AMBIVALÊNCIA

Jung usava este termo, introduzido por Bleuler (ver PSICANÁLISE), em determinado número de modos que se acham detalhados e discutidos adiante.

(1) Referindo-se a uma fusão de sentimentos positivos e negativos sobre a mesma entidade (pessoa, imagem, idéia, parte do self). Esses sentimentos derivam da mesma raiz e não de uma mistura de qualidades na pessoa para quem são dirigidos. Por exemplo, a ambivalência infantil com relação à mãe origina-se da existência de capacidades de amar e odiar no bebê e não de traços de caráter amoráveis e odiosos em sua mãe (embora estes, sem dúvida, intensificariam a ambivalência). Realmente o uso de “ambivalência” por Jung é, muitas vezes, no sentido de “bivalência”; as polaridades positiva e negativa são nitidamente envolvidas. Isso reflete a tendência, em seu pensamento, a ver uma coerência cada vez maior que nasce da mescla de elementos psíquicos aparentemente díspares (ver OPOSTOS; POSIÇÃO DEPRESSIVA).

(2) Às vezes o número de sentimentos contraditórios se permite exceder a dois. Então, o uso do termo, por Jung, reflete um outro (talvez o outro) lado de sua especulação psicológica: interesse na fragmentação, pluralidade e fluidez da psique. A ambivalência seria assim uma espécie de condição humana.

(3) De acordo com Jung, toda posição impõem sua própria negação e a ambivalência descreve esse fenômeno. Por exemplo, a ENERGIA psíquica, teoricamente neutra, pode ser considerada como potencialmente ambivalente, servindo da mesma forma à vida e à morte. Na primeira metade da vida, a energia psíquica tende e se esforça por crescimento; na segunda metade da vida, em direção a um objetivo diferente (CW 5, parág. 681). Ver ESTÁGIOS DA VIDA; INSTINTO DE MORTE.

(4) A ambivalência é uma inexorabilidade com relação a imagos de genitor (ver GRANDE MÃE; IMAGO) e imagens arquetípicas em geral (ver ARQUÉTIPO).

(5) A ambivalência é uma presença no mundo: “as forças da natureza têm sempre duas faces” e Deus, também, como descobriu Jó (CW 5, parág. 165). Na própria vida, “bem e MAL, sucesso e ruína, esperança e desespero, contrabalançam um ao outro” (CW 9ii, parág. 34). O representante mais potente desse tema universal é Hermes/Mercúrio (ver ALQUIMIA; MITO).