Giambattista Vico

A CIÊNCIA NOVA
502 págs. - 1999
Tradução, prefácio e notas de
Marco Lucchesi
Leia o capítulo
“Ele foi um inovador audacioso no campo da lei natural, da jurisprudência,
da estética, da filosofia e da matemática; seu conceito de raciocínio matemático era
realmente tão revolucionário que pouca justiça lhe pode ser feita até a transformação
efetuada pelos lógicos do século XX. Nem mesmo atualmente seu conceito é reconhecido pelo
que vale. Ainda mais, Vico criou virtualmente uma nova esfera do conhecimento social, que abrange a antropologia
social e os estudos históricos e comparados de filosofia, lingüística, etnologia, jurisprudência,
literatura e mitologia; de fato a história da civilização em seu sentido mais amplo. (...)
Poucas satisfações intelectuais são comparáveis à da descoberta de um pensador
da mais alta qualidade como Vico.” Isaiah Berlin
“Giambattista Vico influenciou Spengler e Toynbee, era admirado por
Karl Marx, inspirou James Joyce a escrever Finnegans Wake e, mais, recentemente, foi tema de um estudo de Isaiah
Berlin. Ainda assim, a obra desse filósofo italiano do século 18 permanece pouco conhecida. Agora,
A ciência nova, obra máxima de Vico, ganha sua primeira publicação em português
com uma tradução primorosa de Marco Lucchesi para a coleção Grandes traduções. LIVRO SEGUNDO LIVRO TERCEIRO LIVRO QUARTO
Um dos maiores nomes das ciências sociais e primeiro a definir a História como ciência, Vico
nasceu em Nápoles em 23 de junho de 1668 e morreu na mesma cidade em 23 de janeiro de 1744. Filho de um
livreiro, passou a juventude como preceptor em famílias aristocráticas, até conquistar, em
1669, o cargo mal remunerado de professor de retórica. Vico sempre viveu em condições precárias;
ganhava seu sustento com a redação de discursos congratulatórios e escritos semelhantes para
mecenas pouco generosos. Os católicos duvidavam da sua ortodoxia, outros o acusavam de retrógrado,
hostil às novas tendências. Numa época dominada pelo progresso das ciências naturais
e da matemática e pela filosofia de Descartes, Vico foi decididamente anticartesiano. Não confiava
nas bases lógicas da ciência e preferiu os estudos históricos e literários à
física e à matemática.
Em A ciência nova, publicada pela primeira vez em 1725, totalmente reelaborada em 1739 e relançada
em 1744 com poucas modificações (edição a partir da qual foi feita esta tradução),
Vico mostra que o homem faz e sofre a história, e que para conhecer essa história é preciso
conhecer o homem dentro de seu mundo cultural, sua linguagem e seus mitos. A Antigüidade greco-romana fornece
o exemplo de uma história ideal da humanidade, que sempre se repete, começando sempre de novo: a
filosofia da história de Vico é cíclica. Na história de Vico se repetem três
fases: a história dos deuses, em que os homens foram pouco mais que animais; a história dos heróis,
em que os homens eram bárbaros (mas poetas) governados pelos aristocratas; a história humana, que
começa com lutas internas contra os governantes, espécies de lutas de classes, e com a conquista
de um direito seguro e escrito, superior ao direito natural. E daí novamente à idade dos deuses,
num processo que não é uma repetição, um círculo, mas uma recorrência,
uma espiral.”
SUMÁRIO
Monumental Afresco da História, por Marco Lucchesi
Esta edição
Bibliografia Viquiniana
Idéia da obra. Explicação do desenho proposto no frontispício que serve de introdução
à obra.
LIVRO PRIMEIRO
DO ESTABELECIMENTO DOS PRINCÍPIOS
Tábua cronológica
I. Anotações à Tábua cronológica das quais se faz o aparato das matérias
I. Tábua cronológica, descrita sobre as três épocas dos tempos dos egípcios,
que diziam todo o mundo antes deles ter decorrido por três idades: dos deuses, dos heróis e dos homens
II. Hebreus
III. Caldeus
IV. Citas
V. Fenícios
VI. Egípcios
VII. Zoroastro ou o reino dos caldeus - Anos do mundo 1756
VIII. Jepeto, de quem se originam os gigantes - Anos do mundo 1856
IX. Nebrod ou confusão das línguas - Anos do mundo 1856
X. Um dos quais [gigantes], Prometeu, rouba o fogo do sol -Anos do mundo 1856
XI. Deucalião
XII. Mercúrio trimegisto, o velho, ou seja, a idade dos deuses do Egito
XIII. Idade do ouro, ou seja, idade dos deuses da Grécia
XIV. Heleno, filho de Deucalião, neto de Prometeu, bisneto de Japeto, com três de seus filhos espalhou
pela Grécia três dialetos - Anos do mundo 2082
XV. Cécrops egípcio funda doze colônias na Ática, das quais Teseu, mais tarde, formou
Atenas
XVI. Cadmo fenício funda Tebas na Beócia e introduz na Grécia as letras vulgares - Anos do
mundo 2448
XVII. Saturno, ou seja, a idade dos deuses do Lácio - Anos do mundo 2491
XVIII. Mercúrio trimegisto, o jovem, ou a idade dos heróis do Egito - Anos do mundo 2553
XIX. Dânao egípcio expulsa os Inácidas do reino de Argos - Anos do mundo 2553
XX. Heráclidas espalhados por toda a Grécia, que fazem a idade dos heróis - Curetes em Creta,
Satúrnia, ou seja, Itália, e na Ásia, os que fazem os reinos de sacerdotes - Anos do mundo
2682
XXI. Dido, de Tiro, vai fundar Cartago
XXII. Orfeu, e com ele a idade dos poetas teólogos
XXIII. Hércules, com o qual se encontra no auge o tempo heróico da Grécia
XXIV. Sancuniate escreve histórias em letras vulgares - Anos do mundo 2800
XXV. Guerra troiana - Anos do mundo 2820
XXVI. Sesóstrides reina em Tebas - Anos do mundo 2820
XXVII. Colônias gregas na Ásia, na Sicília, na Itália - Anos do mundo 2949
XXVIII. Jogos Olímpicos, antes ordenados por Hércules, depois suspensos, e retomados por Isífilo
- Anos do mundo 3223
XXIX. Fundação de Roma - Anos de Roma 1
XXX. Homero, que veio num tempo quando ainda não haviam sido criadas as letras vulgares e que não
viu o Egito - Anos do mundo 3290, de Roma 35
XXXI. Psamético abre o Egito apenas aos gregos da Jônia e da Cária - Anos do mundo 3334
XXXII. Esopo, moral filósofo vulgar - Anos do mundo 3334
XXXIII. Sete sábios da Grécia: dos quais um, Sólon, ordena a liberdade popular de Atenas:
o outro, Tales milésio, dá começo à filosofia com a física - Anos do mundo 3406
XXXIV. Pitágoras, de quem, ainda em vida, afirma Lívio não se ouvira o nome em Roma - Anos
do mundo 3468, de Roma 225
XXXV. Sérvio Túlio rei - Anos do mundo 3468, de Roma 225
XXXVI. Hesíodo - Anos do mundo 3500
XXXVII. Heródoto e Hipócrates - Anos do mundo 3500
XXXVIII. Idantura, rei da Cítia - Anos do mundo 3530
XXXIX. Guerra peloponésia. Tucídides, o qual escreve que até seu pai os gregos não
sabiam nada de suas próprias antiguidades, quando se começou a escrever sobre tal guerra - Anos do
mundo 3530
XL. Sócrates inicia a filosofia moral racional. Platão floresce na metafísica. Atenas brilha
em todas as artes da mais culta humanidade. Lei das XII Tábuas - Anos do mundo 3553, de Roma 303
XLI. Xenofonte, ao levar as armas gregas às entranhas da Pérsia, é o primeiro a saber com
alguma certeza das coisas persas - Anos do mundo 3583, de Roma 303
XLII. Lei Publília - Anos do mundo 3658, de Roma 416
XLIII. Lei petélia - Anos do mundo 3661, de Roma 419
XLIV. Guerra de Tarento, onde começam a se conhecer entre si os latinos com os gregos - Anos do mundo 3708,
de Roma 489
XLV. Guerra cartaginesa segunda, por onde começa a história certa romana por Lívio, que confessa
igualmente não saber três máximas circunstâncias - Anos do mundo 3849, de Roma 552
CONCLUSÃO
II. Dos elementos
III. Dos princípios
IV. Do método
DA SABEDORIA POÉTICA
1. Da sabedoria em geral
2. Proposição e divisão da sabedoria poética
3. Do dilúvio universal e dos gigantes
I. Da metafísica poética
1. Da metafísica poética, que dá origem à poesia, à idolatria, à divinação
e aos sacrifícios
2. Corolários acerca dos aspectos principais desta ciência
II. Da lógica poética
1. Da lógica poética
2. Corolários acerca dos tropos, monstros e transformações poéticas
3. Corolários acerca do falar por caracteres poéticos das primeiras nações
4. Corolários sobre a origem das línguas e das letras; e a origem dos hieróglifos, das leis,
dos nomes, das insígnias gentílicas, das medalhas, das moedas; e, pois, da primeira língua
e literaura do direito natural das gentes
5. Corolários em torno às origens da locução poética, dos episódios,
da volta, do número, do canto e do verso
6. Outros corolários que, apartir do princípio, se propuseram
7. Últimos corolários acerca da lógica dos adoutrinados
III. Da moral poética e, pois, das origens das vulgares virtudes ensinadas pela religião através
dos matrimônios
IV. Da econômica poética
1. Da econômica poética, e das famílias que inicialmente se constituíram dos filhos
2. Das famílias dos fâmulos antes das cidades, sem as quais são poderiam, com efeito, nascer
as cidades
3. Corolários sobre os contrato que se cumprem apenas mediante o consenso
4. Cânone mitológico
V. Da política poética
1. Da política poética mediante a qual nasceram as primeiras repúblicas do mundo de forma
severíssima aristocrática
2. Todas as repúblicas nasceram de certos princípios eternos dos feudos
3. Das origens do censo e do erário
4. Das origens dos comícios romanos
5. Corolário de que a Divina Providência é ordenadora das repúblicas e, ao mesmo tempo,
do direito natural das gentes
6. Segue a política dos heróis
7. Corolários sobre as coisas romanas antigas e particularmente do sonhado reino romano monárquico
e da sonhada liberdade popular ordenada por Júnio Bruto
8. Corolário sobre o heroísmo dos primeiros povos
VI. Resumos da história poética
VII. Da física poética
1. Da física poética
2. Da física poética sobre o homem, ou seja, da natureza heróica
3. Corolário das sentenças heróicas
4. Corolário das descrições heróicas
5. Corolário dos costumes heróicos
VIII. Da cosmografia poética
IX. Da astronomia poética
1. Da astronomia poética
2. Demonstração astronômica físico-filológica da unifromidade dos princípios
em todas as antigas nações gentílicas
X. Da cronologia poética
1. Da cronologia poética
2. Cânone cronológico para dar os princípios à história universal, que devem
antecipar a monarquia de Nino, da qual a história universal começa
XI. Da geografia poética
1. Da geografia poética
2. Corolário da vinda de Enéias à Itália
3. Da denominação e descrição das cidades heróicas
DA DESCOBERTA DO VERDADEIRO HOMERO
I.
1. Da sabedoria oculta que opinaram de Homero
2. Da pátria de Homero
3. Da idade de Homero
4. Da inatingível faculdade poética heróica de Homero
5. Provas filosóficas para a descoberta do verdadeiro Homero
6. Provas filológicas para a descoberta do verdadeiro Homero
II. Descoberta do verdadeiro Homero
1. As contradições e inverossimilhanças do Homero até agora estimado tornam-se no Homero
aqui descoberto conveniências e necessidades
2. Os poemas de Homero encontram-se como dois grandes tesouros do direito natural das gentes da Grécia
3. História dos poetas dramáticos e líricos meditada
DO CURSO QUE FAZEM AS NAÇÕES
I. Três espécies de natureza
II. Três espécies de costumes
III. Três espécies de direitos naturais
IV. Três espécies de governo
V. Três espécies de língua
VI. Três espécies de caracteres
VII. Três espécies de jurisprudências
VIII. Três espécies de autoridade
IX. Três espécies de razões
1. Razão divina e Razão de Estado
2. Corolário da sabedoria do estado dos antigos romanos
3. Corolário: história fundamental do direito humano
X. Três espécies de julgamentos
1. Primeira Espécie: Julgamentos Divinos
2. Corolários dos duelos e das represálias
3. Segunda Espécie: Julgamentos Ordinários
4. Terceira Espécie: Julgamento Humanos
XI. Três espécies de tempos
XII. Outras provas tiradas das propriedades das aristocracias heróicas
1. Da guarda dos confins
2. Da guarda das ordens
3. Da guarda das leis
XIII.
1. Outras provas tiradas do temperamento das repúblicas, feito pelos estados das segundas com os governos
das primeiras
2. De uma eterna natural lei régia, pela qual as nações vão repousar sob as monarquias
3. Confutação dos princípios da doutrina política feita sobre o sistema de Jean Bodin
XIV. Últimas provas que confirmam tal curso das nações
1. Penas, guerras, ordem dos números
2. Corolário: o direito romano antigo foi um sério poema e a antiga jurisprudência foi uma
severa poesia, dentro da qual se encontram as primeiras disputas da legal metafísica, e como aos gregos
das leis surgiu a filosofia
LIVRO QUINTO
DO RETORNO DAS COISAS HUMANAS AO RENASCER DAS NAÇÕES
1. A história bárbara última esclarecida com o retorno da história bárbara primeira
2. Retorno que fazem as nações à natureza eterna dos feudos e, portanto, o retorno do direito
romano antigo feito com o direito feudal
3. Descrição do mundo antigo e moderno das nações observada conforme o desígnio
dos princípios desta ciência
CONCLUSÃO DA OBRA
SOBRE UMA ETERNA REPÚBLICA NATURAL, EM CADA UMA DE SUAS ESPÉCIES ÓTIMA, PELA DIVINA PROVIDÊNCIA
ORDENADA
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