |