André Maurois


ARIEL OU A VIDA DE SHELLEY


197 págs.


"Eu estava irritado com o adolescente que fui, e indulgente, pois sabia que não poderia ter sido diferente. Eu desejava ao mesmo tempo expor; condenar e explicar: Ora, Shelley, conhecera os mesmos fracassos, com cem vezes mais grandeza e graça, mas por razões bastante próximas... Em lugar do orgulho e das certezas da adolescência, surgia em mim uma necessidade viva de piedade, de humildade, e nisso também me identifiquei com Shelley: o dos últimos dias... Sim, na verdade o tema me pareceu admirável." André Maurois

Embora Shelley seja um dos nomes mais conhecidos da literatura inglesa, sua obra poética foi persistente e intencionalmente desprezada. Seu gênio sofre nas mãos dos moralistas vitorianos. Só em nosso século seu trabalho obteve o reconhecimento devido.

Filho mais velho de pais ricos, foi mandado para Eton e Oxford com a garantia de uma carreira no parlamento ou de uma vida nababesca como latifundiário. Shelley, no entanto, optou por rejeitar essas facilidades do século XVIII. Viu-se, ao contrário, como o herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa e inimigo de todas as ortodoxias religiosas, sociais e políticas de sua classe social. Seus heróis foram Condorcet, Tom Paine, William Godwin e Mary Wollstonecraft, e começou sua carreira de escritor atacando a opressão e fazendo prognósticos visionários para um futuro melhor.

Em sua vida pessoal, também descartou a convenção. Sua rejeição ao dogma cristão e a defesa da liberdade sexual alienaram-no de sua família e da respeitável sociedade da época, e contribuíram para o seu exílio na Itália. Para muitos, ele era uma figura perigosa; mas para os amigos - entre eles Byron, Peacock e Leigh Hunt - suas excentricidades eram parte de uma natureza essencialmente admirável. E ninguém que algum dia o tenha encontrado poderia jamais esquecê-lo.

Afogou-se na costada Itália em 1822, aos 29 anos de idade. Nos últimos sete anos de vida, escreveu uma série de versos líricos, odes, poemas contemplativos e políticos. Eles mostram um homem em luta com seu próprio temperamento e em busca de um sistema de idéias capaz de reconciliar sua fé na bondade humana com a evidente brutalidade do mundo.

André Maurois (1885-1967) nasceu em Elbeuf, no seio de uma família de industriais emigrados da Alsácia. Foi brilhante aluno do liceu de Rouen, onde fez o curso do filósofo Alain, a quem sempre considerou seu mestre.
Depois da guerra e do sucesso de Silences du colonel Bramble, abandonou a indústria para se consagrar à literatura. Sua carreira foi coroada de êxitos excepcionais nos mais diversos gêneros: tornou-se romancista, ensaísta, biógrafo e historiador.
Sua vocação literária só se compara à de pedagogo, aparecendo como um dos últimos grandes humanistas. Era membro da Academia Francesa desde 1938.

SUMÁRIO

PRIMEIRA PARTE
I. O Método do Dr. Keate
II. A Casa
III. O Confidente
IV. O Pinheiro Vizinho
V. "Quod Erat Demonstrandum"
VI. Vigorosa Dialética de Mr. Timothy
VII. Academia de Moças
VIII. A Cadeia Horrorosa
IX. Criancices
X. Quem era Hogg
XI. Quem era Hogg (continuação)
XII. Primeiros encontros com a Idade Madura
XIII. Bolhas de Sabão
XIV. O Venerável Amigo
XV. Quem era Miss Hitchener
XVI. Quem era Harriet
XVII. Comparações
XVIII. Segunda Encarnação da Deusa

SEGUNDA PARTE
I. Uma Excursão de Seis Semanas
II. Os Párias
III. Quem era Godwig
IV. Don Juan Conquistado
V. Ariel e Don Juan
VI. Túmulos no Jardim do Amor
VII. As Regras do Jogo
VIII. "Rainha de Mármore e Lama"
IX. O Cemitério Romano
X. "Any Wife to Any Husband"
XI. "Cavaliere Servente"
XII. R. B. Hoppner a Byron
XIII. Silêncio de Lorde Byron
XIV. Miranda
XV. Os Discípulos
XVI. Samuel XIII, 23
XVII. O Refúgio
XVIII. Ariel Libertado
XIX. Os últimos Anéis

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