“Achei o livro fascinante. A coisa mais curiosa é que é
de se supor que, em um romance dedicado à paixão por uma partitura, o leitor que não conhece
a música em geral e Chopin em particular se sentiria perdido. Não é verdade. O livro de Cotroneo
é como um romance de aventura que descreve uma terra desconhecida: o leitor que antes não a conhecia,
ao final do livro fica completamente familiarizado com este universo. Ficaria feliz se esta obra fosse traduzida
para outras línguas porque, além de ser uma leitura apaixonante, é um ótimo exemplo
da nova tendência narrativa em nosso país.”
Umberto Eco
“Presto con fuoco é uma notação musical: sinônimo de velocidade, força, intensidade
e, sobretudo, de paixão. É a história apaixonada de um pianista envolvido com um misterioso
cidadão russo que afirma possuir um manuscrito desconhecido da Quarta Balada de Chopin, variante criada
para uma jovem mulher, uma paixão secreta. Inicialmente narrada em 1995, a história volta a 1849,
ano da morte do compositor, e segue a trajetória do manuscrito, da Paris do Romantismo à moscou de
Stalin no final da década de 1940, passando pela Berlim nazista. A leitura desta partitura esquecida revela
a paixão em Chopin e a do próprio protagonista, como se fossem orquestradas por um deus musical que
acompanha e guia cada acontecimento. Entre a partitura conhecida e o manuscrito, existe um mundo construído
pela obsessão do músico, que nos adverte: é preciso ter paciência com Chopin, demasiada
paciência: há quem com ele enlouqueça.
Presto con fuoco é uma história surpreendente, um livro diferente de toda e qualquer obra literária
publicada na Itália nos últimos anos. Numa construção narrativa que parece uma catedral
musical, as notas e as partituras revelam ao leitor um mundo inacessível, no qual o protagonista - último
intérprete de um virtuosismo destinado a extinguir-se com ele - descobrirá uma ordem em suas emoções
e um sentido oculto em toda a sua vida à medida que consulta, quase como que a um oráculo, aquelas
notas de Chopin, escritas como se fossem uma milagrosa ‘caligrafia das paixões’. Uma leitura que tenta preencher
um vazio descritivo da impossibilidade de narrar uma partitura. ‘Quem poderá saber o quanto pesa emotivamente
a passagem de um dó menor para um fá menor?’ Consome-se o virtuoso ouvindo as notas não como
passageiras, mas como notas errantes, como se recolhessem idéias à deriva da loucura de um Presto
con fuoco.”
“Roberto Cotroneo nasceu em Alexandria, em 1961. Responsável pelas páginas culturais do jornal L’Expresso,
Cotroneo publicou, em 1994, Se una mattina d’estate un bambino: Lettera a mio figlio sull’amore per i libri (traduzido
em quatro línguas) e um ensaio sobre a narrativa de Umberto Eco, La diffidenza come sistema.”
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