CONIUNCTIO

Um símbolo alquímico de uma união de substâncias desiguais; um casamento dos OPOSTOS em uma relação sexual que tem sua fruição no nascimento de um novo elemento. Isso é simbolizado por uma criança que manifesta um potencial para uma totalidade maior recombinando atributos das duas naturezas opostas (ver ALQUIMIA).

Do ponto de vista de Jung, a coniunctio era identificada como a idéia central do processo alquímico. Ele próprio a via como um ARQUÉTIPO do funcionamento psíquico, simbolizando um padrão de relacionamento entre dois ou mais fatores INCONSCIENTES. Uma vez que tais relacionamentos são, de início, incompreensíveis à mente percebedora, a coniunctio é capaz de inúmeras PROJEÇÕES simbólicas (isto é, homem e mulher, Rei e Rainha, cão e cadela, galo e galinha, Sol e Lua).

Porque a coniunctio simboliza processos psíquicos, o RENASCIMENTO e a TRANSFORMAÇÃO que se seguem têm lugar dentro da psique. Como todos os arquétipos, a coniunctio representa dois pólos de possibilidade; um positivo, o outro negativo. Daí, quando ocorre, a morte e a perda, como também o renascimento, são inerentes à experiência. Trazê-la à consciência significa a redenção de uma parte anteriormente inconsciente da personalidade. Porém, adverte Jung, “o tipo de efeito que ele terá depende, amplamente, da atitude da mente consciente”. Com o uso da palavra atitude fica implícito que aquilo que se exige é a renovação de uma posição do ego, mais que empreender uma ação externa face ao acontecimento simbólico.

O que os alquimistas, em última análise, buscavam, de acordo com Jung, era “uma união de forma e matéria”. Toda coniunctio potencial combina esses elementos. A falha dos alquimistas em distinguir entre corpus e spiritus produzia imagens de coniunctio onde o corpo era capaz de assumir uma forma espiritual ou de atrair o ESPÍRITO para si. No contexto da ANÁLISE, o primeiro pode levar à inflação em que se supõe que o relacionamento é um hierosgamos ou matrimônio dos deuses e o segundo poderia tornar-se uma ATUAÇÃO (ACTING OUT) sexual (ver INCESTO).

Referindo-se, como o fazem, a processos intrapsíquicos misteriosos, símbolos tais como a coniunctio exercem uma fascinação especial. Confundindo a explicação e interpretação lógicas, levam o terapeuta ou o paciente a adotar um ponto de vista literal. A coniunctio aparece, porém, como um símbolo de um objetivo; não é alcançável como um objetivo. Imagens de coniunctio são úteis ao ANALISTA E PACIENTE como diretrizes, porém não podem ser consideradas estações finais em uma viagem interior.