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ESTÁGIOS DA VIDA |
Jung foi reconhecido como precursor do campo de desenvolvimento da psicologia da vida total (às vezes referido como desenvolvimento adulto) (Levinson, 1978). Em seu artigo “The Stages of Life” (“Os Estágios da Vida”), escrito em 1931 (CW 8), Jung enfatizou a transição psicológica que via ocorrente na metade da vida, isto é, na meia-idade. Descreve isso como uma “crise” ou período problemático e ilustra sua tese com material clínico que demonstra as conseqüências de uma falha em antecipar-se e se adaptar às exigências da segunda metade da vida. Jacoby (1965) acompanhou Jung escrevendo sobre duas fases do processo de INDIVIDUAÇÃO como correspondente à primeira e à segunda metade da vida. M. Stein (1985) interessou-se pela transição da meia-idade. De forma ideal, as realizações psicológicas da primeira metade da vida incluem a separação da mãe e desenvolvimento de um EGO forte, o abandono do status de TENRA INFÂNCIA E INFÂNCIA e a aquisição de uma identidade adulta. Tais realizações sugerem a consolidação de uma posição social, relacionamento ou CASAMENTO, paternidade e emprego. Na segunda metade da vida, a tônica se desloca da dimensão interpessoal ou externa para um relacionamento com processos intrapsíquicos. A dependência dos recursos apenas do ego tem de ser substituída pelo relacionamento com o SELF; a luta pelo sucesso externo precisa ser modificada de modo a incluir uma preocupação com o SIGNIFICADO e por valores espirituais. A ênfase de Jung para a segunda metade da vida é sobre a CONSCIÊNCIA de um sentimento de propósito. Na segunda metade da vida, a abordagem da morte se torna uma realidade. Em última análise, o que está envolvido é um grau de auto-aceitação, uma plenitude natural ou florescimento natural, e um sentido de uma vida vivida satisfatoriamente de acordo com o potencial do indivíduo (ver INDIVIDUAÇÃO). Do ponto de vista da estrutura psíquica, isso pode ser expresso como levando à consciência a função de ANIMA E ANIMUS e uma integração da função interior (ver PSIQUE; TIPOLOGIA). Não há dúvidas quanto à precisão genérica da descrição de Jung, mas existe um certo número de problemas com seu esquema: (1) Por que, em uma psicologia que, diferentemente de outras, não se baseia na psicopatologia, a transição da meia-idade é considerada tão traumática e dominada por crises? Quando Rank escreveu sobre o “trauma do nascimento”, Jung absteve-se da idéia sob os fundamentos de que nada universal poderia ser julgado traumático. Pode ser que Jung generalizasse com demasiada liberdade a partir de sua própria experiência pessoal do colapso que se seguiu à separação de Freud quando chegava aos seus quarenta anos de idade (ver PATOLOGIA; PSICANÁLISE). (2) É necessário saber se a realização de objetivos da primeira metade tem sempre por preço uma “diminuição da personalidade” (CW 8, parág. 787). Também nesse caso, como aquilo que é natural pode ser prejudicial? Em todo caso, uma realização social nem sempre é um produto de um desenvolvimento unilateral, embora possa ser (ver NEUROSE). (3) O apego de Jung à teoria dos OPOSTOS torna a divisão um tanto conveniente e rígida. |