Elisabeth Reynaud



TERESA DE ÁVILA OU O DIVINO PRAZER


2001 - 361 págs.

"Que nada te perturbe / que nada te apavore / tudo passa / só Deus não muda / a paciência tudo alcança / quem tem a Deus / nada lhe falta / só Deus basta" Santa Teresa de Ávila


A convocação dos amores impossíveis entre o corpo e o espírito forjou o carisma de Santa Teresa de Ávila. Uma das personagens mais cultuadas do cristianismo, ela transformou os conceitos de oração e meditação, no século XVI, em plena Inquisição, com suas experiências de êxtase místico. Os conhecimentos e o legado da jovem aristocrata espanhola, líder da reforma que restaurou a austeridade e o caráter contemplativo da ordem das carmelitas, levaram o papa Paulo VI a conceder-lhe o título de doutora da igreja, em 1970.

Santa Teresa deixou uma obra de cinco mil páginas em forma de cartas, em prosa ou verso, em que se destacam O livro da vida, O caminho da perfeição, O castelo interior e Fundações, e um método completo de oração. Além de resgatar a história desta religiosa, Elisabeth Reynaud traça o retrato de uma época - à opulência da Espanha renascentista contrapõe a reprodução das desigualdades sociais nos mosteiros, relacionando os sistemas de dotes e o poder das famílias nobres na vida monástica - e recria as cenas dos sacrifícios nas fogueiras, destino dos falsos santos apanhados pelo Santo Ofício.

Denunciada como neta de judeu convertido, Teresa de Cepeda y Ahumada (1515-1582) assim como seu amigo São João da Cruz, explorou os limites entre o prazer e as práticas espirituais. Disposta a combater a descaracterização da religiosidade, Santa Teresa denunciava: "São assim necessários mais mistérios para falar da amizade com Deus do que para discorrer sobre certas relações, certas afeições que o demônio faz surgir no seio de um mosteiro."

Com a Contra-Reforma reagindo ao cisma luterano, Roma acolhia os movimentos de recuperação das ordens religiosas em decadência. Teresa fundou quinze mosteiros, que deram origem à ordem das carmelitas descalças. Multiplicaram-se pelo mundo, somando mais de 830. A cidade de Ávila, na Espanha, tornou-se um dos destinos do turismo católico.

Canonizada em 1622, as visões e as práticas de Santa Teresa permanecem ainda hoje como objeto de estudos teológicos, psicanalíticos e metafísicos.

Elisabeth Reynaud é romancista e ensaísta. Dedicou quinze anos de estudos e pesquisas à vida e obra de Santa Teresa de Ávila.

SUMÁRIO

Introdução

Prólogo

PRIMEIRA PARTE: "TUDO É NADA"

I. A Espanha do Século de Ouro: o turbilhão das potências

II. Ávila, terra de rochas, santos e cavaleiros

III. Vestidos escarlates e tecidos carmesins

IV. Uma infância apaixonada

V. A bela adolescente
Sedução e vaidades

VI. A ruptura
Lágrimas amargas
O cavaleiro não veio

VII. As epístolas de são Jerônimo
Na casa do tio Pedro

VIII. A beldade de saia de seda alaranjada
Um salto no vazio

IX. O mosteiro de Nossa Senhora da Encarnação

X. A dor do sacrifício
Dar tudo sem hesitar
Pálida como a morte

XI. Segundo encontro
Aprendizado da oração
O jovem padre enfeitiçado

XII. Ida e volta ao céu
Uma doença prolongada
A alegria da cura
Marcada para sempre

XIII. Locutórios da Encarnação - Dissipação
Famosa e bem instalada
Ainda o amor

XIV. O doce fidalgo
Entre o fidalgo e Deus
E o velho cavaleiro entregou a alma

XV. A morte ronda
Tudo, exceto o "mais ou menos"

SEGUNDA PARTE: NÚPCIAS DE LUZ

I. A Inquisição
Os gritos da grande Catarina

II. Primeiros deslumbramentos

III. Aprendizado da oração
Eclosão de um primeiro ensinamento

IV. "Indizíveis delícias"
Êxtase, gozo: palavras perigosas

V. Ímpetos amorosos
O êxtase como redenção

VI. Para alcançar este tesouro, é preciso renunciar a tudo
Sofrimento e desejo

VII. Ante seus juízes

VIII. Revolta

IX. Dizer o indizível
Diagnóstico preocupante

X. O anjo do dardo de fogo

XI. "Tu me atormentas de maneira admirável"

XII. O homem de Deus
Olhos como dois diamantes

XIII. As obras de Satã
Ela mal aprendeu a andar, e já querem que voe

XIV. O sonho do silêncio
Um sonho absurdo?
Um apoio na tormenta

XV. Mentiras piedosas

XVI. Interlúdio em Toledo
Um dia de História - Num palácio

XVII. Maria de Jesus: cavaleiro da Pobreza

XVIII. Últimas vontades do padre Pedro de Alcântara
Retorno à Ávila

XIX. Um novo convento na cidade dos mosteiros
Quatro rostos aureolados de luz
Solidão, trabalho e oração

XX. "Gravíssima culpa"

XXI. Primeira tempestade
Processo na corte real de Madri

TERCEIRA PARTE: "o AMOR QUER OBRAS"

I. O caminho da perfeição

II. Visões, êxtases, esplendores: tudo dizer, tudo escrever

III. Elogio da loucura
Atrocidades nas Índias. Ela quer oferecer sua vida

IV. "A Dama errante de Deus"
Uma ruína como convento

V. Juan de Santo Matia
Duquesas e nobre companhia

VI. Duruelo
João da Cruz

VII. Toledo
A terrível princesa de Éboli

VIII. As fundações interrompidas
A temível missão

IX. O santo na gaiola
O Cântico dos Cânticos

X. A extravagante duquesa

XI. Jerônimo Graziano: últimas fraquezas

XII. Pelas estradas ardentes de Andaluzia

XIII. Sevilha, a andaluza bela demais
A volta do irmão fiel

XIV. Toledo. Um castelo de diamante

XV. Mas também a ternura humana

XVI. Detenção de João da Cruz
A noite escura

XVII. Altas horas da noite

XVIII. Os caminhos da cruz
Vitória final
O diabo não descansa
"A hora tão desejada chegou finalmente"

Mapa: As fundações de Teresa de Ávila

Notas

Bibliografia

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