A EXPRESSÃO POPULAR DO SAGRADO
Uma análise psico-antropológica da Igreja Universal do reino de Deus

Paulo Bonfatti

2000 - 188 págs.

EDIÇÕES PAULINAS

“Por toda parte tem-se presenciado o surgimento de um renovado interesse pela espiritualidade e suas expressões religiosas. Tal fato, que já foi chamado de revanche do sagrado, tem atraído sempre mais cientistas da religião e estudiosos de disciplinas afins, no Brasil e no exterior, revelando-se como um dos grandes temas das próximas décadas.”

“O vertiginoso sucesso da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é um dado inegável, sem nenhum paralelo na história recente do campo religioso brasileiro. Cresce sempre mais o número de pesquisadores que se debruçam sobre este fenômeno neopentecostal, analisando-o dos mais variados pontos de vista.

Ao lidar com a IURD de uma forma séria e sem pré-julgamentos, este livro destaca-se pela abordagem interdisciplinar, propondo uma utilização dialogal e criativa de ferramentas das Ciências Sociais, bem como de elementos da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.

Sua tese principal é que o sucesso da IURD deve-se, sobretudo, ao fato de sua proposta religiosa corresponder à visão interna profunda (arquetípica) que seus participantes têm do sagrado. Este sagrado concreto está em continuidade com o sagrado oferecido ao povo na tradição medieval, que permanece no fundo da religiosidade popular. Entretanto, ele se desvincula tanto da visão teocrática do mundo, inerente ao catolicismo, quanto ao despojamento ritual característico das correntes evangélicas clássicas, inclusive das formas mais antigas de pentecostalimo.

Fundamentado em uma pesquisa apurada e articulada com trabalhos de campo - tendo sempre como referencial maior a visão dos fiéis e também dos dirigentes -, o autor busca compreender o mundo iurdiano através de seus fenômenos de conversão, exorcismo e cura. Além disso, aponta alguns aspectos psicológicos que contribuem para uma maior compreensão dos fenômenos de cura e de redimensionamentos de vida de seus membros.
Pelo seu estilo, esta é uma obra dirigida não apenas a pesquisadores da área, como também a todos aqueles que tentam obter um maior entendimento deste fenômeno religioso que é a Igreja Universal do Reino de Deus.”

“Paulo Bonfatti nasceu em 1966, na cidade mineira de Juiz de Fora, onde cresceu e vive até hoje. Formou-se em psicologia em 1990, pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Desde então trabalha com crianças, adolescentes e adultos na linha da psicologia de Carl Gustav Jung. Sempre interessado nas articulações da psicologia com o fenômeno religioso, em 1992 iniciou a especialização em Ciências da Religião, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Em 1998 concluiu seu mestrado, cuja dissertação resultou neste livro. Atualmente, além de seu trabalho em psicologia clínica, atua na área de psicologia escolar, escreve artigos e ministra o Curso de Psicologia da Religião no Instituto Teológico Arquidiocesano Santo Antônio, de Juiz de Fora.”


SUMÁRIO

Apresentação

PRIMEIRA PARTE

Capítulo I - Nem tudo termina só em pizza

SEGUNDA PARTE
Conversão, exorcismo e cura na IURD: a unidade simbólica da experiência

Capítulo II - Entre intencionalidades dos dirigentes e experiências de sentido dos membros

Capítulo III - Conversão, exorcismo e cura enquanto tríade

Capítulo IV - Tríade e totalidade

Capítulo V - Sincretismo e matriz religiosa brasileira: totalidades simbólicas de experiências religiosa triádica na IURD

TERCEIRA PARTE
O universo e o universal

Capítulo VI - O simbolismo do dinheiro

Capítulo VII - A guerra santa

Capítulo VIII - A realidade do mal

Capítulo IX - As doenças divinas

QUARTA PARTE
A terapêutica universal

Capítulo X - A escuta e o não-julgamento

Capítulo XI - “quem fez foi o demônio, não eu”

Capítulo XII - O temenos universal e as doenças divinas

Capítulo XIII O “fundo do poço”


Capítulo XIV - O movimento de enantiodromia

Capítulo XV - Jesus Cristo como redenção

Capítulo XVI - O encontro com a sombra

Capítulo XVII - O inconsciente familiar

Capítulo XVIII - Obreiros e pastores feridos

QUINTA PARTE
Conclusão

Referências bibliográficas


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