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HERÓI |
Um motivo mitológico que corresponde ao SELF inconsciente do homem; de acordo com Jung, “um ser quase-humano que simboliza as idéias, formas e forças que moldam ou dominam a ALMA” (CW 5, parág. 259). Ver MITO. A imagem do herói incorpora as mais poderosas aspirações e revela a maneira pela qual são idealmente compreendidas e realizadas. O herói é um ser transitório, uma PERSONALIDADE MANA. Sua forma humana mais aproximada é o sacerdote. Numa visão intrapsíquica, ele representa a VONTADE e capacidade de procurar e suportar repetidas transformações em busca de TOTALIDADE ou SIGNIFICADO. Portanto, às vezes parece ser o EGO; outras vezes, o self. É o EIXO EGO-SELF personificado. A totalidade de um herói implica não somente a capacidade de resistir, mas também sustentar conscientemente a tremenda tensão dos OPOSTOS. De acordo com Jung, isso se consegue sob o risco de REGRESSÃO e intencionalidade expondo-se ao perigo de ser “devorado pelo monstro materno”, não uma só vez, mas muitas vezes, um processo da vida inteira que se inicia na terra infância. O monstro materno era identificado por Jung como a psique COLETIVA. Discutindo o motivo do herói, Jung enfatizava sempre os perigos. Uma figura de tal magnitude não pode ser integrada em sua plenitude, porém exige um delineamento analítico mais cuidadoso e uma DIFERENCIAÇÃO (ver ANÁLISE). O valor da imagem está em seu funcionamento intrapsíquico. É fácil ver o absurdo da IDENTIFICAÇÃO com a IMAGEM do herói, porém, quando este ARQUÉTIPO se constela, humor e senso de proporção faltam com freqüência. Ocorre então uma caça à imagem do herói, feita com a maior seriedade, dando-se precedência à meta e não à jornada, o que leva a uma superintelectualização e um esforço artificialmente consciente por objetivos somente exeqüíveis gradativamente e por meio de diálogo com o próprio INCONSCIENTE do indivíduo (ver ANALISTA E PACIENTE; INDIVIDUAÇÃO; SONHOS). Como Jung corretamente previa, um arquétipo com tal apelo coletivo amplamente difundido iria inevitavelmente encontrar uma expressão coletiva e atrair a PROJEÇÃO. Por ser recente como profissão e por causa do dinamismo de seus primeiros intérpretes, a psicologia analítica tinha tido de enfrentar esse problema. Por causa da atração e contágio numinosos, a tendência foi depreciar o motivo, nos últimos anos. |