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GIEGERICH x HILLMAN

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Wolfgang Giegerich |
James Hillman |
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Once More the Reality/Irreality Issue |
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Wolfgang Giegerich |
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Giegerich/Hillman:
What is Going on? |
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"Os arquétipos como arquétipos em si e as imagens em um entendimento imagético, assim como formas platônicas, são afastados de todos os fatos históricos e da ação lógica mas real da alma. Eles são completamente limpos de todo o sangue e de todos os traços de um ato violento. Os "Deuses" da psicologia são tigres de papel."
Wolfgang Giegerich
"O que poderia causar maior consternação a um pagão arquetipalista do que detectar um pensamento monoteísta em um amigo arquetipalista?"
James Hillman
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Em julho de 1992, foi realizado o Primeiro Festival Internacional de Psicologia Arquetípica em homenagem à James Hillman. O evento ocorreu na Universidade de Notre Dame e reuniu cerca de 500 pessosa entre analistas junguianos, artistas, filósofos, estudantes e escritores a fim de examinar a obra de Hillman e sua influência nos campos da cultura, da arte, da política, da cidade e da psicoterapia. Na abertura do festival, Hillman disse que " esperava ansioso pela oportunidade de estar juntos durante uma semana em uma comunidade reunida em torno da alma , desde que a prática da psicologia tinha um insidioso efeito de criar um isolamento com sua "brancura", fazendo com que permanecessemos nos guetos brancos da mente observadora." Este isolamento analítico, diz ele, é uma das razões para a sua mudança de uma psicologia analítica para uma Psicologia Arquetípica. O individualismo excessivo , segundo Hillman, limita a experiência de comunidade mas " esta comunidade pode ser restaurada através de uma invocação da imaginação em suas profundezas arquetípicas. Ele clama por uma libertação, uma liberação da alma, "um chamado por Dioniso: pois quando Dioniso aparece, não estaria também Eros por detrás?" Hillman desafiou os participantes a transgredir, para ir além do que é considerado "usualmente" correto. E o modo que encontrou para atingir seu objetivo foi fazer da Pornografia o tema principal da sua palestra de abertura do Festival. Nesta palestra intitulada " Pink Madness" , Hillman faz um elogio da pornografia , afirmando que toda " imagem é potencialmente pornográfica" , porém sua intenção é nos colocar frente a frente com uma das mais poderosas imagens da sombra em nossa cultura moderna. Um dos principais momentos do Festival, e com certeza, também um dos mais polêmicos foi a participação do analista junguiano Wolfgang Giegerich. Giegerich iniciou sua palestra " Matanças: O platonismo da psicologia e o elo perdido com a realidade" , perguntando se a Psicologia Arquetípica é de fato uma psicologia com Deuses ou " a falação sobre Deuses na psicologia arquetípica é só um tipo de jargão glamurizante, fundamentalmente afastado daquela realidade a que antes se referia pela palavra "Deuses"?" Giegerich argumenta que não se pode desistir de fazer sacrifícios de touros e , ainda assim, continuar a afirmar que se acredita em Zeus. Se está se fazendo um Festival celebrando os Deuses, é necessário uma matança sacrificial pois é esta que traz a presença divina que transforma o dia em um dia festivo ou sagrado. Giegerich prossegue detalhando antigos rituais de sacrifícios , o seu valor para as sociedades arcaicas, a importância do derramamento do sangue e a transformação que se seguia. Quando perguntaram a Plotino o porquê dele não mais comparecer aos sacrifícios , ele responde que " agora os Deuses devem vir a mim, não eu a eles". Para Giegerich , esta é a falácia platônica: " a redução do Soul – Making à sua metade passiva, a do recebimento, da visão, imaginação. Sua metade ativa , a do nosso fazer, do ato e fato sacrificial foi descartada". É esta a polêmica questão que Giegerich traz a ser considerada: Pode haver sacrifícios sem matanças? Sua crítica se refere ao fato e a contestação de que a Psicologia Arquetípica reduziu a experiência do sacrifício a uma simples metáfora, a um mero símbolo. Giegerich observa que a psicologia de Jung começa com o livro "Símbolos de Transformação", com o capítulo e a idéia de sacrifício, o que faz Jung Ter que sacrificar literalmente sua amizade com Freud. Ele alerta que sem sacrifícios , isto é, sem a matança de algo real, a Psicologia Arquetípica irá inevitavelmente permanecer naquilo que ele chama uma "bolha de irrealidade" A Palestra de Wolfgang Giegerich causou uma enorme polêmica no festival. Vários participantes queriam discutir as questões levantadas pelo tema proposto por Giegerich enquanto que, por outro lado, os organizadores do festival optaram por seguir com a programação oficial. Em várias palestras seguintes o que se ouvia eram gritos vindos da platéia dizendo: "queremos discutir as questões que Giegerich levantou." O próprio Hillman, entretanto recusou-se a fugir da programação. Alguma coisa havia sido constelada e os organizadores do festival ao invés de seguir a regra número um da Psicologia Arquetípica – Ficar com a imagem – optaram por ficar com a programação oficial e não abrir espaço para a discussão das questões suscitadas pela palestra de Giegerich. Patricia Berry ao comentar o texto de Giegerich, discorda e afirma que a Psicologia Arquetípica também realiza os seus sacrifícios. Para ela, o que é sacrificado " é um estado virginal, um estado ingênuo de inocência, o sacrifício da criança". Entretanto, para muitos que participaram do Festival, a verdadeira vítima sacrificial do Festival foi o próprio Hillman. Um mês após a realização do evento , Hillman enviou uma carta para todos os participantes onde admitia o seu desconforto frente as várias divisões que se apresentaram no festival. Diz Hillman: " Penso que estas divisões derivam em parte dos múltiplos lados que compõem o background politeístico da Psicologia Arquetípica. Elas convidam para um Pandaemonium". Porém, a resposta definitiva dada por Hillman para todo este polêmico episódio despertado por Wolfgang Giegerich só irá aparecer dois anos mais tarde. Em 1994, ao publicar no jornal "Spring", o seu artigo " Once more into Fray", onde usa de toda a sua ironia, erudição e refinada qualidade literária, Hillman desconstrói e responde a cada uma das acusações que Giegerich faz à Psicologia Arquetípica. O seu principal argumento é que Giegerich se deixou enganar por três falácias fundamentais: A falácia dos modelos históricos, a falácia ontológica e a falácia do concretismo. É a este debate, histórico e polêmico, que a Rubedo convida os leitores a participar, a fim de testemunhar a originalidade, o amplo e variado conhecimento e a sofisticada construção intelectual de dois dos maiores pensadores da Psicologia Arquetípica. O artigo original de Wolfgang Giegerich e
de outros palestrantes do Festival de Psicologia Arquetípica como David Miller e Edward Casey, podem ser
encontrados no número 54 da Spring
– A journal of Archetype and Culture.
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