ZARATUSTRA, TRAGÉDIA NIETZSCHIANA

Roberto Machado

JORGE ZAHAR EDITOR - 1997 - 175 págs.


“Por que Assim Falou Zaratustra seria uma tragédia? Por que Nietzsche, na época em que escreveu seu livro mais importante, considerou-se o primeiro filósofo trágico? Em vez de uma teoria da tragédia, uma tragédia, no sentido da apresentação do aprendizado trágico de Zaratustra.
Zaratustra, personagem que, despontando como herói apolíneo, percorre um caminho que o levará a afirmar até mesmo o lado mais tenebroso da vida, tornando-se dionisíaco ao incorporar alegremente o pensamento trágico por excelência: o pensamento do eterno retorno.”

“Por que Assim Falou Zaratustra seria uma tragédia? Por que Nietzsche, na época em que escreveu seu livro mais importante, considerou-se o primeiro filósofo trágico?
Isso pode ser compreendido quando se compara seu Zaratustra com sua primeira obra, O nascimento da Tragédia, cujo principal objetivo é a crítica da racionalidade conceitual através da apresentação da arte trágica, expressão das pulsões artísticas apolínea e dionisíaca, como grande estimulante da vida. Posteriormente, Nietzsche percebe a incompatibilidade entre o conteúdo da denúncia - a morte do trágico pelo saber racional - e a linguagem em que ela é formulada, mais próxima do racionalismo do que da poesia trágica que ele pretende enaltecer, chegando mesmo a exclamar: ‘Que pena eu não tenha ousado dizer, como poeta, o que tinha então a dizer: talvez eu tivesse sido capaz.’
A hipótese que orienta este livro de Roberto Machado inspira-se nesta idéia: Assim falou Zaratustra é o canto que Nietzsche lamentou não ter cantado com seu primeiro livro, constituindo-se por isso sua tentativa mais radical de fazer a forma de expressão artística criar sua temática filosófica trágica. Salientando que Nietzsche apresenta ali os temas mais originais de sua filosofia - morte de Deus, super-homem, niilismo, vontade de potência, transvaloração de todos os valores, eterno retorno - Zaratustra, tragédia nietzschiana explicita de que maneira a linguagem poético-dramática, em detrimento de uma linguagem teórico-conceitual, torna isso possível.”

“Roberto Cabral de Melo Machado, nascido no Recife, é professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ). Com doutorado em filosofia pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, estudou na Universidade de Heidelberg, fez vários estágios no Collège de France (sob a orientação de Michel Foucault) e pós-doutorado na Universidade de Paris VIII (com Gilles Deleuze). Lecionou na Universidade Federal da Paraíba, na PUC - RJ e no Instituto de Medicina Social da UERJ. É autor de Ciência e Saber - a trajetória da arqueologia de Michel Foucault (1981), Nietzsche e a Verdade (1984) e Deleuze e a Filosofia (1990), e co-autor de Danação da norma - medicina social e a constituição da psiquiatria no Brasil (1978). Organizador, tradutor e introdutor da coletânea de textos de Foucault Microfísica do Poder (1979), traduziu também A verdade e as formas jurídicas e Nascimento da clínica, de Michel Foucault, e Proust e os signos e Diferença e Repetição, de Gilles Deleuze.”


SUMÁRIO

Lista e abreviações das obras de Nietzsche
Introdução

ASSIM FALOU ZARATUSTRA E O PENSAMENTO TRÁGICO
O nascimento da tragédia
A autocrítica
Zaratustra na obra de Nietzsche
A forma poética de Zaratustra
A forma narrativo-dramática do Zaratustra
Primeira parte

A MORTE DE DEUS E O SUPER-HOMEM
Plenitude de ocaso
A morte de Deus e o super-homem
O super-homem e o último homem
A lição do fracasso
A origem do niilismo
O elogio ao criador
O super-homem e o “povo de solitários”
Segunda Parte

A VONTADE DE POTÊNCIA E O DESAFIO DO PASSADO
A volta para os discípulos
Deus e a vontade criadora
A tentação dionisíaca
A vontade de potência da vida
O desafio do passado
A nova partida
Terceira Parte

O ETERNO RETORNO DO INSTANTE
O caminho mais árduo
A antevisão do eterno retorno
O mestre do eterno retorno

Epílogo
Sumário de Assim falou Zaratustra
Bibliografia
Bibliografia complementar citada
Índice remissivo



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