ASSOCIAÇÃO

A ligação espontânea de idéias, percepções, imagens, fantasias, de acordo com determinados temas, motivos, semelhanças, oposições ou causalidades pessoais e psicológicos. A palavra pode designar o processo de fazer tais ligações (isto é, por associação) ou especificar um item em uma determinada cadeia (isto é, uma associação). Jung e Freud faziam usos diferentes da associação na interpretação de sonhos e, no começo de sua carreira, Jung conduziu amplas pesquisas sobre a associação por meio do TESTE DE ASSOCIAÇÃO DE PALAVRAS.

As associações, ainda que a elas se chegue livremente, são consideradas psicologicamente unidas em uma seqüência significativa. Essa descoberta, obtida por meio de pesquisas feitas por outros no final do século passado, levou ao uso, por Freud, da “associação livre” na interpretação de sonhos e as pesquisas aplicadas de Jung usando um teste de associação de palavras. Esse trabalho experimental assentou a base para a teoria dos ARQUÉTIPOS, de Jung. Por toda sua vida de trabalho como analista, continuou a usar sua própria técnica da associação para a interpretação dos SONHOS.

A obra inicial de Freud sobre a histeria levou-o a concluir: (1) associações ao acaso ou livres eram vistas com reportando-se invariavelmente, seja de modo consciente ou não, a uma experiência precoce e eram ligadas de modo a formar redes de lembranças; (2) via essas redes ou sistemas como organizados em complexos de idéias recortadas do organismo psíquico, de modo que a consciência de qualquer associação em uma cadeia de associações necessariamente podia não implicar uma consciência do significado psicológico da cadeia como um todo; (3) a força ou carga de energia de cada elemento ou associação condensa-se em torno de um ponto nodal central; (4) tais fatores são subjacentes aos conflitos psíquicos específicos da psicologia própria de uma pessoa.

Jung tornou-se familiarizado com essas idéias e durante o período em que trabalhou no hospital de doenças mentais de Burgholzli (1900-1909) seu objetivo principal, com o teste de associação de palavras, era detectar e analisar o COMPLEXO, enfoque que levou à sugestão de que seu trabalho fosse chamado de “Psicologia Complexa” (ver PSICOLOGIA ANALÍTICA). Inicialmente, Jung explorou seu interesse por meio de associações. O resultado principal disso foi a verificação de uma ligação entre associação, AFETO e carga de ENERGIA.

Embora Jung cedo abandonasse as pesquisas experimentais, continuou trabalhando com a associação e aprimorando sua compreensão dela, com vistas a “uma cuidadosa e consciente elucidação das associações em interconexão, objetivamente agrupadas em torno de certas imagens” (CW 16, parág. 319). Esses discernimentos posteriormente foram aplicados e se tornaram um fundamento essencial para seu método da interpretação de sonhos. Descrevia a trama de associações como o contexto psicológico em que um sonho está engastado naturalmente.

Jung sustentava que proceder mediante as próprias associações do paciente era o oposto de interpretação pela teoria, porque exige a mais cuidadosa e contínua atenção a uma rede associativa individual de uma pessoa. Comparava tal trabalho interpretativo à tradução de um texto que permite que se entre em um domínio secreto e bem defendido (isto é, o próprio reino psíquico da pessoa). Quando havia resistência e bloqueio, o método de Jung era voltar repetidamente a associações em torno da IMAGEM de que o paciente estava tanto consciente como inconsciente, de preferência a interpretar o bloqueamento. Desse modo procurava tornar consciente o contexto emocional individual das imagens oníricas (ver IMAGO).

O trabalho de Jung com a associação foi primordial para o estabelecimento de sua teoria dos arquétipos, porém, na Psicoterapia, dizia ele, o objetivo é o complexo individual e não o conhecimento arquetípico. Na ANÁLISE a associação pode ser ampliada mediante aplicação a temas universais por meio da AMPLIFICAÇÃO. Isso pode ser encarado como uma extensão de um processo associativo para incluir um contexto histórico, cultural e mitológico e, mediante isso, tanto o padrão arquetípico universal como o complexo pessoal se tornam evidentes durante o processo de associação (ver MITO).