NIETZSCHE E DELEUZE PENSAMENTO NÔMADE

Daniel Lins (orgs.)


RELUME DUMARÁ - 2001 - 223 págs.

Este livro reúne trabalhos apresentados no Segundo Simpósio Internacional de Filosofia Nietzsche e Deleuze - Pensamento Nômade realizado em Fortaleza, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de 22 a 26 de outubro de 2000. O presente evento, organizado pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas da Subjetividade (LEPS) da Universidade Federal do Ceará, foi financiado pela Secretaria da Cultura e desporto do Estado do Ceará.

O Laboratório de Estudos e Pesquisa da Subjetividade, ao escolher dois grandes nomes da Filosofia do Devir e da Diferença, optou por pensadores que abordam as subjetividades para além da identidade e do espaço binário - casal mal-dito -, o que supõe um longo trabalho, uma elaboração artística ancorada no desejo e na vontade vida. Apontar os paroxismos, é um dos axiomas primordiais do Pensamento Nômade, da Filosofia da Diferença, inclusive quando esses emergem em nome da Lei Sagrada, soberana: em nome da Natureza, da defesa da democracia, da “pureza” contra a “impureza”, ou ainda quando exalta os prestígios do sangue e louva a violência do sagrado. É neste sentido que não se pode pensar Nietzsche ou Deleuze fora do contexto político, fora da defesa da vida instaurada como Vontade de Potência positiva em detrimento de uma ética niilista, letal, acobertada pela estética da morte, pelo “viva la muerte”: a morte sendo sempre a morte do outro. Anular a alteridade para massificar a morte, a morte anônima, a morte de todos “por causa de um”, é da ordem da denegação acoplada à economia das máquinas de guerra psicóticas. Economia da morte, pois, sob o signo do Poder que tudo pode: poder de morte e de vida. Mas, é possível, no presente contexto, falar ainda de Poder? Não. A Lei neste caso não é mais Poder, porém Onipotência, Todo-Poderoso. Para Blanchot, Onipotência (toute-puissance) significa que “nada mais existe, a não ser a própria Lei; e que o alvo contra o qual ela se exerce não é nada: não é humanidade, apenas mitos, monstros, fascinações”.
O Laboratório de Estudos e pesquisa da Subjetividade ao apresentar os textos aqui reunidos, assinados por grandes nomes da Filosofia contemporânea e experimentadores dos devires, acredita ter contribuído à circulação de um pensamento-outro, pensamento que louva a vida.

Pensamento-outro que resiste às determinações da falta, da culpa e da cartografia da penitência que fazem os ocidentais reféns de um luto - em si grave, demente e profundamente lamentável - transformando a “humanidade” em réus, culpados, sob a lógica de um nacionalismo burocrático inserido na política das confissões: você é criminoso antes de ter cometido o crime!
SUMÁRIO:

Prefácio

Nietzsche e o riso: por uma “gaya scienza” - Alexandre Ferreira de Mendonça

Deleuze e as virtualidades da narrativa cinematográfica - André Parente

Política da dobra e cuidado de si ou Foucault deleuziano - Antonio Cristian Saraiva Paiva

Comemoração e ressonância - Aurélio Guerra Neto

O rosto do outro: ficção e fabulação no cinema segundo Deleuze - César Guimarães

O que é isto - filosofia pop? - Charles Feitosa

Sujeitos e devires: o corpo-drogado - Daniel Lins

Nietzsche, ou de como se livrar do “dogma da imaculada percepção” - Eduardo Diatahy B. De Menezes

Os liames entre Nietzsche e Fernando Pessoa - Francimar Duarte Arruda

O silêncio do exterior: Deleuze, Lacan, a literatura e a vida - Lúcia Castello Branco

A potência do simulacro: Deleuze, Nietzsche e Kafka - Maria Cristina Franco Ferraz

Filosofia...arte...vida! - Martha Solange Perrusi

O gênio e a música de Wagner no Humano,
demasiado humano de Nietzsche - Rosa Maria Dias

Pensar e viver: problema micropolítico de orientação e de construção - Sylvio de Sousa Gadelha Costa

Aprendizagem, arte e invenção - Virgínia Kastrup

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