DIFERENÇA E NEGAÇÃO NA
POESIA DE FERNANDO PESSOA

José Gil

RELUME DUMARÁ - 2000 - 137 págs.


“Enfim, cabe interrogar-nos sobre a extraordinária convergência de pensamento entre Pessoa e Deleuze. Creio que ambos visavam os mesmos objetivos: acabar com a transcendência metafísica (pelo menos num certo Pessoa), pensar e escrever (produzindo multiplicidades) na imanência. Como é que este projeto, concebido e realizado em dois campos diferentes, o da poesia e do da filosofia, foi possível tem certamente a ver com as tendências especulativas de Pessoa, e o amor de Deleuze pela literatura. Mas há talvez uma razão mais funda: se os dois convergiram para o mesmo plano de imanência do pensamento, foi porque um e outro levaram ao seu limite extremo o projeto (poético e filosófico) da modernidade.”

“Nascido em Moçambique, em 1939, José Gil formou-se em Filosofia em Paris. É professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e ministrou seminários no Collège International de Philosophie. Seu trabalho incide essencialmente sobre a estética e sobre a poética de Fernando pessoa, tendo uma intervenção freqüente na escrita de arte que se faz em Portugal. Faz também uma investigação sobre o corpo, sobre as transformações que atualmente múltiplos dispositivos estão operando nele, e recorre sobretudo a Gilles Deleuze, encontrando no filósofo uma fonte inesgotável de inspiração. Em Portugal já publicou: Fernando Pessoa ou a metafísica das sensações (1987); O espaço interior (1994); Os monstros (1994); A imagem-nua e as pequenas percepções (1996); Metamorfoses do corpo (1998 - 2ª ed.). E os romances A crucificada (1986) e Cemitério dos prazeres (1990).”

SUMÁRIO

Nota introdutória: pessoa e deleuze
O que é ver?
O Egito e a escrita heteronímica
Da diferença à negação
A infância do devir-outro
O Fora absoluto
A construção do plano de imanência
Nota sobre ontologia e metafísica na poesia de Pessoa

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