CORPO

Existe um paradoxo nos escritos de Jung sobre o corpo. De um lado, o corpo é considerado como alguma coisa justificada em si mesma, com seus próprios caminhos, necessidades, prazeres e problemas. Do outro lado, o corpo é visto como inextricavelmente ligado à mente, ou ao ESPÍRITO, e à PSIQUE.

As teorias posteriores de Jung sobre o ARQUÉTIPO apontavam para uma explicação psicossomática. Os arquétipos podem ser considerados ligando o corpo (INSTINTO) e a psique (IMAGEM). Instintos e imagens possuem a mesma raiz PSICÓIDE. Daí, em vez de desvalorizar o corpo, Jung percebia que suas idéias o revalorizavam e davam um novo ponto de vista ao relacionamento de um indivíduo com a psicologia COLETIVA.

Esta última poderia ser compreendida como se expressando no corpo e através dele, que, por ser comum a todos, pode ser considerado em termos gerais como o lugar central do INCONSCIENTE COLETIVO (Stevens, 1982). Autores posteriores (por exemplo, Henry, 1977) levaram a sério a alusão de Jung e procuraram situar os arquétipos no cérebro  mais velho, chamado “reptilário” (o hipotálamo e o tálamo cerebral). De modo semelhante, Rossi (1977) argumentou que a localização corporal dos arquétipos era no hemisfério cerebral direito.

O próprio enfoque de Jung era um tanto diferente. O corpo pode ser considerado uma expressão da “materialidade física da psique” (CW 9 i, parág. 392). O que o corpo faz, experimenta, necessita – todos estes aspectos refletem imperativos psicológicos. O corpo então pode ser considerado como um “corpo sutil”. Um exemplo da importância psicológica de imagens corporais pode ser encontrado em motivos da ressurreição ou RENASCIMENTO. Um outro seria o modo como imagens sexuais têm seu próprio significado psicológico (ver ANDRÓGINO; INCESTO; TENRA INFÂNCIA E INFÂNCIA).

Muitos aspectos da SOMBRA estão concentrados no corpo. Jung escreveu sobre “negação cristã” relacionada a estes. Discute o que se toma por uma vida instintiva e conclui que, se uma pessoa tenta viver exclusivamente através do corpo, está ela inconscientemente sob o domínio do espírito. A posição de Jung era de que Nietzsche e Freud se adaptavam, ambos, a essa descrição. Uma aceitação do corpo, não uma que seja impulsiva ou compulsiva, é diferente – e absolutamente necessária para o desenvolvimento psicológico e a INDIVIDUAÇÃO.

Psicólogos analíticos contemporâneos enfatizam conexões entre a capacidade de um bebê de administrar seus impulsos corporais, intermediados e tomados como significativos pela mãe, e uma atitude propícia para uma evolução da relação consigo mesmo, com ela e com o SELF (Newton e Redfearn, 1977).