GRAMÁTICAS DO EROTISMO

Joel Birman


253 págs. - 2001


Civilização Brasileira


"A totalidade desta pesquisa pretende confluir para a leitura do discurso freudiano nas suas diferentes interpretações formuladas sobre a histeria, a diferença sexual e a feminilidade. O objetivo é, portanto, mostrar as ambigüidades que permearam aquele discurso no que concerne a tais problemáticas, mas que lhes são, em contrapartida, constitutivas e fundamentais. pretendo mostrar, sobretudo, a presença, no discurso freudiano, de diferentes gramáticas de erotismo, de maneira que a leitura da sexualidade feminina fundada na figura do falo estabelece uma relação de paradoxo e ambigüidade com o conceito freudiano de feminilidade."


Uma das críticas mais contundentes à psicanálise surgiu do feminismo, e seu principal alvo foi a teoria freudiana da sexualidade. A tese das feministas é que ela incorporava de forma ingênua a idéia de uma hierarquia natural entre os sexos, com as conseqüências inaceitáveis que essa premissa acarreta. A não-compreensão do caráter histórico desta hierarquia, fundada numa ontologia dos sexos tecida no processo de constituição da modernidade ocidental, teria levado Freud a adotar uma visão patriarcalista e essencialista da feminilidade e do feminino, ou seja, politicamente conservadora e teoricamente equivocada.

Em Gramáticas do erotismo, Joel Birman leva esta crítica a sério. Ao invés de refutá-la de imediato, admite sua pertinência e faz dela o ponto de partida para uma releitura criativa e vigorosa do texto freudiano, que reorganiza os termos do debate.
Para isto ele se utiliza de dois procedimentos: o primeiro é a reconstrução dos caminhos percorridos por Freud desde as formulações iniciais acerca da sexualidade feminina nos trabalhos sobre a histeria até a formulação tardia de feminilidade. A esta leitura epistemológica se acrescenta uma segunda, de caráter genealógico, que procura dar conta dos contextos em que esta trajetória foi construída, ou seja, das condições de possibilidade - não apenas teóricas mas antropológicas e históricas - que marcaram o pensamento freudiano sobre a sexualidade e seu lugar nas formas de subjetivação.

Joel Birman consegue deslocar os padrões habituais de interpretação do texto freudiano sobre o feminino, e constrói um novo roteiro para sua leitura. Nele, os avanços e recuos efetivamente encontrados nas formulações freudianas sobre a feminilidade deixam de ser tomados como inconsistências teóricas ou arcaísmos datados. Na realidade, eles testemunham sua relação complexa - de assimilação e resistência - com os horizontes teóricos de seu tempo. Desta perspectiva surge a originalidade do percurso do autor.

A tese central deste livro instigante é a de que o conceito de feminilidade permite que leiamos Freud como tendo produzido não uma solução para as questões colocadas pela descrição moderna da diferença sexual, mas uma reconfiguração desta própria questão. As contradições e paradoxos das descrições freudianas surgem, nesta interpretação, como diferentes gramáticas do erotismo no campo da subjetivação, substituindo as tradicionais representações totalizantes, essencialistas e ou unívocas da sexualidade.

Benilton Bezerra Jr.
(professor do Instituto de Medicina Social da UERJ)


SUMÁRIO

I. Um passo à frente e dois atrás?

II. Do sexo único à diferença sexual

III. Padecem as mães no paraíso?

IV. Erotizar ainda é possível?

V. Possuídos, nervosos e degenerados

VI. Uma desconstrução do biopoder?

VII. Nem tudo são flores

VIII. Um lance de dados?

Bibliografia citada


Editora Record
Rua Argentina 171 - Rio de Janeiro - RJ
20921-380
Tel.: (0XX) 21 585-2000

Pedidos pelo reembolso postal

Caixa Postal 23.052
Rio de Janeiro, RJ - 20922-970

www.record.com.br


www.rubedo.psc.br | Início | Revista de Literatura | Editora Record