Emir Sader (org.)

7 PECADOS DO CAPITAL
1999 - 221 págs.
EDITORA RECORD
| Oito dos maiores intelectuais brasileiros expõem em oito ensaios
curtos sete graves pecados do capital. Avareza, Ecocídio e Biocídio, Fetichismo, Exploração,
Latifúndio, Roubo do Tempo e Fome são algumas das mazelas do mais selvagem capitalismo, hoje disfarçado
sob o rótulo de neoliberalismo em nosso mundo globalizado. Há alguns anos, discutia-se muito a divisão entre as culturas humanística e científica e dizia-se que era uma fatalidade lingüística. (...) A divisão continuou, mas a separação irreversível não aconteceu; hoje as duas culturas estão na Internet e usam a linguagem universal dos impulsos. (...) Curiosamente, uma separação que se agrava - esta sim, sem solução à vista - é entre facções de uma mesma ciência que nunca tiveram problemas de linguagem. Economistas de um lado e de outro lidam com os mesmos números, analisam as mesmas características, recebem as mesmas informações e usam o mesmo vocabulário, só variando o estilo. E vêem e prevêem coisas diferentes. (...) O que os separa é o valor que dão à vida humana, o princípio de todas as equações para um, apenas um componente a mais, às vezes o mais irrelevante, para os outros. Não se trata de ter melhor ou pior coração. (...) É-se solidário pela mais egoísta das razões. Por um cuidado elementar pela salubridade do meio. Porque a civilização que sacrifica o homem pelo lucro não é exatamente o ambiente em que queremos viver. Luis Fernando Veríssimo Sete, como poderiam ser tantos mais. Sete porque, originalmente, é a soma de três mais quatro, com o três representando simbolicamente - segundo Leonardo Boff - uma totalidade voltada para si mesma (fé, esperança, amor; corpo, mente, espírito; Pai, Filho e Espírito Santo). O quatro simboliza a mesma totalidade, mas voltada para fora, incluindo dentro de si um elemento diferente (Pai, Filho, Espírito Santo mais Maria). O número sete é portanto uma totalidade dinâmica e completa em sua absoluta perfeição. Os sete sacramentos não representam apenas os sete ritos cristãos, mas a presença plena de Cristo nos múltiplos gestos feitos em seu nome na comunidade, gestos que traduzem sua libertação. Sete, como poderiam ser tantos mais, no momento em que se quer atribuir à natureza humana males que são resultado de uma forma determinada de organização da sociedade entre os homens, comandada pelo Capital e não pelos indivíduos, pela busca do lucro e não da felicidade. Este livro reúne alguns desses pecados - no sentido de ofensas morais e imoralidades sociais - vistos livremente por gente de diferentes atividades e credos, unidos pela condenação de uma sociedade que privilegia a riqueza material sobre a espiritual, a ganância sobre a solidariedade, que se assenta na exploração do trabalho da grande maioria, que fomenta o fetichismo, que não respeita os equilíbrios naturais, que expropria o tempo das pessoas, que produz riqueza para alguns e fome para tantos, que protege o latifúndio e não o trabalho produtivo, que reproduz a avareza - a tal ponto que merece dois textos - e não a cooperação. Enfim, o reino do Capital. Sete, sete vezes sete, como poderão ser tantos mais. Até que os homens tomem a vida em suas próprias mãos, mentes e corações. Para os que lutam por isso, dedica-se este livro. Emir Sader SUMÁRIO Apresentação - Luis Fernando Veríssimo A Avareza - Frei Betto Avareza, ano 2000 - Milton Santos O Ecocídio e o Biocídio - Leonardo Boff A exploração - Emir Sader O Fetichismo - Maria Rita Kehl A Fome - Marilene Felinto O Roubo do Tempo - Alcione Araújo O Latifúndio - João Pedro Stédile Notas |
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