"Ninguém está livre de sofrimento enquanto nada
na torrente da vida. Portanto, só posso repetir: não se preocupe comigo. Sigo o meu caminho e carrego
o meu fardo tão bem quanto possível. (...) Não existe nenhuma dificuldade em minha vida que
não seja exclusivamente eu mesmo. Ninguém deverá carregar-me enquanto eu puder manter-me sobre
meus próprios pés." (carta a Frances Wickes, de 06.11.1926)
Os três volumes das cartas de C. G. Jung contêm aproximadamente 1.000 cartas de cunho sobretudo científico.
Cada um dos volumes é provido de um aparato científico bastante completo: muitas notas explicativas
de caráter objetivo e pessoal, remissões às obras de Jung e citação de trechos
de cartas por ele recebidas ajudam a compreender as demais obras de Jung.
O primeiro volume começa com as cartas do tempo em que Jung ainda não se separara da escola psicanalítica,
com cartas a Karl Abraham, Sandor Ferenczi, Sigmund Freud e outros membros do círculo freudiano daquela
época. Há cartas de Jung a sua filha Marianne, quando ela tinha apenas oito anos, a Herman Hesse,
ao conde Keyserling (com algumas interpretações muito interessantes a sonhos), a Rudolph Pannwitz,
James Joyce e Alfred Kubin. Cartas a teólogos e pastores esclarecem o ponto de vista de Jung quanto à
questão da fé. Em outras cartas estão as impressões e conhecimentos que Jung obteve
em suas viagens à Índia, África e América. Merecem ser lembradas as cartas ao indólogo
Heinrich Zimmen, ao sinólogo Richard Wilhelm e ao pesquisador dos mitos Karl Kerényi, bem como ao
seu amigo Albert Oeri. Uma carta, extraída da vasta correspondência com o físico Wolfgang Pauli,
trata do problema, suscitado por Pascual Jordan, da clarividência; e uma carta ao próprio Pascual
Jordan fala da relação entre física e psicologia e da sincronicidade. A correspondência
com o parapsicólogo J. B. Rhine é de importância fundamental. Enfim, há muitas cartas
a destinatários que não quiseram ser identificados.
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