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EROS |
O princípio psíquico da capacidade de relacionar-se; às vezes considerado por Jung como subordinado à psicologia da mulher; por ele próprio reconhecido como uma formulação intuitiva impossível de se definir com precisão ou se demonstrar cientificamente. Nessa base, o princípio correspondente operante na psicologia do homem é o LOGOS. Porém Jung, em muitas ocasiões, se refere a Eros e Logos como capazes de coexistirem em um único indivíduo de qualquer sexo. A ambigüidade de Eros, em contraste com a natureza direta de Logos, faz com que o conceito seja difícil de se apreender. Como princípios psicológicos, as interpretações tanto de Eros como de Logos estiveram sujeitas a uma ampla variação. A ardilosa equação de Eros com “sentimento” contaminou a PSICOLOGIA ANALÍTICA durante anos e anos (ver TIPOLOGIA). Ele não pode ser avaliado em termos quantitativos; nem demarca definidamente uma extremidade de um espectro de OPOSTOS, uma vez que pode ser manifestado ou de formas positivas ou negativas. Guggenbühl-Craig (1980) fala sobre ele como um atributo que torna tanto DEUSES como humanos amorosos, criativos e envolvidos. Há que se reconhecê-lo como um poder INCONSCIENTE cuja força cresce em proporção ao grau em que permanece inconsciente. Jung acreditava que a necessidade que tem uma mulher de um estado de relacionamento ou ligação psíquicos caracterizava e excedia a sua necessidade de um relacionamento puramente sexual; embora advertisse que isso não devia ser aplicado de forma absoluta, tinha sempre o cuidado de dar uma atenção analítica contínua a como e onde se aplicava o princípio. Quando escrevia sobre isso, como sempre quando se voltava para questões controvertidas e públicas, ficava difícil determinar em que grau falava como psicólogo ou como pessoa. Entretanto, concluiu que Eros não deve ser considerado sinônimo de sexo, porém não pode estar divorciado do sexo e “participa” do ou como um aspecto do sexo, lado a lado com todas as outras atividades conjugais ou de grupo de natureza psíquica: humanas, estéticas e espirituais. Freud afirmava a existência de dois instintos básicos: o INSTINTO DE VIDA, que identificava como Eros, e o INSTINTO DE MORTE. Atribuía ao primeiro o estabelecimento e a preservação de relacionamentos fundamentais e, ao segundo, a anulação e destruição daquelas ligações. Jung dava atenção considerável à refutação de tal oposição. “Logicamente, o oposto de amor é o ódio”, escreveu ele, “e de Eros, Phobos (medo); porém, psicologicamente, é a vontade de poder” (CW 7, parág. 78). Esse argumento, que figurava nas interpretações de Jung da obra tanto Freud como de Adler, é útil para a compreensão do seu próprio uso de Eros como um princípio, pois continuava a afirmar que o Eros inconsciente inevitavelmente encontra expressão em um impulso de poder. Com a suposição de que a mulher possuída pelo animus nega ou está sem contato com Eros, pode-se compreender que as ações dela não são tão “lógicas” quanto voltadas para o poder (ver ANIMA E ANIMUS, POSSESSÃO). Quando Logos é considerado como “razão eterna”, a substituição da razão pessoal pode ser reconhecida como poder. Houve poucas observações clínicas do princípio de Eros em mulheres e do princípio correspondente de Logos em homens e, portanto, verificou-se uma escassa investigação ou ampliação da teoria. A afirmação social das mulheres de hoje, com correspondentes mudanças no comportamento sexual, e definição de papéis sexuais, fez com que mulheres analistas reinvestigassem fontes primárias de imagens femininas numa tentativa de refletir ou verificar como uma mulher moderna escapa à sua tendência de Eros ou a manifesta, de modos novos e criativos. Hoje em dia a atenção começa a ser focalizada mais explicitamente em relacionamentos de pai-filha e nos cinco estágios da expressão de Eros, de Jung: biológico, sexual, estético, espiritual e em forma de sabedoria (sapientia). |