IMAGEM DE DEUS

Em termos psicológicos, Jung postulava a realidade de uma imagem de Deus como um SÍMBOLO unificador e transcendente capaz de reunir fragmentos psíquicos heterogêneos ou unir OPOSTOS polarizados. Como qualquer IMAGEM, é um produto psíquico distinto do objeto que ela tenta representar e para o qual aponta. A imagem de Deus aponta para uma realidade que transcende a CONSCIÊNCIA, é extraordinariamente numinosa (ver NUMINOSO), obriga à atenção, atrai ENERGIA e é análoga a uma idéia que, de forma semelhante, se impôs à humanidade em todas as partes do mundo e em todas as eras. Como tal, é uma imagem de totalidade e “como valor máximo e dominante supremo na hierarquia psíquica, a imagem Deus está imediatamente relacionada com o SELF ou é idêntica a ele” (CW 9ii, parág. 170). Entretanto, sendo uma imagem de totalidade, a imagem de Deus possui dois lados: um bom, o outro, MAL.

Esclarecendo e diferenciando Deus e a imagem de Deus, Jung escreveu:

É por causa da constante indiscriminação entre objeto e imago que as pessoas não conseguem fazer uma distinção conceitual entre “Deus” e “imagem de Deus”, e portanto pensam que, quando se fala de “imagem de Deus”, está se falando de Deus e apresentando explicações “teológicas”. Não cabe à psicologia, como uma ciência, exigir uma hipostatização da imagem de Deus. Porém sendo os fatos como são, tem de contar com a existência de imagem de Deus... a imagem de Deus corresponde a um COMPLEXO definido de fatos psicológicos, sendo, assim, uma quantidade com que podemos operar; mas o que Deus é em si mesmo permanece uma questão fora da competência de toda a psicologia (CW 8, parág. 528).

Do ponto de vista psicoterapêutico, a imagem de Deus funciona como uma igreja interior, por assim dizer; como um continente psíquico, um quadro de referência, um sistema e arbítrio moral. Jung aceitava como uma imagem de Deus tudo quanto o indivíduo alegava experimentar como Deus, aquilo que representava o valor máximo para uma pessoa, quer expresso consciente quer inconscientemente, e motivos religiosos típicos que reocorriam periodicamente na história das idéias, dogma, MITO, RITUAL e arte.

Ver RELIGIÃO.