"Com Freud, sem Freud, às vezes contra Freud, Mal de arquivo
evoca sem dúvida um sintoma, um sofrimento, uma paixão: o arquivo do mal; mas também aquilo
que arruina, desvia ou destrói o próprio princípio do arquivo, a saber, o mal radical. Levanta-se
então infinito, fora de proporção, sempre em instância, em 'mal de arquivo', a espera
sem horizonte acessível, a impaciência absoluta de um desejo de memória."
Nesta virada de século, o pensamento, confrontado com desconcertantes e inauditos cenários, vê-se
instigado a estabelecer conexões capazes de produzir um novo solo para a reflexão filosófica
e a criar redes conceituais suficientemente potentes para acolher a complexidade específica à situação
atual. Conectando diversos tempos, atravessando diferentes campos do pensamento, configurando novos objetos de
investigação, procurando, enfim, ultrapassar os limites do até então pensável,
os textos publicados nesta coleção contrapõem à velocidade contemporânea e a
seus previsíveis efeitos de desmobilização da reflexão crítica, o ritmo paradoxalmente
denso e leve de um pensamento que, afeito à criação, identifica falsos problemas, questões
mal colocadas, e aposta na perda de parâmetros como um verdadeiro convite à alegria de sua própria
reinvenção.
Jacques Derrida nasceu na Argélia, em 1930. Em 1952, iniciou seus estudos em Filosofia na École Normale
Supérieur, em Paris, onde lecionou entre 1965 e 1984, após ter ensinado durante quatro anos na Sorbonne.
Desde o início da década de 70, leciona também em diversas universidades americanas. Em 1983,
fundou, em Paris, o Colégio Internacional de Filosofia. No mesmo ano, foi eleito para a École pratique
des Hautes Études, na área de Ciências Sociais.
Autor de uma obra extremamente ampla e diversificado, Derrida é um dos pensadores contemporâneos que
mais tem investido, tanto por seu estilo quanto pelas questões que levanta, contra novas e antigas formas
de ortodoxia. Entre seus livros publicados no Brasil estão Espectros de Marx (Relume Dumará, 1994),
A escritura e a diferença (Perspectiva, 1972), A farmácia de Platão (Iluminuras, 1997) e O
olho da universidade (Estação Liberdade, 1999).
SUMÁRIO
Exergo
Preâmbulo
Anteproposta
Teses
Post-scriptum
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