“Como nos ensinam as mais laicas entre as ciências humanas,
é o outro, é seu olhar, que nos define e nos forma.”
Umberto Eco
“O que funda a dignidade humana senão o fato de que cada ser
humano é uma pessoa aberta a algo de mais alto e maior que ela própria?”
Carlo maria martini
“A existência de Deus e a invenção de Deus; os fundamentos da ética e o respeito ao
outro; as mulheres e o sacerdócio; a liberdade de escolha e de ação frente aos imperativos
religiosos; o aborto; o respeito à vida; a engenharia genética; o apocalipse e a idéia de
fim na cultura laica; a existência ou não de uma noção de esperança comum a crentes
e não crentes.
Esses são alguns dos temas debatidos ao longo de um ano por um dos mais importantes pensadores laicos da
atualidade e um cardeal da igreja de Roma. O diálogo entre Umberto Eco e Carlo Maria Martini foi travado,
na forma de cartas, nas páginas da revista italiana Liberal, e revelou um leigo dotado de grande conhecimento
e profundas dúvidas religiosas, e um religioso preocupado com os aspectos terrenos da vida.
Ao acalorado diálogo entre Eco e Martini se somam as vozes de um coro variado e curiosamente harmônico,
composto pelos filósofos Emanuele Severino e Manilo Sgalambro, os jornalistas Eugenio Scalfari e Indro Montanelli,
o teórico de extrema esquerda Vittorio Foa, fundador do jornal Il manifesto, e o ex-ministro e ex-secretário
do Partido Socialista Italiano Claudio Martelli. O resultado desse debate, travado com total liberdade dialética,
é uma reflexão sobre os valores fundamentais do homem contemporâneo.
Umberto Eco nasceu em Alexandria em 1932. Laureado em filosofia na Universidade de Torino, com uma tese estética
sobre Santo Tomás de Aquino, trabalhou nos programas culturais da RAI e na Editora Bompiani e lecionou Semiótica
na Universidade de Bolonha. Como estudioso, Umberto Eco dedica-se à estética medieval, à arte
de vanguarda e aos fenômenos da cultura de massa. Entre outros, publicou Obra aberta, A estrutura ausente,
O nome da Rosa, O pêndulo de Foucault, A ilha do dia anterior, Kant e o ornitorrinco, Diário mínimo
e Cinco escritos morais.
Carlo Maria Martini nasceu em Torino em 1927. Em 1944 entra para a Companhia de Jesus e ordena-se sacerdote em
1952. Em 1958 forma-se em Teologia fundamental pela Universidade Gregoriana de Roma - da qual mais tarde será
reitor - e em 1962 inicia a atividade de docente no Pontifício Instituto Biblico, que depois irá
dirigir. Foi elevado a cardeal em 1983 pelo para João Paulo II.”
SUMÁRIO
I. Diálogos
UMBERTO ECO, A obsessão laica pelo novo Apocalipse
CARLO MARIA MARTINI, A esperança faz do Fim “um fim”
UMBERTO ECO, Quando tem início a vida humana?
CARLO MARIA MARTINI, A vida humana participa da vida de Deus
UMBERTO ECO, Os homens e as mulheres segundo a Igreja
CARLO MARIA MARTINI, A Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios
CARLO MARIA MARTINI, Onde o leigo encontra a luz do bem?
UMBERTO ECO, Quando o outro entra em cena, nasce a ética
II. Coro
EMANUELE SEVERINO, A técnica é o ocaso de qualquer boa-fé
MANLIO SGALAMBRO, O bem não pode basear-se em um Deus homicida
EUGENIO SCALFARI, Para agir moralmente, confiemos no instinto
INDRO MONTANELLI, Da ausência de fé como injustiça
VITTORIO FOA, Como vivo no mundo, eis o meu fundamento
CLAUDIO MARTELLI, O credo laico do humanismo cristão
III. Retomada
CARLO MARIA MARTINI, Mas a ética precisa da verdade
Índice
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