Umberto Eco e Carlo Maria Martini


EM QUE CRÊEM OS QUE NÃO CRÊEM?


1999 - 156 págs.

EDITORA RECORD

“Como nos ensinam as mais laicas entre as ciências humanas, é o outro, é seu olhar, que nos define e nos forma.”

Umberto Eco

“O que funda a dignidade humana senão o fato de que cada ser humano é uma pessoa aberta a algo de mais alto e maior que ela própria?”

Carlo maria martini


“A existência de Deus e a invenção de Deus; os fundamentos da ética e o respeito ao outro; as mulheres e o sacerdócio; a liberdade de escolha e de ação frente aos imperativos religiosos; o aborto; o respeito à vida; a engenharia genética; o apocalipse e a idéia de fim na cultura laica; a existência ou não de uma noção de esperança comum a crentes e não crentes.

Esses são alguns dos temas debatidos ao longo de um ano por um dos mais importantes pensadores laicos da atualidade e um cardeal da igreja de Roma. O diálogo entre Umberto Eco e Carlo Maria Martini foi travado, na forma de cartas, nas páginas da revista italiana Liberal, e revelou um leigo dotado de grande conhecimento e profundas dúvidas religiosas, e um religioso preocupado com os aspectos terrenos da vida.
Ao acalorado diálogo entre Eco e Martini se somam as vozes de um coro variado e curiosamente harmônico, composto pelos filósofos Emanuele Severino e Manilo Sgalambro, os jornalistas Eugenio Scalfari e Indro Montanelli, o teórico de extrema esquerda Vittorio Foa, fundador do jornal Il manifesto, e o ex-ministro e ex-secretário do Partido Socialista Italiano Claudio Martelli. O resultado desse debate, travado com total liberdade dialética, é uma reflexão sobre os valores fundamentais do homem contemporâneo.

Umberto Eco nasceu em Alexandria em 1932. Laureado em filosofia na Universidade de Torino, com uma tese estética sobre Santo Tomás de Aquino, trabalhou nos programas culturais da RAI e na Editora Bompiani e lecionou Semiótica na Universidade de Bolonha. Como estudioso, Umberto Eco dedica-se à estética medieval, à arte de vanguarda e aos fenômenos da cultura de massa. Entre outros, publicou Obra aberta, A estrutura ausente, O nome da Rosa, O pêndulo de Foucault, A ilha do dia anterior, Kant e o ornitorrinco, Diário mínimo e Cinco escritos morais.

Carlo Maria Martini nasceu em Torino em 1927. Em 1944 entra para a Companhia de Jesus e ordena-se sacerdote em 1952. Em 1958 forma-se em Teologia fundamental pela Universidade Gregoriana de Roma - da qual mais tarde será reitor - e em 1962 inicia a atividade de docente no Pontifício Instituto Biblico, que depois irá dirigir. Foi elevado a cardeal em 1983 pelo para João Paulo II.”


SUMÁRIO

I. Diálogos

UMBERTO ECO, A obsessão laica pelo novo Apocalipse

CARLO MARIA MARTINI, A esperança faz do Fim “um fim”

UMBERTO ECO, Quando tem início a vida humana?

CARLO MARIA MARTINI, A vida humana participa da vida de Deus

UMBERTO ECO, Os homens e as mulheres segundo a Igreja

CARLO MARIA MARTINI, A Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios

CARLO MARIA MARTINI, Onde o leigo encontra a luz do bem?

UMBERTO ECO, Quando o outro entra em cena, nasce a ética

II. Coro

EMANUELE SEVERINO, A técnica é o ocaso de qualquer boa-fé

MANLIO SGALAMBRO, O bem não pode basear-se em um Deus homicida

EUGENIO SCALFARI, Para agir moralmente, confiemos no instinto

INDRO MONTANELLI, Da ausência de fé como injustiça

VITTORIO FOA, Como vivo no mundo, eis o meu fundamento

CLAUDIO MARTELLI, O credo laico do humanismo cristão

III. Retomada

CARLO MARIA MARTINI, Mas a ética precisa da verdade

Índice

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