|
|
|
ETIOLOGIA |
Durante o período de sua colaboração psicanalítica, a busca das causas do distúrbio psicológico levou tanto Freud como Jung á conclusão de que a etiologia da NEUROSE não podia ser buscada exclusivamente no impacto de experiências traumáticas específicas. Por exemplo, Jung acreditava que a atitude pessoal do paciente poderia contribuir. O que é mais importante: ele via que a etiologia não jazia apenas nos efeitos traumáticos produzidos por figuras reais (por exemplo, pais), mas também por projeções de fantasia arquetípicas. A importância relativa destes dois fatores poderia ser verificada analiticamente, e a fascinação de tais imagens compulsivas deiformes tinha de ser levada em conta (ver IMAGEM; IMAGO). Jung sugeria que, sob uma visão psicoterapêutica, existem alguns casos em que a etiologia real do sofrimento neurótico se torna aparente somente no final do tratamento e que existem outros em que a etiologia é relativamente insignificante. Contestava a noção de que toda neurose surge na infância e de que um paciente necessariamente precisa se tornar consciente do fator etiológico para ser curado. Depois de 1912, Jung falou da necessidade de um ponto de vista “finalista” em contraste com o ponto de vista “causal” de Freud (ver MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO). Pesquisa e literatura posteriores, sobretudo sobre o assunto da INDIVIDUAÇÃO, sugerem que a etiologia pode ser de origem diferente da patológica e desempenhar um papel mais positivo no desenvolvimento do indivíduo (ver PONTO DE VISTA TELEOLÓGICO). Afirmava que, na maioria dos casos, a causa básica da neurose está ligada à perda de SIGNIFICADO e da importância de existir. Sandner e Beebe (1982) vêem a neurose originando-se da “tendência da PSIQUE em se dissociar ou fragmentar perante um sofrimento intolerável”. Wheelwright (1982) fala tanto da neurose quanto da psicose como uma “tentativa da natureza de iniciar um crescimento e desenvolvimento”, uma opinião seguida por Perry (1974, 1976) em pesquisas e experimentos psiquiátricos. |