Stefan Zweig

O MUNDO QUE EU VI
Tradução Lya Luft
1999 - 527 págs.
EDITORA RECORD
| “Por três vezes derrubaram minha casa e existência, apartaram-me
de tudo o que existira e passara, e com uma veemência dramática lançaram-me no vazio, no conhecido
‘Não sei para onde ir’. (...) De todo o meu passado, não tenho comigo, pois, nada além do
que está atrás de minha testa. Todo o resto está inalcançável para mim neste
momento ou foi perdido. (...) Portanto, falem e escolham em meu lugar lembranças minhas, e dêem pelo
menos um reflexo de minha vida antes que ela mergulhe na escuridão.” “Muitas coisas tiveram de acontecer, infinitamente mais coisas do que habitualmente ocorrem numa só geração e, fatos, catástrofes e provações, para eu sentir coragem de começar um livro que tem o meu eu como ponto principal, ou melhor, como centro. O que para alguns é um mero exercício de vaidade, para Stefan Zweig é um legítimo exercício de reconstituição da própria identidade, abalada pela onipresente ameaça nazista e pelo exílio e viagens nem sempre voluntárias pelo mundo. ‘Nada do antigo permaneceu’, constata ele chocado com a aterrorizante impossibilidade de dizer: minha vida. Afinal, pergunta ele: ‘Qual de minhas vidas?’ O mundo que eu vi é o relato de um homem perplexo com tudo o que acompanhou. Foi festejado e banido, livre e não livre, rico e pobre. ‘Todos os lívidos cavalos do Apocalipse dispararam pela minha vida’, relembra. Revoluções e fome, o terror, epidemias, migrações, o fortalecimento do totalitarismo. O retrocesso da humanidade à barbárie no mesmo século em que o avião conquistou os ares, a palavra pode se propagar em segundos pelo planeta, o homem triunfou sobre as doenças. Este é um inventário do que o autor conseguiu reter na memória, de uma perspectiva privilegiada, pois, como Zweig diz, sempre esteve, ‘onde esses tremores de terra tinham os seus efeitos mais violentos’: como austríaco, judeu, escritor, humanista e pacifista.” SUMÁRIO Prefácio O mundo da segurança A escola no século passado Eros matutinus Universitas viate Paris, cidade da juventude eterna Desvios no caminho para mim mesmo Para além da Europa As primeiras horas da guerra de 1914 A luta pela fraternidade intelectual No coração da Europa Voltado para a Áustria Outra vez no mundo Crepúsculo Incipit Hitler A agonia da paz Índice |
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