Lévinas, o mais crítico dos pensadores franceses de
seu tempo, mestre direto e indireto dos pós-modernos, como Derrida e Lyotard, permanece fiel à abertura
para o Outro como pobre, viúva ou órfão.
Bem-vinda esta obra hermenêutica de um excelente filósofo brasileiro. Merece ser lida com cuidado
como introdução autorizada - e como uma interpretação comprometida - às obras
do próprio Lévinas.
Enrique Dussel
A presente obra, escrita por meu amigo e colega Márcio Luis Costa, constitui um olhar novo sobre o pensamento
de Emmanuel Lévinas. O autor demonstra uma capacidade filosófica precisa, rigorosa e diligente, exemplo,
na minha opinião, de uma nova geração de pensadores comprometidos com a angustiosa realidade
da América Latina, com um discurso filosófico fundamentado, meditado e fruto de um entusiasmo disciplinado.
Costa faz uma leitura ontológica de Lévinas. Percorre a maior parte de seus trabalhos publicados,
desentranhando o segredo do discurso, através de pequenos e sucessivos avanços, fixando a atenção
no tema que constitui o centro do pensamento levinasiano: a ética como filosofia primeira. Entretanto, a
partir do horizonte da totalidade da obra de Lévinas, descobre uma tese própria, que lhe permite
elaborar uma crítica a interpretações como as de Ricoeur, Derrida e Vattimo, crítica
inimaginada antes deste trabalho.
Sua obra tem muito a dizer para o pensamento latino-americano. Todo dizer, porém, segundo suas próprias
palavras, se expõe como quem expõe o peito diante do pelotão de fuzilamento. Assim, a leitura
de sua obra feita na América Latina é diferente da euro-norte-americana, em que a merecida fama de
Lévinas hoje em dia é somente enquanto fenomenólogo, ético da comunicação
ou da sensibilidade.
A tradição libertadora latino-americana, com trinta anos de experiência, ignorada pela moda
levinasiana da filosofia central, permanece fiel, em sua interpretação, ao pensamento do sobrevivente
do nazismo, a partir de uma economia em que o Outro se revela - à sensibilidade carnal do refém em
seu nome - em toda sua sagrada exigência, sob o rosto vulnerável como o pobre, o miserável
e o caído pelo caminho.
Enrique Dussel
SUMÁRIO
Apresentação
Introdução
CAPÍTULO I: VIDA E OBRAS
1. A infância
2. A Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa
3. Os estudos de filosofia
4. A Segunda Guerra Mundial e o cativeiro
5. O projeto filosófico pessoal
CAPÍTULO II: A INSTRUMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICA
1. Heidegger e a ontologia existencial
2. Husserl e a fenomenologia transcendental
3. Contexto, crítica e arquitetura
4. A fenomenologia na leitura levinasiana de Husserl
CAPÍTULO III: A ONTOLOGIA E A RELAÇÃO COM O OUTRO
1. A ontologia, a existência e o tempo
2. A saída do ser e o bem
3. O tempo e a relação com o Outro
CAPÍTULO IV: TOTALIDADE, EXTERIORIDADE E INFINITO
1. Preâmbulo
2. A idéia de infinito, o mesmo e o outro
3. A economia do ser-no-mundo e a transcendência
4. O rosto e a ética como filosofia primeira
CAPÍTULO V: O "DIFERENTEMENTE" DO SER
1. A essência e o "des-inter-esse"
2. O dizer e o dito
3. A proximidade: subjetividade sensível e singularizada
4. A subjetividade e a substituição
Conclusão
Bibliografia
Obras de Emmanuel Lévinas
Obras de outros autores
Cronologia
Vida e obras de Emmanuel Lévinas
|