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“ A alegria é aqui tematizada em sua mais alta
potência, como expressão direta e inocente de uma radical adesão ao viver, como experiência
de uma plenitude que, bastando-se a si mesma, é capaz de celebrar o aspecto efêmero da vida, sua finitude,
seu teor sempre-cambiante. Esse gozo incondicional da vida revela-se como rigorosamente impensável para
uma tradição filosófica que, de Platão a Heidegger, preconizou o afastamento desta
existência fugidia como via de acesso à verdadeira felicidade, freqüentemente associada a um
desejo de imobilidade, de eternidade, de imortalidade. Ora, a alegria de estar vivo não cessa de escapar
a toda a argumentação e, como força maior que atravessa a obra de Nietzsche, implica um conhecimento
trágico, uma aceitação integral dos aspectos perigosos, problemáticos e enigmáticos
da existência, expressando-se, em termos nietzschianos, como beatitude e amor fati diante de tudo o que existe
e nos acontece.”
“Nesta virada de século, o pensamento, confrontado com desconcertantes e inauditos cenários, vê-se
instigado a estabelecer conexões capazes de produzir um novo solo para a reflexão filosófica
e a criar redes conceituais suficientemente potentes para a colher a complexidade específica à situação
atual. Conectando diversos tempos, atravessando diferentes campos do pensamento, configurando novos objetos de
investigação, procurando, enfim, ultrapassar os limites do até então pensável,
os textos publicados nesta coleção contrapõem à velocidade contemporânea e a
seus previsíveis efeitos de desmobilização da reflexão crítica, o ritmo paradoxalmente
denso e leve de um pensamento que, afeito à criação, identifica falsos problemas, questões
mal colocadas, e aposta na perda de parâmetros como um verdadeiro convite à alegria de sua própria
reinvenção.”
“Clémente Rosset é professor titular de Filosofia da Faculdade de Letras e Ciências Humanas
da Université de Nice - Sophia Antipolis, França, e do Centre de Recherches d’Histoire des Idées,
da mesma universidade. É ‘agregé’ e Doutor em Filosofia. Foi professor de Filosofia em Montreal (Canadá).
Foi aluno da École Normal Supérieur (Paris). É autor mundialmente consagrado e traduzido em
diversas línguas. Tem quatro obras lançadas no Brasil: A anti-natureza (Espaço e Tempo, 1989);
Princípio de crueldade (Rocco, 1989); Lógica do pior (Espaço e Tempo, 1989) e O real e seu
duplo: ensaio sobre a ilusão (L&PM, 1999). Na França, publicou: Le réel (1977), L’objet
singulier (1979); L’esthétique de Schoppenhauer, philosophe de l’absurde (1989); Principes de sagesse et
de folie (1991); La philosophie tragique (1991); Le choix des mots (1995); Le démon de la tautologie (1997);
Route de nuit (1999) e Loin de moi (1999).”
SUMÁRIO
A força maior
Sobre Nietzsche
Prólogo
Beatitude e sofrimento
Nietzsche e a música
A alegria musical
Superfície e profundidade
A gaia ciência
Nietzsche e a moral
O eterno retorno
Post-scriptum: O descontentamento de Cioran
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