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CURA |
Em geral aceita como significando a transformação da doença em saúde. Jung referia-se ao difundido preconceito de que a ANÁLISE provê alguma coisa parecida com uma cura e de que, uma vez terminada, uma pessoa pode esperar estar objetivamente “curada”. Porém, dizia, não é este o caso; pois é improvável que possa algum dia existir uma forma de PSICOTERAPIA que efetuará a “cura”. Jung dizia ainda que está na natureza da vida apresentar obstáculos ao seres humanos, às vezes na forma de doença, e esses obstáculos, quando não excessivos, nos fornecem oportunidades para REFLEXÃO sobre formas impróprias de adaptação do EGO, de modo que tenhamos uma oportunidade de descobrir atitudes mais adequadas a fazer os ajustes necessários. Contudo, estava ciente de que tais mudanças são válidas somente por um limitado período de tempo, após o qual um problema pode voltar a se instalar. À parte isso, a INTEGRAÇÃO de experiências problemáticas pode ser considerada como propiciada pelo SELF e eventualmente levar à INDIVIDUAÇÃO (Ver TOTALIDADE). Daí a atitude do analista com relação à cura pode ajudar o paciente a aceitar que uma condição neurótica poderia ser um fator potencialmente positivo em sua vida (ver ANALISTA E PACIENTE; NEUROSE). Devido à sua natureza dialética, a análise às vezes é chamada de “cura pela conversa” e, em virtude da conexão conceitual que Jung estabeleceu entre PSIQUE e SIGNIFICADO, também foi chamada de “cura de almas”. Entretanto, Jung admitia apenas excepcionalmente essa denominação, pois fazia uma firme diferenciação entre o trabalho da análise e a cura pastoral das almas oferecida pelos clérigos. Via a análise mais similar a uma intervenção médica com a finalidade de expor os conteúdos do INCONSCIENTE e tornando-os acessíveis para uma integração na CONSCIÊNCIA. Aqui ele se identificava com Freud e com a tradição psicanalítica. No entanto, ao mesmo tempo, porque via um sofrimento neurótico como potencialmente significativo e aceitava um PONTO DE VISTA TELEOLÓGICO, reconhecia que o trabalho do analista deve servir às necessidades não atendidas tanto pelos médicos como pelos clérigos, relutantes em aceitar a possibilidade de uma função religiosa espontânea operante na psique. Assim, achava que aqueles que chegavam até ele deveriam ser notificados da impossibilidade de uma cura definitiva, mas, simultaneamente,ser preparados para reconhecer a possibilidade de existir um significado simbólico inconsciente em seu sofrimento (ver PROCESSO DE CURA). |