Dasso Saldívar



GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ VIAGEM À SEMENTE

Uma biografia

Tradução de

Eric Nepomuceno


2000 - 499 págs.


Leia o capítulo doze


“O jornalista, que investiu vinte anos de sua vida neste trabalho, produziu um minucioso estudo que inclui entrevistas, testemunhos, anedotas. (...) Saldívar relaciona cada paisagem, personagem ousituação com a vida de Gabriel García Márquez. Um trabalho amplo que encantará os fãs do escritor.”

El País

“Leitura cativante. Esta biografia é lida como um romance e como u manual da história da A,mérica Latina e da Colômbia.”

Frankfurter Rundschau

“É um trabalho enorme e rigoroso, e Saldívar desenha minunciosamente todas as etapas da vida deste Prêmio Nobel.”

Stadt Revue


“Viagem à semente é fruto de uma obsessão: o crítico literário Dasso Saldívar levou vinte anos investigando a vida de Gabriel García Márquez para descobrir quem verdadeiramente é o ‘mago’ de Aracataca e conhecer o ponto de partida e os caminhos que o levaram a escrever Cem anos de solidão.

Para tanto, Dasso Saldívar reconstituiu a vida do escritor, principalmente sua infância. Descobriu, no passado do Prêmio Nobel de 1982, uma criança tímida e solitária, que nasceu e viveu, até os 10 anos, na enorme casa dos avós maternos, habitada por tias, primas e pelos fantasmas da família. Durante a pesquisa, Saldívar registrou o despertar das vocações jornalísticas e literária, enquanto o escritor colombiano crescia em meio às superstições e ‘crendices de mulher’, como seu avô costumava dizer toda vez que flagrava Gabito assustado demais com alguma das histórias contadas por uma das mulheres que moravam na casa.

Nesta infância rica em narrativas fantásticas, muitas delas inventadas pela avó Tranquilina, o biógrafo encontrou a alma dos Buendía. ‘Meus avós e As mil e uma noites são minhas maiores influências literárias. Não há nada que eu tenha escrito que não tenha conhecido ou ouvido até os meus oito anos de idade,’ reconhece García Márquez.

Refém de lembranças, García Márquez pôs-se a escrever, dia após dia, durante quatorze meses.

Recluso em um espaço mínimo, de três metros de comprimento por dois de largura, em um estúdio que denominou ‘a Cova da Máfia’, ele criou o romance Cem anos de solidão.”


O jornalista e crítico literário Dasso Saldívar nasceu em San Julían, Colômbia, em 1951. Depois de abandonar o curso de Direito em seu país, graduou-se em Ciências Políticas pela Universidad Complutense de Madrid. Foi colaborador de jornais como
El País e El Espectador, com passagens por revistas como Cuadernos Americanos e Afrique-asie e programas culturais da televisão espenhola.


SUMÁRIO

CAPÍTULO UM: O regresso à semente. Barrancas: a semente da semente. Os Márquez Hernández que chegaram da Espanha. O pacífico joalheiro Nicolás Márquez. A Guerra dos Mil Dias. Ninguém escreve aos coronéis. O duelo de Nicolás Márquez e Medardo Pacheco. O êxodo Márquez Iguarán.

CAPÍTULO DOIS: Na terra promissão. Aracataca e os chimilas. As explorações de Jorge Isaacs. O bezerro de outro dos bananais. A United Fruit Company. O trem e a “folharada”. A nova Sodoma. A Noite de Aracataca. A peste dos gafanhotas e outras pestes. O massacre dos bananais. O dilúvio de 1932.

CAPÍTULO TRÊS: O telegrafista e a filha do coronel. O namoro do livro. O nascimento anunciado. Bolívar em Barranquilla. Primeiro encontro com a mãe. A casa natal. À sombra da avó Tranquilina. As tias Wenefrida, Elvira e Francisca. Gabito e o avô Nicolás. De O Morto às almas penadas: personagens do povoado. Macondo, o duende milenar. Do desenho ao alfabeto. Rosa Elena Fergusson e a escola Montessori. As mil e uma noites. Transumância dos García Márquez. Morte do avô Nicolás. Adeus a Aracataca. Um turbilhão de lendas.

CAPÍTULO QUATRO: O primeiro grande salário de Gabriel. Conclusão da escola primária. De Barranquilla a Sucre. Desencontro com o pai. Pela mão de Erêndira. Fim da infância. Primeiro regresso a Aracataca. Começo do curso secundário no Colégio San José. “O velho” de treze anos. A Segunda Divisão. Revista Juntentud. Primeiras crônicas e versos. Um “mamgalista” muito sério.

CAPÍTULO CINCO: Indo conhecer o frio. “O rio da vida”. Aprendendo a dormir em Bogotá. O momento mais grave de sua vida. Uma bolsa de estudos a troco de um bolero. Zipaquirá. O Liceu Nacional de Rapazes. O tigre da rifa. O sarampo literário. Piedra y Cielo. O reitor Carlos Martín. O Grupo dos Treze. Primeiros passos jornalísticos: a Gazeta Literária. O professor Carlos Julio Calderón. O fazedor de poemas. Primeiro conto. Um desenhista singular.

CAPÍTULO SEIS: O estudante de Direito. A Atenas Sul-americana. Um peregrino de bares e cafés. Os amigos cachacos. “La Vida Universitaria”. “O caso perdido”. O bonde dos versos. O fauno do bonde. Uma noite de vigília com Kafka. “A terceira resignação”. A profecia de Ulisses. Na trilha de Xerezade, Kafka e Tranquilina.

CAPÍTULO SETE: Gaitán e o 9 de abril. Bogotá em chamas. O escritor diante das piras da história. Fidel vai à guerra. Regresso ao Caribe. El Universal e o Grupo de Cartagena. La casa e as leituras em A Colina do Diabo. O enterro do diabo e o nascimento de Macondo. À sombra das mangueiras em Sucre. O encontro com Sófocles. Adeus ao Direito. Cartagena, um viveiro inesgotável. Álvaro Mutis, García Márquez e a “vaina”.

CAPÍTULO OITO: Barranquilla, afervilhante cidade do Atlântico. Entre taxistas, prostitutas e pescadores. O café Colombia e a livraria Mundo. “Os mamadores de galo de La Cueva”. Venturas e desventuras do sábio catalão. Voces. O colunista do El Heraldo. Inquilino de Rascacielos. Um bordel muito faulkneriano. Ao som dos teletipos. Ninguém edita O enterro do diabo. O seminário Crónica. A aposta de “A mulher que chegava às seis”. As garças do Negra Eufemia. Realidade, literatura e jornalismo.

CAPÍTULO NOVE: Quando Santiago Nassar ainda era Cayetano Gentile. Esplendor e decadência de Sucre. História das Mamães Grandes. A cândida menina e sua cafetina desalmada. María Alejandrina Cervantes. A morte de Cayetano Gentile. De Sucre a Cartagena. A coroação em Baranoa. Comprimido. Encontro com Rafael Escalona. Os vallenatos, a fonte que canta. Em busca do tempo perdido. Regresso à semente. A casa da botica. Confirmação de Macondo. Vendedor de livros em Valledupar e La Guajira. Com Hemingway, Virgínia Woolf, Rafael Escalona e Lisandro Pacheco na semente da semente. Os tempos recuperados.

CAPÍTULO DEZ: retorno a Bogotá. Redator por novecentos pesos. Os confrades de El Espectador. Conrad, Bedford e a vaina. Rojas Pinilla e a ditadura messiânica. Numa célula comunista. Crítico de cinema. “Um dia depois do sábado”. As grandes reportagens. Relato de um náufrago. Violência, ditadura e jornalismo. A edição de O enterro do diabo. Uma dedicatória anunciada.

CAPÍTULO ONZE: Rumo à Europa cokm o “melhor ofício do mundo”. Genebra e o trem de Aracataca. A conferância dos Quatro grandes. Repórter em Roma e Veneza. Em Praga e Varsóvia através de Viena. Fernando Birri, cicerone em Cinecittà. Plinio Mendoza e o milagre da neve. Num sótão do Hotel de Flandre. Alguém escreve ao coronel. Paris era uma festa. Atrás da Cortina de Ferro. Guillermo Angulo e os encontros de Sísifo. Londres, e adeus.

CAPÍTULO DOZE: Entre a infeliz Caracas de Bolívar e a feliz Caracas de Juana de Freites. Queda e fuga de Marcos Pérez Jiménez. Primeiros perfis de O outono do patriarca. Mercedes, a noiva da botica. “A sesta da terça-feira.” Nixon em Caracas. E numa dessas, Fidel ganhou. A “Operação Verdade” e as verdades do escritor. “Os funerais da Mamãe grande”. Edição de Ninguém escreve ao coronel. Nosso escritor em Havana. Correspondente em Nova York.

CAPÍTULO TREZE: Álvaro Mutis e o parto da leoa. México, a terra prometida. À procura do cheiro de goiaba. La Familia e Sucesos: jornalismo para comer. Residência em Comala. “O mar do tempo perdido.” O prêmio Esso e A má hora. Cinema e publicidade. Roteiros e chás dominicais com Carlos Fuentes. Cem anos de solidão. Encontro com Luis Harss. Uma visita de Carmen Balcells. Dedicatória a María Luisa Elío. A Cova da Máfia. Empenhando até os últimos botões. As noites de San Ángel Inn. Paco Porrúa ou “o leitor desconhecido”. Aquela capa de Vicente Rojo. Buenos Aires era uma festa. Uma garrafa ao tempo. Com Vargas Llosa em Caracas, Lima e Bogotá. Da viagem e da semente.

Notas

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