www.rubedo.psc.br | Artigos | © James Hillman
 

O direito de permanecer em silêncio

James Hillman

 

Nota do Editor: Este artigo é baseado numa adaptação das idéias básicas de um discurso do autor no Simpósio sobre Artes Criativas e Direitos Humanos em Aconselhamentos, na Convenção AACD em Nova Orleans, em 24 de abril de 1987.

O autor examina a relação entre a imaginação, o silêncio e a democracia, e sustenta que todos os direitos humanos dependem da liberdade de imaginação e sensibilidade estética.

 

Deixem-me observar logo no começo minhas duas suposições chaves. Primeiramente eu assumo que como membro das profissões da ajuda, provavelmente vocês fazem um trabalho terapêutico com crianças ou ainda pessoas mais jovens, onde o termo terapêutico é usado para cobrir o largo campo das profissões de ajuda. Em segundo lugar, por crianças e pessoas ainda mais jovens eu não quero dizer apenas aqueles a quem encontramos em escolas, escritórios e consultórios. Eu me refiro também ao infante interno, a criança e o adolescente dentro delas, que  rebelde, sem iniciação, algumas vezes um pouco retardada ou deixada para trás, outras vezes uma pessoa mais jovem hiperfantástica e bem sucedida que nós levamos a qualquer lugar a que vamos e que nos dá tanto trabalho que ele ou ela tem que usar senhas como “Ei, sem problema”, e “Tudo bem”.

Esta figura é a parte de nós a quem nos referimos quando dizemos de nós mesmos ou quando alguém diz de nós, que somos imaturos, pueril, subdesenvolvido, infantil, auto-erótico, narcisista, ou apenas um grande bebê. E esse grande bebê, que aparece em nossos humores e exigências e vagueia por nossos sonhos sob a forma de crianças que conhecemos nos primeiros anos de escola, mantém-nos em terapia com nós mesmos. Nós estamos na profissão de ajuda parcialmente porque nós estamos trabalhando em nome do comportamento perturbado e necessitado das crianças lá fora, e também parcialmente porque nós estamos trabalhando em nome do comportamento perturbado e necessitado das crianças aqui dentro, em nós mesmos (Guggenbühl-Craig, 1971). Somos todos terapeutas e (somos) todos casos na medida em que estamos trabalhando em nós mesmos, na maior parte das vezes.

Desta forma eu estou tanto falando sobre alguma coisa quanto estou me dirigindo a alguma coisa em você a partir de alguma coisa em mim. Este estilo de procedimento é o que eu chamo de “conversa psicológica”: o elemento subjetivo nunca está muito longe além do alcance da vista. Nós nunca poderemos sair da psiquê. O que quer que falemos sobre qualquer coisa, diz alguma coisa a nosso respeito.

A metáfora básica para o trabalho terapêutico a ser explorado aqui é tirada da lei: “Você tem o direito de permanecer em silêncio. Qualquer coisa que diga, pode e vai ser usada contra você”. Uma declaração mais completa deste aviso é taquigraficamente chamada de “Miranda” a partir de uma decisão da Suprema Corte.

Eu uso esta declaração firme deliberadamente para cortar através do otimismo ingênuo que permeia, se não perverte, muito do trabalho realizado com crianças. Do naturalismo romântico de Jean-Jacques Rousseau, passando pela bondade paternalista de Spencer Tracy em “Boystown” e as crianças assexuadas e inocentes de Alice Miller, existe uma imagem idealizada da criança. E esta criança idealizada nos influencia a sermos educadores enfáticos e reformadores sociais irrealistas e sentimentais. In loco parentis veio a significar não apenas no lugar de parentes mas melhor do que parentes.

O que eu estou tentando cortar através não é a idealização da criança — o que, por falar nisto, eu considero ser absolutamente necessário para o nosso trabalho: nós devemos idealizar a juventude e deixar que seus ideais nos inspirem — mas antes eu quero mostrar a ofuscação sentimental de nossa conscientização, esta idealização narcisística de nós mesmos como sendo boas, útil, salvando pessoas, o que nos leva a uma redução de nossa perspicácia. Quando ajudando pessoas mais jovens a “crescer”, nós temos a tendência a nos tornarmos sentimentais, e o sentimentalismo nos tira a eficácia.

 “Você tem o direito de permanecer em silêncio.” Hah! Que piada! Se ao menos eles fossem ficar em silêncio e sentados quietos. Zunindo pelo quarto como mísseis ou caminhões gigantescos com 18 rodas. Reclinados, extravasando, hiper, incessantes. Ou eles abusam do direito de se fechar, monossilábicos e taciturnos.

Uma mulher cuja terapia artística eu supervisionei por uns tempos acalmou a confusão e conseguiu ser o foco da atenção de cerca de 15 crianças de 4 a 7 anos ao lhes contar uma história. Elas ficaram fascinados. Ao final ela pediu a cada uma para desenhar a história. A maioria fez uma figura a partir da história, o pato, a casa, a menininha sob a árvore. Então ela pediu que fizessem um novo desenho da história. Este segundo desenho se mostrou de um modo geral menos uma ilustração de uma figura ligada com a história, e mais uma descida ao estado de ânimo de cada um deles e ao tema que libertava a fantasia para prosseguir além.

Duas ou três coisas úteis emergem deste exemplo. Primeiramente, ao contar uma história ela leva as crianças ao silêncio. Este tipo de silêncio produz uma qualidade de atenção diferente do silêncio disciplinar. O silêncio disciplinar, é claro, é repressivo. Daí o jogo de corpo no limite entre a rizadinha reprimida e a rebelião ou a lacuna de não escutar. Em segundo lugar, o exemplo mostra que a imaginação se aprofunda com o silêncio. Os desenhos variaram de ilustrações ainda vinculada ao referencial exterior, a história com pato, casa e a menininha sob a árvore, ao que não foi contado, ao menos não na história. Em termos atuais a imaginação se deslocou da presença para a ausência: a imaginação tende a ir para o que não está lá. É por isto que chamamos o tornar visível o que não está lá de expressão criativa.

Repare em meu relato os trocadilhos com a palavra “desenho”. As crianças foram arrastadas ao silêncio pela história e, como a história foi contada em seus detalhes, foram feitos desenhos dela e a partir dela. A imaginação “desenha”. Ela arrasta a atenção juntamente com ela, e ela desenha, esboça ou configura imagens delineadas. Para colocar tudo isto de outra forma, a imaginação delineia a si mesma por meio de imagens; estas imagens arrastam e prendem a atenção. Elas concentram pensamentos e sentimentos, deixando a ação em suspenso (Robertson, 1982). Quer se requeira silêncio para que possa acontecer este desenho ou quer que o silêncio resulte deste arrasto para si mesmo ou a retirada da concentração da psiquê em meio as imagens, existe uma relação importante, necessária e curiosa entre o silêncio e o poder “desenhativo” da imaginação.

Eu tenho a tendência de sentir o silêncio como um silêncio animal, assim como um gato à espreita, um cachorro apontando a caça, um lagarto imóvel na parede. Parece existir um nível filogenético da alma, um ser animal que se liga com os animais reais em silêncio, e que se dá especialmente bem com o lado criança da psiquê. Eu me inclino a pensar que este ser animal, o qual é muito velho e não de todo estúpido, é aquele a quem a terapia deve atrair e com quem ela deve se relacionar para que a terapia tenha lugar. E essa relação requer o silêncio de um animal atento. As noções de confiança terapêutica, empatia, segurança e apoio parecem a mim se referir e se apoiar num silêncio animal mais básico. A questão para nós então se torna como falar sem usar o que dissemos contra o silêncio?

INTERPRETAÇÃO CONTRA A IMAGINAÇÃO

É claro que a frase “qualquer coisa que você diga, pode e vai ser usada contra você.” se refere na realidade à interpretações. Temos a tendência de usar o que as pessoas disseram para nós contra elas ou qualquer outra pessoa — pais que abusem dos filhos, um inspetor de liberdade condicional, um burocrata anônimo. A idealização da juventude e do crescimento freqüentemente evoca uma tendência. contrária. Nós queremos ser realistas, moer tudo e esfregar um nariz na poeira. Talvez nós não possamos fazer este enfrentamento diretamente. Poderemos talvez fazê-lo indiretamente com explicações redutivas, especialmente sexuais. O que realmente está acontecendo neste caso é resultado de um abuso sexual, fantasia sexual, maturação psicosexual, inferioridade sexual, obsessão, sedução, ciúmes, ou a falta de uma identidade sexual, e daí por diante. As interpretações sexuais de problemas não são mais reais do que as outras interpretações. Elas parecem ser mais realistas apenas porque propiciam uma contrapartida mundana e talvez suja, antagônica às idealizações.

De forma similar, idealizações sentimentais de uma infância inocente e assexuada propiciam uma contrapartida antagônica a sexualidade e nega a criança seu ou sua própria autêntica sexualidade precoce. Além do mais, as interpretações sexuais tendem a fazer a nós, conselheiros, nos sentirmos mais sábios e mais experientes do que nossos jovens clientes, desta forma enfraquecendo seu poder de imaginar suas próprias experiências.

Existem outras interpretações efetivas que resultam em usar as interpretações contra o cliente. Por exemplo, “Você deve odiar o seu pai; eu suponho que você quer bater nele” ou “Você está com ciúmes de sua mãe ter amantes quando você não consegue ir adiante com nenhum rapaz.” Interpretações contra a família do cliente são as preferidas. Outras explicações redutivas que supostamente dizem porque um comportamento ocorre, soa mais ou menos assim: “Você pensa que ninguém liga, você se sente inútil e fracassado; você pensa que não deveria sentir o que você sente.” Mais uma vez esses exemplos apontam estruturas negativas. eles explicam por dizer o que está errado. Eles “shoot down the stars”.

Mas existe um veneno maior ainda escondido na interpretação que damos aos nossos clientes. Nossos relatos tendem a ser racionais, causais e conceituais. Eles estão numa freqüência diferente, que cria uma estática que interfere no silêncio e interrompe a imaginação. A imaginação é um processo de elaboração significativa. Ela avança por si elaborando seu próprio material, assim como as crianças elaboraram o pato, a casa, e a menina debaixo da árvore, passando para um sapo num lago com um carro vazio próximo e uma nuvem de chuva com relâmpagos se aproximando, como um menino que não quer que seu pai chegue em casa enquanto imagina a si mesmo numa motocicleta com uma garota na garupa e indo para o México com os rapazes.

Esta atividade de elaboração significativa canaliza as emoções em imagens, ou por meio de imagens. A imaginação não é impetuosa e descuidada. Ela procede em padrões definidos que são quase estereótipos ou clichês. Então, mais uma vez e de novo, existem significados básicos: cair e voar e cruzar um riacho; construindo e destruindo; forças opostas e reconciliações; climas e altitudes; fogo e água; partes do corpo e coisas do corpo; áreas desperdiçadas, abrigos subterrâneos; florestas escuras e mares. Existem máquinas e ferramentas e cores e números, animais e estrelas, personagens do poder, da bondade e do ensino, da proteção, da perseguição e da crueldade. Estas figuras e estes temas ou mitemas aparecem em contos folclóricos e de fadas, em histórias, em parques temáticos e na televisão, em ritos religiosos e jogos da vizinhança, e em sonhos e em desenhos por clientes. Eles dão padrões de significados para nossas vidas. Eles são os universais da imaginação, os arquétipos. Uma vez que nunca poderemos sair da psiquê, nós teremos que estar num ou noutro destes padrões.

Nossas vidas já eram significativas antes que nós as entendêssemos, antes que nós as explicássemos. Ou, melhor dizendo, nossas vidas se tornam significativas no momento em que nós reconhecemos um padrão de imaginação em meio a uma bagunça. Cada bagunça é uma elaboração da imaginação. Uma bagunça é de fato “tudo na mente”.

Então, interpretações, explicações e relatos do que você está fazendo e o porque — todas as respostas “porque” para a pergunta “por que?” — basicamente traduzem imagens em conceitos. Pessoas amontoando-se sob o vão da porta torna-se “abrigando”; sangue pingando de um dedo perfurado torna-se “ferindo”; árvores com troncos salpicados de manchas marrons e largas raízes traduzem-se ao conceito de “crescimento”. Nós começamos a pensar em crescimento e ao usarmos a palavra crescimento, nós perdemos a árvore. Seus galhos e ramos e tronco e largas raízes, todos os quais estão crescendo e em decadência. A árvore, vital com sua própria beleza e ricamente elaborando a si mesma, desaparece. Nós trocamos esta árvore por “crescimento” quando nós trocamos a imagem para o conceito. A cobra negra do sonho da qual você tenta correr torna-se seu “problema com a mãe”, seu “problema sexual”, ou a sua “ansiedade da morte”. A cobra, que é uma cobra, torna-se um “problema”. Uma cobra, que deve ser vigiada com atenção e respondida à altura , torna-se uma “ansiedade”. Agora é uma cobra morta, empalhada com conceitos psicológicos. Ela foi interpretada: o que quer que tenhamos dito, foi usada contra ela. Para manter o imaginário em andamento com sua vida de elaborações significativas, estas interpretações conceituais devem ser silenciadas (McConeghey, 1981). Nós temos que respeitar o amontoado de pessoas debaixo do vão da porta, o sangue que pinga, o tronco salpicado do árvore, e a cobra negra como tal. Elas são silenciosas como as pinturas são silenciosas, como a dança é, e como a música também é.

Resumindo, a imagem é primária; o conceito é secundário. A imagem é poética; a interpretação, prosaica. A imagem é emocionalmente significante como tal; a interpretação reúne novamente a emoção na racionalidade. A imagem é intensamente vívida. Ela se move com sua própria vida. Ela é desencorajadora, fascinante, repugnante, deslumbrante, dolorosa, com energia particularizante, intensamente individual, isto é, sua imagem sozinha chegando silenciosamente do nada. Apenas você olha para ela. As imagens levantam-se nos indivíduos de forma livre e expontânea. Elas tem um efeito individualizante, quase anárquico em razão de sua imprevisibilidade. Esta autonomia ou anarquia da imagem é a fonte da expressão pessoal, fazendo cada pintura, música, e história diferente. Também esta anarquia é a fonte do conflito que nós temos quando tentamos dar uma expressão de entendimento às nossas imagens particulares.

A boa interpretação fala para a imagem em sua própria linguagem (Watkins, 1981). A boa interpretação não usa grandes e frouxos conceitos como crescimento, sexualidade, criatividade, agressão, e ansiedade, mas responde com imagens compactas como a da cobra negra querendo chegar perto de você, a tocar em você. Ela precisa de mais calor corporal? O amontoado de pessoas debaixo do vão da porta, o que vocês estão vestindo? De quem é essa porta? Que tipo de prédio? Tem alguém por perto? Dá para fazer um a pequena fogueira aqui, ou está ventando muito, ou o quê? Estes comentários não pedem respostas. Eles não explicam nada, ao invés disso eles levam ainda mais para uma imaginação silenciosa. A imaginação é induzida a voltar-se para si própria, a olhar e ouvir e sentir, e a pensar ainda mais. Outra vez este sentimento, sensação, e pensamento é intensamente individual, uma individualidade que afoga no pântano das palavras coletivas como agressão, ansiedade, sexualidade, e daí em diante. Além do mais, estas respostas apelam para a imagem em si estar presente na resposta. Nós respondemos do vão da porta ou na presença da cobra. Quando conversamos com  a criança, estamos ao lado do lago do pato. Nós estamos na imagem, não somos observadores externos.

Vamos retornar ao nosso lema, “Qualquer coisa que você diga, pode e vai ser usada contra você.” Existem dois “você” nesta frase: o você que está imaginando e o você que está fazendo perguntas e explicando. Estes dois “você” podem ser encenados por duas pessoas no aconselhamento, e eles podem ser encenados também por cada um de nós isoladamente em nossos diálogos silenciosos para a frente e para trás com nós mesmos quando exploramos nossos sonhos e fantasias particulares. Porque o “você” que interpreta muitas vezes reduz um sonho ao racionalizar o poder de suas imagens, o sonho pede silêncio de forma a ser mantido vital e intacto.

Esta análise coloca um dilema entre dois erros, entre não dizer nada de um lado — apenas um “sim” refletivo Rogeriano, o que muitas vezes é uma não intervenção repetitiva — contra explicações conceitualizadas sobre a matança de cobras do outro lado. Então, para evitar esse dilema, eu não proponho um silêncio literal como se todo discurso fosse destrutivo à imaginação. O silêncio não precisa dizer literalmente silêncio.

A questão não é se falamos ou não falamos. A questão é: como falar, o que dizer, quando proferir? O “quando” da intervenção, o “que” de emolduramento teórico que você usa na interpretação, e o “como” de técnica para assegurar, persuadir, limitar ou confrontar são velhos conhecidos dos conselheiros. Em seu treinamento você tem muita coisa sobre a escolha do tempo mais adequado para fazer algo, teorias e técnicas. Então, ao invés disso, deixem-me forçar meu ponto sobre o “quem”.

Este “quem” que fala deve ter origem no mesmo lugar, e falar no mesmo estilo do material para quem se dirige. Esta correspondência inerente é mais do que empatia. Ela é mais do que uma habilidade na captação da sensibilidade. Mais apropriadamente, ela é a resposta animal que dá uma voz humana ao silêncio da imaginação. É a voz de um agente imaginário livre sentido-se à vontade tanto no sonho quanto nas artes.

DIREITOS HUMANOS

Tendo estabelecido uma relação entre o silêncio e a imaginação e entre o discurso danoso e a imaginação, eu agora quero mostrar que a imaginação é importante para os direitos humanos e que a base para esses direitos está no silêncio. O silêncio pressupõe uma vida interior. Quando a atividade é imobilizada, “stimuli” são paralisados e entorpecidos, e as pressões relacionadas são relaxadas, a imaginação germina livremente — em liberdade. Desta forma, o silêncio tem implicações políticas.

Antes do direito de liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de credo, e eleições livres, há o direito de se permanecer em silêncio porque este direito assume a pessoa livre no interior que fala, que imprime, que reza, e que vota —esse “quem” individualizado que não pode ser maltratado, invadido ou coagido. Os direitos, de acordo com nossa noções políticas, são inalienáveis: eles se alojam na alma individualizada, e a liberdade, de acordo com estas mesmas noções políticas, é exercida por esse agente que tem alguma coisa para dizer ou publicar, que vota em escolhas pessoais e leva em consideração deuses pessoais. Todos os outros direitos requerem, antes de tudo, alguém de imaginação que pode avaliar alternativas, improvisar ações, expressar valores e fantasiar conseqüências.

O silêncio assume a primazia de uma pessoa psíquica. Direitos inalienáveis são os poderes desta pessoa inalienável cuja mente imaginativa não foi alienada. Esta noção deriva de uma visão da alma, a qual assegura que ela é dotada desde o nascedouro, de que existe uma individualidade desde o início, e que este silêncio é a condição para o seu florescimento.

O medo do silêncio então, não é tanto um medo do vazio, o medo de que, se ficarmos quietos, nós cairemos no vazio do nada para dizer, ou mostrar ou contar. Muito pelo contrário, o medo é da plenitude, das fantasias livres incríveis e imprevisíveis, que são inatas na mente e se mostram tão prontamente nos sonhos. O medo é de nossa natureza interna, o que ameaça ser uma caverna de Aladim ou uma floresta primitiva abundante de vida selvagem. Se o silêncio convida o agente da imaginação do qual as liberdades políticas dependem, o enfraquecimento do agente da imaginação enfraquece as raízes da liberdade sem atacar as liberdades diretamente. Não há razão para reprimir a liberdade de expressão ou reunião ou o direito de oração se não há ninguém em casa com alguma coisa para falar ou com a necessidade de rezar. A liberdade implica um alguém que pode imaginar as coisas de outra forma.

Os estados totalitários submetem a imaginação à doutrina. A imaginação individual é colocada num arreio e censurada. Sob essas condições de dureza, o silêncio se apresenta como um dos direitos mais preciosos; ele é agarrado fanaticamente e é interpretado ao pé da letra num segredo paranóico que resiste até a tortura. O direito humano de permanecer em silêncio se transforma numa obrigação sagrada, uma última trincheira para a defesa da alma. De que outra forma poderíamos compreender a incrível testemunha do silêncio até a morte de Salem até a Sibéria, dos mártires cristãos aos radicais do underground? E de que outra forma podemos compreender a relutância por suas vítimas, em contar, depois, do terror sofrido sob tortura: ”não dá para descrever com palavras” eles muitas vezes dizem.

Nós também começamos a entender a repressão nos estados totalitários das outras liberdades (i.é., expressão, reunião, religião). A liberdade pura, sem um agente imaginativo suscetível de reação, provoca revolta e perverte numa libertinagem caótica num círculo vicioso de controle ou caos. Liberdade imaginada como liberdade total permanece totalitária. Essa idéia de liberdade é meramente a imaginação de um cativo ou um escravo, indicando que a imaginação ainda está cativa, ainda escrava de soluções totais. O primeiro passo para fora deste circulo totalitário de controle ou caos não é a restauração de liberdades políticas, mas a restauração da imaginação em si mesma, de forma a que ela imagine adequadamente a liberdade como localizada no silencio interno de um agente da imaginação suscetível de reação e concentrado, no qual depende o exercício livre dos direitos humanos.

Resumindo, o tipo de democracia previsto por nossos documentos de fundação e assegurado – é o que se espera –, pela Suprema Corte, deriva de uma ralé perspicaz e de pessoas vivamente imaginativas. Esta democracia não é a democracia numérica, tantas vezes erroneamente interpretada como a igualitária , de medidas quantitativas de opiniões, que se reduz a uma democracia do menor denominador comum; e tão pouco é a democracia da livre iniciativa, que é na verdade uma interpretação errônea da individualidade da imaginação enquanto exploração individualista.

Nem a visão excessivamente igualitária nem a excessivamente idealista é manifestada nos documentos fundadores. Muito pelo contrário, eles enfatizam a individualidade como o último assento do poder, individualidades bastante diferenciadas, uma condição quase anárquica de cidadãos armados, cada um deles buscando felicidades diferentes e defendendo domínios particulares. As imaginações individuais divergentes se manifestando a si mesmas como diferindo em preocupações religiosas, localizações geográficas, compromissos filosóficos e metas econômicas devem ser fundamentalmente declaradas e não dissolvidas no caldeirão do ogro chamado América, o caldeirão fervente. Os documentos de fundação assumem essas inalienáveis diferenças de imaginação na cidadania e daí a Constituição tem que prover formas de negociar as diferenças — eletivas, judiciais, legislativas — assim como ser referendada pela Carta dos Direitos.

AS ARTES NA EDUCAÇÃO AMERICANA

A relação entre o silêncio, imaginação e direitos humanos na democracia americana levanta questões familiares. As artes pertencem às escolas públicas? Por que deveriam haver cursos de apreciação musical? Por que aprender a tocar um instrumento às custas do público? Por que realizar viagens a museus ou aulas de modelagem em barro ou de pintura em estúdios? Por que decorar poemas ou representar nos teatros? O que tem essas atividades, geralmente classificadas como extra curriculares, enfatizando sua natureza extrínseca, a ver com a ética terrena da democracia social e econômica? Por acaso elas, de alguma forma, produzem cidadãos coletivamente mais informados, constróem uma melhor base de opinião pública com relação aos assuntos do dia? Qual é realmente o valor das artes para os estudos sociais, para a sociedade?

As velhas respostas a essas perguntas dizem que as artes são úteis para se aprender história. Ou que a expressão criativa fomenta o crescimento pessoal, fazem uma pessoa mais feliz, e dessa forma enriquece a sociedade. Ou que esses cursos leves e de curta duração acrescentam realização estética, produzindo um aperfeiçoamento mais refinado, que ampliam as pessoas, tornando-as mais úteis para a comunidade como tocadoras de instrumento nas bandas, locutores públicos, ou administradores de crianças. ë claro que as velhas respostas concluíam que as artes eram basicamente para mulheres e “personalidades artísticas” ou desajustados.

As velhas respostas não diziam nada essencial com relação às artes. Elas não eram necessárias, meramente adornos secundários, assim como hobbies ou brincadeiras de “quem sabe mais trivialidades”, que possibilitam a alguém identificar uma música no rádio do carro como sendo de Wagner ou as colunas da entrada do banco como sendo dóricas. Se não for descaradamente um esnobismo, as artes são certamente irrelevantes com relação a itens “de verdade” como proteção ao consumidor, relações raciais ou o debate sobre o salário mínimo.

Mas a reposta que emerge dos meus argumentos diz algo bastante diferente. Diz que sem uma imaginação aplicável existe uma estupidez anestesiante nas coisas públicas, um tipo de resposta sensorial prejudicada ao mundo perceptível. Nós nos tornamos insensíveis para nós mesmos e para nossa própria sensibilidade. Nós teremos perdido a habilidade de sermos persuadidos esteticamente. Se os cidadãos não podem ser movidos por um editorial, a retórica de um político, ou um apelo de um promotor, então a Declaração de Direitos não tem nenhum efeito. A liberdade que ela enuncia assume uma coração imaginário no corpo político que responde em ação. Aquela sensibilidade que os atenienses — onde a democracia começou — chamavam de peitho, a deusa persuasiva em cuja habilidade para afetar nossas almas depende o discurso livre, o julgamento justo, a liberdade de imprensa, e as eleições.

Respostas anestesiadas não são simplesmente inimaginativas e insensíveis; elas acabam se tornando meras reações mecânicas aos estímulos. Nenhuma resposta significa nenhuma responsabilidade. A imaginação anestesiada torna-se sóciopática e amoral. Sem uma imaginação alentada não existe percepção do insulto ou da injúria, nenhum senso de injustiça, e por isso nenhum senso de justiça também. Nós já estamos nos campos de escravos da mente. Sem uma imaginação alentada não pode haver compreensão dos itens em discussão e nenhuma base para um julgamento ético ou decisão política. Por que razão os artistas estão sempre envolvidos em protestos sociais e são tão protetores dos direitos humanos? Por que sua presença é tão ameaçadora para os estados totalitários? A razão deve estar em sua dedicação a uma imaginação treinada no silêncio: Tendo exercido a primeira liberdade, o direito de permanecer em silêncio, eles estão ligados nos outros direitos básicos.

Então, vemos que os direitos devem ser colocados em prática. Assim como as virtudes espirituais, elas existem em actu e não em potentia. Isto é, a não ser que nos manifestemos livremente, lemos, votemos, e nos reunimos, essas virtudes são mera abstrações escritas na lei mas não realizadas na vida. O silêncio também, não é passivamente quieto, mas precisa ser praticado tanto na solidão ou como um momento de eco interno em meio a coisas. A sala dos conselheiros é um lugar para essas práticas, e a terapia é tanto uma educação no silêncio quanto o é na fala.

Os choque éticos que agora devastam nossas instituições necessitam ser vistos à luz do nosso tópico. O ponto chave não é simplesmente o que as regras obtêm; como definir um conflito de interesses numa transação do comprimento de um braço; como diferenciar uma brecha na lei de uma quebra da lei; um presente de um suborno; o que precisamente se constitui em plágio, adultério, eutanásia ou a verdade nas etiquetas de embalagens. Uma precisão técnica de ética apenas repete o mesmo tipo de pensamento do qual vêm a doença, e os remédios não podem ser preparados num curso rápido de ética num seminário de fim de semana. A sensibilidade ética não existe separada da imaginação moral. Porque, antes de tudo, nós devemos ter aquele sentimento de que alguma coisa está faltando, duvidoso ou comprometedor. Nós devemos estar aptos a imaginar erradamente e o que isto pode causar à alma.

A imaginação moral é acordada e treinada pelos confrontos com os grandes dilemas morais de Abraão e Pedro e as tragédias gregas, de Hamlet e Macbeth, de Ana Karenina e Madame Bovary. Romances por Hawthorne, Dostoievsky, Faulkner, Orwell e Roth ultrapassam de longe a instrução ética advinda de casos clínicos e precedentes legais. porque o estudo das grandes vidas e da literatura abrem o coração da imaginação para a perplexidade moral, preferivelmente a suprir regras, convenções e respostas. Se nós não podemos imaginar honra, dignidade, sacrifício, compaixão, coragem, lealdade, assim como feiúra da alma e os pecados da avareza, como poderemos tomar uma decisão ética ou até mesmo reconhecer de que há uma para ser tomada? Além disso, existe a moralidade do ofício, a imaginação moral das mãos, dos ouvidos e olhos. As artes ensinam a fazê-lo corretamente, fazê-lo bem, um trabalho honesto que é verdadeiro a reivindicação do trabalho.

Se esse é o caso, então a nova resposta para a velha pergunta sobre o relacionamento entre as artes e os estudo social seria assim. As artes não são um suplemento; as artes são mais adequadamente o lugar onde o silêncio é fomentado pela leitura, escrita, moldagem de um vaso, treino de clarinete ou relaxando no bar. Essas atividades em silêncio, por desafiar a anestesia coletiva, ativam a pessoa imaginária no coração de toda a vida social e política. Atividades artísticas são mais do que convenientes por si próprias, porque elas trituram o resto do currículo num agente verdadeiramente humano.

Essa conclusão conduz diretamente a dislexia e ao analfabetismo. Por que razão nós, como nação, nos tornamos mais e mais analfabetos? Nós culpamos a televisão e o computador, mas eles não são as causas. Elas são os resultados de uma condição anterior que as convidou a entrar. Elas chegaram para preencher um espaço. Quando a habilidade de imaginação diminui, outras formas de comunicação aparecem. Essas formas trabalham apesar delas também serem estruturalmente disléxicas: simultaneidade de bits, justaposições estranhas, mensagens que não se movem linearmente da esquerda apara a direita. No entanto a televisão e o computador pessoal comunicam.

Evidentemente, a leitura não depende unicamente na ordenação de letras em palavras. De fato, os poetas usam estruturas disléxicas deliberadamente. A leitura depende da capacidade da psiquê de entrar na imaginação. Ler é mais ou menos como sonhar, o que também, é válido para o silêncio. Nossa falta de instrução reflete nosso processo educativo que se afastou do terreno silencioso da leitura; salas de estudo silenciosas e períodos de quietude, deveres de casa solitários, aprender decorando, ouvindo por uma aula inteira sem interrupções, escrever um ensaio para o exame à mão, desenhar a partir da natureza ao invés de experiências de laboratório. Este longo negligenciar de condições imaginativas que nutrem a leitura — Sputnik e a nova matemática; problemas sociais e parentescos sociais; motivação auto-centrada; a confusão da informação com o conhecimento, da opinião com o julgamento, e brincadeiras de “quem sabe mais trivialidades” com suas fontes; comunicações como mensagens por ligações telefônicas e secretárias eletrônicas no lugar de uma carta escrita em silêncio; aprendendo a falar sem antes aprender algo para dizer; múltipla escolha e seu s resultados como teste de compreensão — produziram o analfabetismo.

A pessoa humana assim como um banco de dados não precisa ler mais do que funcionalmente. Um banco de dados decidindo sim ou não baseado em realimentação (i.é, reforço) não precisa imaginar além de obter, armazenar e gastar. Apenas consiga as instruções corretas; não se preocupe com o conteúdo. Aprenda o “como” no lugar do “que” com suas qualidades, valores e sutilezas. Então o agente humano transforma-se num cartão de crédito materializado desempenhando os rituais religiosos do consumismo. Você precisa apenas ser capaz de assinar seu nome num espaço marcado “X”, como um imigrante, como um escravo, ou um...

Ou um psicopata. Descrições da psicopatia, ou personalidades sociopáticas, falam de sua inabilidade em imaginar os outros. Psicopatas são bem capazes de avaliar situações e seduzir pessoas. Eles percebem, avaliam e relacionam, fazendo uso de cada oportunidade. Daí seu sucesso na manipulação dos outros. Mas o psicopata é bem menos capaz de imaginar os outros além de uma fantasia de utilidade, o outro como uma verdadeira interiorização com os seus ou suas próprias necessidades, intenções e sentimentos. Uma educação que de qualquer forma negligencia a imaginação é uma educação para a psicopatia. É uma educação que resulta numa sociedade sociopática de manipulações. Nós aprendemos como tratar com os outros e nos tornamos uma sociedade de mercadores.

Nem a mídia, drogas legais ou ilegais, a burocracia da educação, nem a ausência da autoridade moral dos pais devem ser culpadas pelo vácuo ético e a nossa estupefação. Esses bodes expiatórios usuais são os sintomas e, como tal, não são as causas mas a representação de sofrimentos anteriores invisíveis. De fato, os sintomas são tentativas fracassadas de uma cura. A virada para o crack e a cocaína, por exemplo, é parte em busca de imaginações mais altas para acordar os mortos. A burocracia da educação levantou-se para cobrir os grandes espaços na imaginação entre o desejo de aprender e o desejo de ensinar. A autoridade dos pais desvaneceu-se há muito tempo quando habilidades estéticas, e deste modo respostas sensíveis, eram consideradas inferiores às regras morais. A moralidade interpretada ao pé da letra em regras não é outra coisa a não ser um esqueleto mecânico seguindo os mandamentos, que não compreende o luta moral exigida por uma vida de imaginação.

Não, não é a mídia a quem devemos culpar. Se a mídia não pode relatar corretamente o estado do mundo ou as emoções da família ou a piedade da fé, a mídia entretanto relata a sua audiência. Aquele vidro da televisão na sala de estar reflete corretamente a psiquê que senta diante dele. A televisão é um espelho que nos mostra a nossas próprias faces.

Se devemos culpar, então vamos culpar a nós mesmos. Nós conselheiro somos supostamente a força corretiva. Será que nós damos aos nossos clientes o direito de permanecer em silêncio ou nós os bombardeamos com mais informações? Será que nós assumimos uma alma rica com um dote nativo dentro da passividade depressiva ou desordens do aprendizado recalcitrante? Será que nós encorajamos as fantasias e sonhos dos clientes com a nossa fala ou as cortamos para o tamanho reduzido de nossas escassas explicações? Será que nós reconhecemos a necessidade inerente da imaginação na pessoa humana como a garantia da liberdade da pessoa e a vitalidade de nosso sistema político? Nós nos comportamos autoritariamente e administrativamente, ou podemos nos comportar subversivamente, como fizeram Freud, Jung, Adler, Reich e Socrates e Jesus, também. Esses educadores terapêuticos são as figuras fundadoras da profissão da ajuda, postando-se subversivamente contra o estado da sociedade quando ela é antiética, sociopática e sem imaginação. Ou será que nós induzimos uma adaptação à essa sociedade enquanto a “ajudamos” nossos clientes a enfrentar, ir embora e a se relacionar. Relacionar-se a que? Nós não pedimos a eles para adaptar-se a um mundo sem imaginação às custas do agente animal imaginativo e silencioso do qual depende a própria vida desse mundo?

CONCLUSÃO

Eu terminarei com um floreio final de retórica política. Conselheiros são os verdadeiros guerreiros da liberdade. Nós somos guerreiros da liberdade não somente em razão de nosso ultraje sobre a discriminação de raças e opressão ao sexo, sobre a exploração corporativa e a pobreza do consumismo, sobre mimar crianças e negligenciar crianças, corrupção das drogas, poluição empedernida, absurdidade do aborto, destruição dos livros-textos escolares, machismo militar, práticas burocráticas mesquinhas, fraude fundamentalista, hipocrisia da angariação de fundos, sem falar da surpreendente gama de tragédias de clientes que os conselheiros tem que encarar diariamente. Nós somos guerreiros da liberdade porque nós somos a guarda avançada da imaginação quando ela tenta invadir nossa civilização ao tocar seus cidadãos através dos sintomas de seus descontentes. E nós somos a guarda avançada porque nós, assim como os artistas, somos aqueles autorizados a encontrar-se com os sintomas por meios imaginários.

Nos foram dados as ferramentas da terapia pela arte, brincar na areia, drama, dança e a argila, e salas para conversação e silêncio. Além do mais, nós, diferentemente dos artistas, recebemos uma autoridade especial para usar essas ferramentas da imaginação com as vítimas da civilização, os sintomáticos privados de seus direitos que são os nossos clientes. Eu vou lembrá-los especialmente das crianças privadas de seus direitos que carregam tanto da imaginação desordenada de nossa civilização, muito convenientemente, muito racionalmente chamadas “desordens de ajustamento” e “desordens comportamentais”. Na Nicarágua, Afeganistão, Transvaal, Iraque e lugares mencionados pelos noticiários ou nem ainda percebidos por eles, crianças jazem em campos de batalha e morrem de fome. Nossas crianças definham na alma, vítimas de uma outra depauperação e outra fome: a sistemático anestesiamento da imaginação em nome do desenvolvimento e da realização. O empurrão para a frente, começando ainda mais cedo, manteve-as fora da sala da fantasia, privando-as desta grande dádiva com a qual cada criança é dotada: a maravilha do silêncio.

Através delas e do nosso trabalho com elas em “silêncio, exílio e astúcia” (Joyce, 1964, p.247), os pequenos princípios de um verdadeiro agente da imaginação pode subversivamente reentrar na comunidade e furtivamente infiltrar o corpo político. “Que a civilização possa não afundar,/sua grande batalha perdida/Aquiete o cachorro, amarre o pônei” pois, como William Butler Yeats escreveu (1952) no mesmo poema, “Como um inseto de longas pernas no córrego/ [a] mente se move no silêncio."

REFERÊNCIAS

Guggenbühl-Craig, A. (1971). Power in the helping professions. Dallas: Spring Publications.

Joyce, J. (1964). A portrait of the artist as a young man. New York: Viking Press.

McConeghey, H. (1981, Spring). Art education and archetypal psychology. Spring: An Annual of Archetypal Psychology and Union Thought, pp. 127-135.

Robertson, S. (1982). Rosengarden and labyrinth: A study in art education. Dallas: Spring Publications.

Watkins, M. (1981, Spring). Six approaches to the image in art therapy. Spring: An Annual of Archetypal Psychology and Union Thought, pp. 107-125.

Yeats, W.B. (1952). Collected poems of W.B.Yeats (pp. 381-382.) London: Macmillan.

 

www.rubedo.psc.br | início | artigos