ARISTÓTELES


Émile Boutroux


156 págs. - 2000


Editora Record


Ao longo dos tempos, Aristóteles foi, de todos os filósofos, certamente o mais estudado, analisado, interpretado e reinterpretado. O interesse por suas obras tornou-se ainda mais intenso nas últimas décadas, quando se revelou a proximidade entre seu pensamento e determinadas teorias científicas modernas (o indeterminismo de Heisenberg, a teoria das catástrofes, de René Thom, por exemplo). Junto com o número crescente de estudos especializados sobre aspectos da filosofia do Estagirita, é normal que se multipliquem as introduções gerais, desde as de índole simplesmente pedagógica até os grandes ensaios de reinterpretação de conjunto. Destacam-se, numa ou noutra dessas modalidades, as obras de Jonathan Barnes, Joseph Moreau, Ingemar Dühring, Louis Millet e muitos outros.

É espantoso que, no meio de tantas novidades auspiciosas, uma introdução escrita há mais de cem anos conserve não somente sua atualidade, mas sua força de superar, em muitos pontos, as concorrentes mais novas. Mas é isso o que acontece com este livro de Émile Boutroux (1845-1921), aluno de Jules Lachelier em Paris e de Eduard Zeller em Heidelberg, mâitre de conférences na École Normale Supérieure e depois professor na Sorbonne até o fim da vida. O motivo de tão surpreendente atualidade reside não apenas na afinidade entre os espíritos do intérprete e o do autor interpretado, mas no fato de que o núcleo dessa afinidade está, precisamente, naquilo que o pensamento de um e de outro têm de precursores das tendências científicas acima mencionadas. Nada mais revelador do que comparar as páginas que Aristóteles consagrou aos limites da necessidade natural na Física às idéias de Émile Boutroux sobre La Contingence des Lois de la Nature (título de sua obra principal, publicada em 1974) e depois ambas às considerações de Heisenberg em Physycs and Beyond (New York, 1971). Heisenberg mostra-se aí o último elo de uma tradição antimecanicista que, partindo de Aristóteles, passa por Leibniz, Schelling, Ravaisson e Émile Boutroux e que constitui um antídoto perene aos danos que o dogma do mecanicismo (ainda tão forte no subconsciente científico, malgrado as sucessivas impugnações que tem sofrido) trouxe à compreensão do homem e do cosmos.

Aristóteles, de Émile Boutroux, ao qual deverão seguir-se mais tarde as Lições sobre Aristóteles do mesmo autor, é uma introdução valiosa não apenas ao pensamento do Estagirita, mas a toda essa tradição, em cujo renascimento se apostam hoje as melhores esperanças de uma ciência que não seja inimiga da sabedoria.

Olavo de Carvalho


SUMÁRIO

Apologia de Émile Boutroux, por Olavo de Carvalho

I. Biografia

II. Os escritos de Aristóteles

III. O conjunto da obra de Aristóteles

IV. Classificação das ciências

V. O ponto de vista e o método

VI. Aristóteles historiador

VII. Lógica

VIII. Metafísica

IX. Física geral

X. Matemáticas

XI. Cosmologia

XII. Astronomia

XIII. Meteorologia

XIV. Mineralogia

XV. Biologia geral

XVI. Botânica

XVII. Anatomia e fisiologia animais

XVIII. Zoologia

XIX. Psicologia

XX. Moral

XXI. Econômica

XXII. Política

XXIII. Retórica

XXIV. Estética

XXV. Poética

XXVI. Gramática

XXVII. Discursos e poemas

XXVIII. Cartas

XXIX. Aristóteles escritor

XXX. Influência de Aristóteles


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